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    Greve Geral


    Funcionários dos Correios do AM aderem à greve por tempo indeterminado

    Pedido da categoria é pela permanência de direitos já conquistados e o respeito à vida dos trabalhadores

    A greve continua por tempo indeterminado
    A greve continua por tempo indeterminado | Foto: Divulgação

    Manaus – “Greve geral por tempo indeterminado” esta é a informação repassada pelo Sindicato dos Correios e Telégrafos do Amazonas (Sintect-AM) na manhã desta terça-feira (18). A reivindicação da categoria é pela permanência de direitos já conquistados, a não privatização dos Correios e respeito à vida dos trabalhadores da empresa que morreram na pandemia com Covid-19, segundo eles, mais de 100. 

    Segundo a vice-presidente do Sindicato dos Correios do Amazonas, Jane Neves, o ano de 2020 foi marcado com a retirada de 70 cláusulas de 79, que garantem direitos aos trabalhadores.

    “A empresa retirou muitas coisas e tudo foi imposto. Os tickets foram reduzidos, direitos como licença maternidade, férias, e benefícios conquistados em acordo coletivo, a empresa veio e impôs o lado dele. Eles conseguiram a liminar e reduziu para um ano o acordo coletivo”, disse Jane. 

    A adesão da greve é grande, segundo Jane, “Na capital e no interior, a tendência é aumentar. Fizemos a assembleia nesta manhã (18) e a greve segue por tempo indeterminado”, confirmou. 

    Na manhã desta terça-feira (18) um grupo de funcionários se reuniu em frente à Agência dos Correios, localizada no Centro de Manaus. 

    Pandemia

    A representante do sindicato afirmou que durante os meses de pico da pandemia no Amazonas, os trabalhadores dos Correios- considerados como serviço essencial- permaneceram trabalhando. Porém o que o sindicato aponta é a empresa ter chamado os trabalhadores para negociação durante a pandemia. 

    “A empresa tem que resguardar os trabalhadores. A gente vê claramente a privatização dos correios a qualquer custo e estão usando a pandemia para isso. O sentimento é de revolta, a negociação foi forçada. Essa greve não é por aumento ou reajuste, é para manter os direitos que temos para trabalhar. Fomos obrigados a entrar em campanha salarial. Há o enxugamento da empresa para privatizar. Pedimos respeito à vida dos trabalhadores da empresa”, pontuou a vice-presidente do sindicato. 

    Hoje foi o primeiro dia da greve
    Hoje foi o primeiro dia da greve | Foto: Divulgação

    Mortes por Covid

    Jane Neves apontou também que mais de 100 funcionários dos Correios morreram durante a pandemia por contaminação. O primeiro a vir a óbito foi um dos servidores do Amazonas. 

    Nota dos Correios 

    Os Correios não pretendem suprimir direitos dos empregados. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados.

    Sobre as deliberações das representações sindicais, os Correios ressaltam que a possuem um Plano de Continuidade de Negócios, para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa.

    No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional.

    Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

    A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

    Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. 

    Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.

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