Educação Ambiental


Banhistas dividem espaço com lixo acumulado na praia da Ponta Negra

Prefeitura até dispõe de ações para conscientização popular, mas muitos ainda insistem em não cumprir regras básicas de limpeza pública

Nos finais de semana a quantidade de banhistas aumenta consideravelmente na Praia da Ponta Negra | Foto: Lucas Silva

Manaus - O complexo da Ponta Negra é um dos pontos turísticos mais famosos de Manaus, mas sofre com a falta de educação e de consciência ambiental de muitos cidadãos. A orla da praia se tornou lugar de acúmulo de lixo, com garrafas PET e de vidro, embalagens de alimentos e até sacos cheios de outros dejetos, espalhados pela areia e em meio aos populares.

A lotação da praia pós-quarentena também impressiona. Nos finais de semana a quantidade de banhistas aumenta consideravelmente, fazendo com que se aglomerem em busca de um espaço, não respeitando as medidas de proteção contra o coronavírus. Em visita ao local, a equipe do EM TEMPO registrou banhistas em meio à grande quantidade de lixo espalhada pela praia. No mesmo horário, uma caminhonete da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) passava com garis recolhendo o lixo em sacos, com uma grande quantidade.

O gari Arnaldo Silva, 43, trabalha há cinco anos na profissão e fala que é necessário que as pessoas tenham consciência para recolher o próprio lixo e jogá-lo na lixeira. Ele explica que a limpeza na praia e em todo o complexo ocorre em três turnos e, logo depois da primeira limpeza pela manhã, a praia já fica suja.

Lixo na Praia da Ponta Negra
Lixo na Praia da Ponta Negra | Foto: Lucas Silva

“Às vezes a gente dá um saco para pessoa colocar o lixo, mas a pessoa pega o lixo e joga tudo no chão, na areia mesmo. É questão de saúde da pessoa mesmo. O pessoal não tem consciência. A gente faz de tudo para limpar, mas as pessoas não querem saber, não estão nem aí. Depois dizem que a culpa é nossa”, relatou o gari.

Há ainda os banhistas que se sentem prejudicados pela falta de responsabilidade social e ambiental alheia, como a vendedora Edna da Silva, 38, que levou os filhos à praia em um de seus dias de folga. Ela conta que além de se incomodar com o lixo, sente que é um perigo para as crianças que brincam no lugar.

Lotação também impressiona na Praia da Ponta Negra
Lotação também impressiona na Praia da Ponta Negra | Foto: Lucas Silva

"Com certeza falta conscientização na população. A gente traz crianças e muitas pessoas consomem bebidas alcoólicas e deixam as garrafas de vidro jogadas na areia, aí quebra e os cacos podem cortar os pés das crianças ou até quando vão brincar na areia, cavando. Não adianta dar um saco de lixo se essas pessoas não tem o hábito de fazer a limpeza, eu sempre trago um saco ou se não tiver peço das pessoas que fazem a limpeza, mas só uma andorinha não faz verão", relata a mulher.

A área de menor movimentação da praia também parece ser preferência para os que realizam o descarte inadequado do lixo. No limite próximo ao Tropical Hotel, foi encontrado um buraco não muito profundo com alguns tipos de dejetos. Próximo a este ponto, a vendedora ambulante Doguilane de Souza, 28, também relata sua indignação.

A área de menor movimentação da praia também parece ser preferência para os que realizam o descarte inadequado do lixo
A área de menor movimentação da praia também parece ser preferência para os que realizam o descarte inadequado do lixo | Foto: Lucas Silva

"Não sei se falta mais ação por parte da Prefeitura, mas do jeito que está parece um descaso. A pessoa acaba tendo que ficar junto com o lixo, não tem para onde correr e como tem muito lixo a gente fica desconfortável. Eu tive que limpar o lugar onde eu queria ficar se não, não teria como aproveitar. Minha filha foi brincar aqui agora e achou uns pedaços de garrafa quebrada, tempo de cortar ela", conta a banhista.

O descarte incorreto de lixo no lugar levanta uma questão social: o que falta para a população se conscientizar? A Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) dispõe lixeiras pela praia e por todo o complexo da Ponta Negra, além de disponibilizar a atuação de garis que recolhem o lixo em, pelo menos, em três turnos. Além de todas as modalidades de limpeza pública, ainda desenvolve ações de conscientização e educação ambiental porta a porta, também contando com o trabalho diário do grupo Garis da Alegria para levar informação à população. 

Na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), o trabalho de educação ambiental é desenvolvido por meio das oficinas de reaproveitamento de resíduos, que é um importante aliado no incentivo à comunidade a fazer a separação de lixo. Toda esta força-tarefa tem como objetivo ajudar na multiplicação de novos valores e novos hábitos entre os manauaras.

Leia mais

Novo lixo da pandemia: máscaras são descartadas em ruas de Manaus

Balsa com R$ 500 mil em areia ilegal é apreendida no Amazonas

Amazonas terá frente fria, mas Manaus continua no calor, afirma Sipam