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    Identidade cultural


    Produtora amazonense desenvolve jogo que valoriza a cultura regional

    Ambiente do jogo traz uma versão futurística e alternativa da região amazônica com uma carga de ficção científica

    | Foto: divulgação

    Manaus - Com uma pegada de distopia e aventura, o jogo Snakeborn é a nova aposta da Flameseed, uma produtora regional, e promete influenciar o público na jornada de descoberta e reconexão com a cultura amazônica. Em entrevista ao EM TEMPO, o game designer e CEO da produtora, Felipe Lobo, conta um pouco sobre o processo de criação, a trama do jogo e como será o formato e a jogabilidade.

    Caracterizado como um gênero híbrido, o jogo possui elementos de RPG (Role-Playing Game), que é quando o jogador assume o papel do personagem do jogo, e é desenvolvido para que o jogador esteja em terceira pessoa, uma aposta capaz de atrair um público cada vez maior. Lobo conta que foram usadas diversas referências de jogos clássicos e populares como 'A Lenda' de Zelda e Tomb Raider. “Não seria um jogo com gráficos de última geração, nada realista, seria algo animado, bonito, bem feito e simples, com uma jogabilidade bem elaborada”, explica Felipe.

    O jogo promete divertir e influenciar o público na jornada de descoberta e reconexão com a cultura amazônica
    O jogo promete divertir e influenciar o público na jornada de descoberta e reconexão com a cultura amazônica | Foto: Divulgação

    Inicialmente a ideia era lançar em plataformas de console como Xbox e Playstation, mas pelo alto custo demandado foi resolvido que seria lançado apenas na versão para computador, em três idiomas: espanhol, inglês e português. Os gráficos serão acessíveis para não necessitar de uma placa gráfica potente e, dependendo da demanda, em outras plataformas.

    Valorização da cultura regional

    O ambiente do jogo traz uma versão futurística e alternativa da Região Amazônica, com uma carga de ficção científica ao mostrar a interação com outros planetas, regiões desconhecidas abaixo do Rio Negro e novas raças em contato com os humanos. Uma representação de Manaus e das comunidades ribeirinhas com uma visão simplificada e diferente, com carros e barcos voadores.

    “Aquela frase daquela música do Raízes Caboclas, ‘porto de lenha tu nunca serás Liverpool’, me marcou profundamente quando eu era criança e ainda me marca agora enquanto adulto, então é muito angustiante ver a gente perdendo a nossa identidade, a nossa conexão com o que faz a gente ser amazônida”, explica Felipe.

    Já o enredo conta uma história de uma jovem mulher e sua jornada de descoberta e reconexão com suas raízes após ser resgatada por uma sociedade colonizadora, conforme conta Lobo, trazendo mistério sobre o futuro da personagem. “Uma jovem chamada Adana é resgatada por uma espécie de 'império', que tenta colonizar a nossa região, no futuro. Ela é resgatada sem memória, se separa dos pais, é criada por esse pessoal e é enviada em uma missão aqui na região. Essa missão dá errado e ela vai ter que voltar para a cidade dela, mas perdeu todo o seu equipamento e sua equipe, e nessa jornada de volta ela vai se conectar com todas as suas origens”, conta o game designer.

    Felipe Lobo é o CEO da produtora e um dos idealizadores do projeto
    Felipe Lobo é o CEO da produtora e um dos idealizadores do projeto | Foto: Divulgação

    Lobo enfatiza a complexidade do processo produtivo do jogo. Para um jogo ser produzido é necessário o conhecimento de game engine (motor de jogo) espaço em que ele pode ser criado e desenvolvido, e a partir disso os conhecimentos específicos em esferas como a linguagem de programação da engine, a modelagem (3D, animação, iluminação), o som completo do jogo, além da coordenação e gerenciamento da equipe.

    A produtora é independente e composta por sete voluntários sendo dois modeladores 3D, um modelador 3D, texturizador e animador, um designer, um designer de som, um desenvolvedor e o próprio Felipe Lobo, game designer e administrador, que diz ser indispensável a integração da equipe e demonstra extrema gratidão a eles. A previsão para lançamento da demonstração do jogo, que está em processo desde dezembro de 2019, era em abril deste ano, mas a chegada da pandemia e a necessidade de isolamento social afetou o fluxo de trabalho, atrasando indefinidamente os planos.

    Lobo também acredita que o mercado de games é capaz de gerar empregos a diversas áreas, com a oferta de ferramentas é possível ter a formação de equipes com pessoas totalmente diferentes, misturando a literatura, a tecnologia e a arte. “Acho que a indústria de jogos e a de audiovisual tradicional têm um potencial de causar um impacto muito positivo na nossa economia local. Porque, por exemplo, um jogo requer música, então já emprega um músico, exige um designer, dá oportunidade para um designer. Jogos envolvem ilustração, então você pode chamar um grafiteiro da cidade, o menino lá da escola que desenha, para integrar um time”, explica.

    Necessidade de investimento

    Para Felipe, a cultura de startup no Amazonas sofreu uma romantização com o passar do tempo e os administradores desse meio passaram a ter referências, em sua maioria, estado-unidenses, e o que ele busca é justamente trazer a valorização do negócio regional e tradicional.

    “Eu acho que roda muito dinheiro dentro da questão de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e nas startups, que poderiam estar sendo direcionados para negócios tradicionais também. Se procura muito unicórnio e se dá pouco valor ao camelo, o unicórnio é aquela empresa que vale muito dinheiro e o camelo é a empresa que funciona aos troncos e barrancos. É necessário que comece a mudar essa cultura, apoiar negócios tradicionais e indústrias que ainda não são existentes de forma 'robusta' aqui no estado”, finaliza Felipe.

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