Dependentes químicos


Atendimentos a usuários de drogas em crise aumentam durante pandemia

Álcool e cocaína são as principais substâncias que causam dependência química nos usuários que procuram ajuda para se livrar do vício

“Por dia, atendemos 8 pessoas em sofrimento intenso por conta das drogas. Às vezes, precisamos de 3 ou 4 técnicos para conseguir controlar”, explica a responsável do Caps
“Por dia, atendemos 8 pessoas em sofrimento intenso por conta das drogas. Às vezes, precisamos de 3 ou 4 técnicos para conseguir controlar”, explica a responsável do Caps | Foto: Lucas Silva

Manaus – O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Manaus,  atende uma média de 50 a 80 pessoas por dia, relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas. Por mês, 850 pessoas são atendidas individualmente. Até a publicação desta reportagem, 1.800 casos estavam em acompanhamento profissional. No ano passado, o órgão contabilizou 6.526 registros de atendimento. Dentre os casos, 32% correspondem a dependentes de álcool, 42% no consumo de drogas, entre elas, a cocaína é uma das principais. Em média, para todos os tipos de atendimentos, 44% dessas pessoas têm entre 18 e 29 anos, com 87% do público masculino.

Apesar do atendimento não ter parado durante a pandemia, houve uma queda no mês de abril e maio, porém, os números aumentaram de junho até agora. “Acredito que muitas pessoas acharam que o órgão não estava funcionando, por isso, teve essa queda. Mas os números de atendimentos com pacientes em crises graves aumentaram muito de junho até o final de agosto. Diariamente temos ajudado pessoas com crises no espaço do CAPS”, destaca a diretora do Caps III, Maria Antonieta Dias..

Fuga da angústia

Para a diretora, a pandemia contribuiu com esse aumento no número da procura por ajuda no órgão. “Cada sujeito lida com a crise de uma forma diferente. A pessoa que já fazia uso de alguma substância química antes da pandemia apenas intensificou, diante da crise social e financeira que estamos vivendo. O dependente volta a recorrer às drogas. Algumas pessoas são compulsivas com a alimentação, outras por compras. Algumas pessoas são compulsivas com o uso de álcool e outras drogas. Eu tenho visto pessoas mais violentas, estressadas, com problemas financeiros e familiares. Tudo isso corrobora com esse crescimento”, exprimi Maria Antonieta, que também é terapeuta ocupacional, e diz que só existe uma unidade em Manaus para atender toda a cidade.

Pensamento semelhante tem o terapeuta sistêmico e diretor do Instituto CAIFCOM, Luciano Medeiros. Ele explica  porquê as pessoas procuram nas drogas, ou em remédios, alívios para a dor emocional ou para situações que não conseguem resolver.

“Algumas pessoas que, ao lidar com situações de estresse, ansiedade, sofrimento emocional e ameaça em lidar com o desconhecido, buscam nas drogas anestesiar tais circunstâncias. Nesse período, é comum as pessoas buscarem no álcool e na maconha, a sedação para enfrentar as crises instaladas devido a pandemia. Como não sabemos quando tudo isso vai acabar, a droga acaba sendo um “aliado” para acalmar o sofrimento psíquico”, contextualiza.

Alívio em novos hábitos

Com o impacto emocional e financeiro da pandemia, Medeiros mostra que esse momento deve ser aproveitado com o início de novos hábitos, como a prática de um exercício físico, uma reaproximação com a religiosidade, a busca de novos conhecimentos e a realização de atividades que geram prazer, evitando o uso de medicamentos para lidar melhor com a ansiedade. “Todas essas possibilidades podem fazer com que a pessoa não busque aliviar suas tensões com medicações”, analisa.

Tratamento para dependentes químicos

Manaus 03.09.2020. CAPS. Foto: Lucas Silva
Manaus 03.09.2020. CAPS. Foto: Lucas Silva | Foto: Lucas Silva

Segundo a responsável pelo Caps em Manaus, existe um tipo de tratamento para cada dependente. “Quando o dependente químico chega ao CAPS, é acolhido por um técnico e destinado ao tratamento específico. O indivíduo recebe um tratamento único, pois cada pessoa tem a sua particularidade. O atendimento é gratuito pelo SUS e, qualquer pessoa que precisa de ajuda, pode procurar o Caps”, explica Maria Antonieta.

Apreensões de entorpecentes

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), de janeiro a julho deste ano, 4,5 toneladas de drogas foram apreendidas no Amazonas. Em relação a esse mesmo período do ano passado, 4,2 toneladas foram confiscadas. No total de 2019, de janeiro a dezembro, 6,3 toneladas foram recolhidas no Estado.

O tráfico de drogas cresce a cada ano tanto para quem quer ganhar dinheiro rápido como para quem quer alimentar um vício. Com a quarenta, que gerou maiores quadros de ansiedade, depressão e estresse, o número de atendimentos também aumentou, segundo a diretora do Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas III (CAPS), Maria Antonieta Dias.


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