Atlas da Violência 2020


AM é o 13º no Brasil com maior índice de jovens assassinados

Em 2018, foram 859 jovens - de 15 a 29 anos - mortos no Amazonas

 

Maioria dos homicídios estão relacionados ao mundo do crime
Maioria dos homicídios estão relacionados ao mundo do crime | Foto: Reprodução

Manaus - O Amazonas ocupa a 13ª posição entre os estados que mais mataram jovens por 100 mil habitantes no ano de 2018, segundo dados do relatório "Atlas da Violência - 2020", elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No estado, a taxa de homicídios de jovens é de 72,3. 

O relatório aponta que ao todo, no Brasil, 30.873 jovens foram vítimas de homicídios no ano de 2018 - o que significa uma taxa de 60,4 homicídios a cada 100 mil jovens. O número representa 53,3% do total de homicídios do país.

Em 2018, no Amazonas, 859 jovens foram mortos. Contudo, ainda que a morte violenta de jovens continue representando um grave problema, os números de 2018 indicam um cenário melhor em comparação ao ano anterior. Houve diminuição de 13,6% na taxa e de 13,7% nos números absolutos. 

O decréscimo nos homicídios de jovens no Amazonas acompanha a melhora nos índices gerais de homicídios no país ocorrida nesse período, tendo em vista que - entre 2017 e 2018 -  houve uma queda de 12% na taxa geral de homicídios por 100 mil habitantes. 

Esses dados são gerados por meio do número de homicídios no Estado que são óbitos causados por agressão mais intervenção legal. Não se levaram em conta os óbitos cujo o sexo da vítima era ignorado.

Homens x mulheres 

Jovens do sexo masculino são os que mais morrem no Amazonas
Jovens do sexo masculino são os que mais morrem no Amazonas | Foto: Arquivo Em Tempo

Homicídios foram a principal causa dos óbitos da juventude masculina no Amazonas, responsável pela parcela de 55,6% das mortes de jovens entre 15 e 19 anos; de 52,3% daqueles entre 20 e 24 anos; e de 43,7% dos que estão entre 25 e 29 anos. 

Em 2018, 795 jovens do sexo masculino foram mortos no estado. A taxa elaborada pelo Ipea contabiliza jovens de 15 a 29 anos. 

Para as mulheres nessa mesma faixa etária, a proporção de óbitos ocorridos por homicídios é consideravelmente menor: de 16,2% entre aquelas que estão entre 15 e 19 anos; de 14% daquelas entre 20 e 24 anos; e de 11,7% entre as jovens de 25 e 29 anos.

Taxas no Brasil

O estado líder em casos de homicídios de jovens é Roraima, com a taxa de 142,5; na sequência vem o Rio Grande do Norte, com 119,3; o Ceará fica em terceiro, com 118,4; já o Amapá contabiliza 115,7; em seguida está a Bahia, com 110,7; Sergipe conta com 108,2; Pará com 103,2; e o Acre com 98,2.

Em seguida estão os estados do Rio de Janeiro (96,5), Alagoas (95,6), Pernambuco (95,4), Goiás (82,0) e o Amazonas (72,3). As menores taxas foram contabilizadas no Distrito Federal (32,8), Minas Gerais (32,6), Santa Catarina (22,6) e São Paulo (13,8).

Caminho para o cemitério 

Nesta semana, desde a segunda-feira (24), uma grande incidência de jovens executados dão alusão ao relatório do Ipea e, caso o Amazonas continue contabilizando mais homicídios, subirá no ranking nacional. Grande parte das mortes está relacionada diretamente a acertos de contas, ganho de território de facções criminosas e queimas de arquivo. 

Entre os casos está o de um jovem, que foi morto na frente de um bar no bairro Compensa 2; outro envolveu 'Caboré', que já estava jurado de morte por uma facção e foi executado na casa da avó, também no bairro Compensa. 

Na mesma semana, um jovem de 26 anos foi executado na frente de casa e um outro, de 23, foi "pego de surpresa" em um local que é considerado área vermelha. A maioria das vítimas tinham a idade entre 15 a 29 anos, a mesma faixa etária considerada pelo relatório. 

Cachina de jovens 

Jovens foram mortos em 2019
Jovens foram mortos em 2019 | Foto: Reprodução

Em 2019, uma suposta disputa por território do tráfico de drogas resultou no assassinato de quatro jovens da mesma família. As vítimas da chacina foram executadas na casa onde moravam, localizada na Rua Ibitita, bairro Nova Cidade, na Zona Norte.

As vítimas foram os irmãos Edmundo de Jesus Roque, de 23 anos, conhecido como “Bill” - que seria o alvo dos assassinos - e Poliana de Jesus Roque, de 17. Além dos irmãos, também morreram os primos deles, o estudante Luiz Carlos Roque de Souza, 19, e Maria Isadora de Jesus Roque, 14, que também eram irmãos. 

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