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Conheça o Palácio da Justiça e o Museu do Crime em Manaus

Prédio é um importante monumento histórico de Manaus, construído ainda no governo de Eduardo Ribeiro

Conheça mais o Palácio da Justiça e o Museu do Crime em Manaus na série especial do Amazonpedia da Web TV EM TEMPO | Foto: MICHAEL DANTAS/SEC

Manaus - Inaugurado em 1900 com detalhes da mistura de arquiteturas neoclássica e renascentista, o Palácio da Justiça abrigou a elite do poder judiciário do Amazonas do século 19 até 2006. O monumento centenário está localizado em uma área privilegiada de Manaus, atrás do Teatro Amazonas, na Avenida Eduardo Ribeiro, no bairro Centro, Zona Sul da capital amazonense. Conheça mais o Palácio da Justiça e o Museu do Crime em Manaus na série especial do Amazonpedia da Web TV EM TEMPO.

Em 3 de outubro de 1980, o Palácio foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde 2006 está aberto para visitação, com oito salas que apresentam desde apresentações musicais até exposições artísticas como a Aquarelando Manaus, de Sebastiaan Klink, artista holandês radicado em Manaus há 15 anos. 

"Sem dúvida que a maior atração de Manaus ainda é a floresta. Eu cheguei aqui na cidade e vi todos esses prédios antigos lindos, tantos detalhes e comecei a retratar alguns desses prédios, os detalhes arquitetônicos. Eu gosto muito da parte urbana, nas minhas aquarelas eu estou retratando a cidade, os prédios históricos, as praças. O Palácio da Justiça é lindo, mas o que me chamou atenção foi o chão de madeira. O piso de madeira com tábuas escuras e claras, amarelas", contou o artista.

O Palácio foi construído para ser uma estrutura imponente, como outras obras da mesma época. Teve sua obra iniciada em 1894, ainda na gestão do governador Eduardo Ribeiro. Na época, foram feitas a estrutura do edifício, os dois pisos de alvenaria e a armação do telhado, mas, a partir daí, a obra sofreu uma paralisação e o projeto oficial sofreu alterações para redução de despesas. Com a demora da conclusão das obras, o prédio se deteriorou e a cobertura teve que ser completamente reconstruída, pois não tinha inclinação adequada para comportar as novas telhas, vindas de Marselha, na França.

O Tribunal do Júri é um dos pontos de visitação do Palácio
O Tribunal do Júri é um dos pontos de visitação do Palácio | Foto: Michael Dantas

"O Palácio da Justiça, se comparado ao Teatro [Amazonas], foi muito ágil o período de construção. Era um palácio sonhado há muito tempo, desde a época da Província, mas não havia condições financeiras e integra o plano de embelezamento que foi implantado por Eduardo Ribeiro. Era uma opção por essa área como uma nova área administrativa e de lazer. Sempre foi um espaço, do meu ponto de vista, extremamente cenográfico, disputa direto com o Teatro", relata o historiador Otoni Mesquita.

Ele explica que o cenário é teatral, com muitas máscaras e outros elementos que remetem a uma encenação teatral, além da alegoria da justiça, representada por uma figura feminina, que não é vedada, segurando uma balança em seus joelhos, que pende para o lado direito, diferente da representação usual. Os portões do palácio são de ferro fundido e foram importados de Glasgow, na Escócia. A calçada e as escadarias são revestidas com pedras de lioz, vindos de Lisboa, em Portugal. 

A mobília é centenária, com madeira de mogno. O local é composto por diversos detalhes, como o relógio datado ainda da década de 90, com estrutura de maquinário suíço e jacarandá baiano. Móveis mais modernos também compõem o mobiliário, usados pelos integrantes do poder judiciário. Estão abertos para visitação a Sala de Becas, o Gabinete de Leitura, a Galeria de Ex-presidentes e Desembargadores, o Tribunal do Júri, o Tribunal do Pleno e a sala do presidente desembargador. 

Museu do Crime

O que mais chama a atenção do público no local é o Museu do Crime, uma mistura de surpresa, medo e conhecimento sobre a atuação do poder judiciário no Amazonas. Nela, é possível aprender sobre jargões jurídicos e a história de crimes que tiveram repercussão nacional e internacional. O caso Delmo, ocorrido ainda na década de 50, é o mais famoso de Manaus. Delmo foi torturado e assassinado por um grupo de cerca de 60 choferes revoltados, após ele confessar que havia roubado a serraria do pai, agredir o vigia e matar o chofer.

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