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    Infraestrutura


    Paradas de ônibus sem teto, manutenção e padrão prejudicam população

    Pontos de ônibus sem cobertura, pontos ‘invisíveis’ e falta de informações sobre linhas marcam a rotina de quem usa o transporte nas periferias

    Falta de estrutura em muitos pontos de Manaus deixa passageiros expostos ao sol e chuva | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Todos os dias, vários manauaras pegam ônibus em Manaus e utilizam as paradas para embarque e desembarque. Com bancos, sem bancos, com cobertura ou sem cobertura, com informativos sobre as linhas ou sem, os pontos de ônibus fogem dos padrões estabelecidos pelo poder público. A reportagem especial do EM TEMPO ouviu diversos moradores e especialistas na área de engenharia urbana, que relatam a falta de manutenção e padrão das paradas de ônibus.

    Alguns pontos de ônibus flagrados pelo EM TEMPO, inclusive em avenidas movimentadas da capital amazonense, não possuem nenhum tipo de estrutura além da placa com o símbolo indicando que ali é um ponto de parada dos transportes.

    As paradas são sinalizadas apenas com uma placa
    As paradas são sinalizadas apenas com uma placa | Foto: Lucas Silva

    Muitos moradores e usuários do transporte coletivo mostram descontentamento com a falta de atenção dos órgãos responsáveis. Em uma das paradas flagradas apenas com uma placa, localizada na Avenida Coronel Teixeira, bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, a usuária de transporte coletivo Jandriane Mota, 50, diz que a falta de uma estrutura adequada deixa os passageiros à mercê de mudanças climáticas.

    “A gente quer que a prefeitura olhe por nós. Essas paradas aqui não têm nenhuma estrutura, a gente pega sol, chuva, e fora que às vezes o ônibus nem para porque não tem um local adequado. Olha que é em uma via movimentada e perto de um local turístico, imagina”, reclama a trabalhadora que costuma frequentar o ponto com frequência, ao retornar do trabalho.

    Ana Paula, 40, também dizem que o perigo de não ter uma parada adequada dificulta a vida dos passageiros. “Em alguns lugares nós vemos umas paradas bonitas, grandes, depende do bairro. Chega aqui, a gente precisa passar por essa situação, temos que ficar expostos aqui e muitas vezes corremos risco de acidentes porque motos vêm em alta velocidade e estacionam aqui na calçada, aí passam bem perto da gente, e tem o risco de assaltos também”, conta.

    Apesar da grande demanda, não há um ponto apropriado disponível aos passageiros
    Apesar da grande demanda, não há um ponto apropriado disponível aos passageiros | Foto: Lucas Silva

    Em outra localidade, na Avenida Senador Álvaro Maia, bairro Praça 14, Zona Centro-Sul, os usuários se protegem do sol na sombra de um poste. Innagê Nascimento, 26, conta que o vandalismo frequente também é um ponto prejudicial. "A gente fica se escondendo do sol aqui, aí quando o ônibus passa, às vezes, nem para porque diz que nós não estávamos na parada. Tem áreas que são bem piores, menos atendidas, só tem um banco todo quebrado por exemplo. Também tem o problema de vandalismo, as pessoas têm que se conscientizar. Muitas paradas são depredadas, quebradas, sujas, viram locais para moradores de rua dormir", diz.

    Algumas paradas são depredadas e vandalizadas
    Algumas paradas são depredadas e vandalizadas | Foto: Lucas Silva

    Paradas sem padrão

    O engenheiro Augusto César Barreto, especialista em engenharia de transportes, explica que não há padrão ideal para as paradas em Manaus, principalmente pela falta de orçamento público, considerando diversos fatores que envolveriam a "parada perfeita". A dificuldade é o custo-benefício, logo não há como se ter uma parada que atenda a todos os requisitos pedidos pela maioria da população.

    Aglomeração na parada de ônibus
    Aglomeração na parada de ônibus | Foto: Lucas Silva

    "O que difere do que seria melhor é, em especial, com respeito ao aspecto tecnológico. Assim, existem oportunidades de melhoria para Manaus: mais informações claras sobre quais ônibus passam em cada parada, horários. Isso é uma oportunidade relativamente simples de ser solucionada e que não é um problema enfrentado. As pessoas podem ficar pouquíssimo tempo na parada se ela souber quando chega o ônibus. Com informação, a parada pode ser útil por uns cinco minutos de espera. A questão que atrapalha é não saber quando o ônibus 'passa', para onde ele vai, de onde ele vem, quais os horários. O problema de nossas paradas é de informação e não de modelo", explica o engenheiro.

    Ainda de acordo com o especialista, as paradas com publicidade, sem custo direto para o município, por meio de subsídio pela empresa concessionária (Parceria Público Privada) é o que faz melhorar a qualidade e reduzir o custo. A empresa responsável pela maioria das paradas de Manaus, começou isso há muitos anos e tem comprado várias empresas mundo afora, criando grande oferta deste tipo de alternativa.

    "Construção das paradas envolve estudos técnicos"

    Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que a construção das paradas envolve estudos técnicos feitos pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), levando em conta dados como o tamanho da calçada disponível, a localidade e o número de passageiros que serão atendidos naquela região. Apenas são instaladas aquelas que atenderem as normas técnicas e, as que não têm espaço disponível ou não atendem outra norma, são sinalizadas apenas com a placa.

    De acordo com a Prefeitura de Manaus os pontos de ônibus que só tem uma placa não atendem os requisitos para a construção da estrutura da parada
    De acordo com a Prefeitura de Manaus os pontos de ônibus que só tem uma placa não atendem os requisitos para a construção da estrutura da parada | Foto: Lucas Silva

    Ainda de acordo com o órgão, em locais com maior demanda e concentração de centros comerciais ou escolas, os abrigos são maiores para atender o maior número de usuários do transporte coletivo. Além disso, o IMMU também vem exercendo obras de restauros e construção de novos pontos, como as obras em andamento nas avenidas Constantino Nery, Torquato Tapajós e Max Teixeira e da estação de transferência já inaugurada na avenida Constantino Nery. As reformas não se limitam a grandes avenidas e se estendem a outras zonas da cidade em ações que, apenas no ano passado, somaram quase 200 paradas de ônibus recuperadas.

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