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Descubra o segredo das ruas históricas do Centro de Manaus

A cidade, que nasceu de frente para o rio, possui diversas histórias para cada uma de suas principais avenidas. Confira na série especial do Amazonpedia da WEB TV EM TEMPO!

Uma das principais vias do Centro de Manaus é a avenida Eduardo Ribeiro | Foto: Lucas Silva

Manaus - Uma das principais vias do Centro de Manaus, a avenida Eduardo Ribeiro, foi construída em cima do Igarapé do Espírito Santo, que foi aterrado. É uma avenida curta, de pouco mais de 1 quilômetro, e está localizada entre as praças 15 de Novembro, popularmente conhecida como Praça da Matriz, e a Antônio Bittencourt, conhecida como Praça do Congresso. Conheça mais sobre as ruas históricas do Centro de Manaus na série especial do programa Amazonpedia, da WebTV Em TempoAcompanhe!

A avenida recebeu esse nome em homenagem ao antigo governador do Amazonas, Eduardo Gonçalves Ribeiro, que esteve no governo por dois mandatos, entre 1891 e 1896. Foi durante este período que muitas obras foram iniciadas ou finalizadas, como o Teatro Amazonas, o Reservatório do Mocó, a ponte de ferro da Avenida Sete de Setembro e o Palácio da Justiça. 

A avenida Eduardo Ribeiro recebeu esse nome em homenagem ao antigo governador do Amazonas, Eduardo Gonçalves Ribeiro
A avenida Eduardo Ribeiro recebeu esse nome em homenagem ao antigo governador do Amazonas, Eduardo Gonçalves Ribeiro | Foto: Divulgação

No final do século 19 e início do século 20, Manaus foi completamente remodelada, recebendo prédios de arquitetura eclética, jardins públicos e monumentos históricos inspirados nos padrões estéticos europeus. A construção da via foi uma das principais intervenções urbanas da época, pois ligava o Porto da cidade às outras ruas da região. A construção foi finalizada apenas em 1902.

"João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, para poder se situar, sentir em que chão ele estava pisando, desenhou a primeira planta [da Avenida], em 1852. Essa planta vem sendo muito difundida e, o que se deve observar ao pegá-la, é uma anotação que tem na sua margem, quando foi atualizada em 1897. Nós já vamos encontrar ali o núcleo inicial de formação desta cidade mais ou menos definido, ruas muito bem traçadas. Você verifica naquela planta que as ruas ou nasciam nos rios, ou nos igarapés. Manaus tinha uma convivência fantástica com a natureza naquela época", explicou a historiadora Etelvina Garcia.

Planta do centro da cidade, desenhada por Tenreiro Aranha
Planta do centro da cidade, desenhada por Tenreiro Aranha | Foto: Reprodução

Com o passar do tempo, a via sofreu diversas transformações, como o asfaltamento. Entre 2015 e 2016, passou por um processo de restauração, que visava recuperar a primeira aparência da via na época da Belle Époque, e o asfalto deu lugar ao piso de paralelepípedos.

"Tínhamos inclusive um código de postura, que acho que é de 1868, que estabelecia que era proibido cortar árvores com um metro de altura para cima. E mais, era proibido lavar cavalos nos igarapés de onde se tiravam água para lavar roupa, para beber. As pessoas que infringiam os códigos de postura municipais eram obrigadas a pagar multa e, se não tivessem dinheiro para pagar, iam para a cadeia. Essas multas e os dias de cadeia iam crescendo de acordo com a gravidade do delito cometido", contou a historiadora.

O ato considerado de maior gravidade era roubar as pedras das encostas da cidade, que gerava a maior multa e ainda tinha que devolver todas as pedras aos lugares. A Avenida Sete de Setembro, uma das vias com acesso disponibilizado pela Eduardo Ribeiro, interliga-se com a Avenida Getúlio Vargas e abriga uma das principais escolas da cidade, o centenário Colégio Estadual Dom Pedro II, localizado em frente à Praça da Polícia. No local, diversas gerações de amazonenses se formaram e, muitos deles, se tornaram personalidades influentes da vida política, econômica e cultural do estado.

Teatro Amazonas antes do término de suas construções
Teatro Amazonas antes do término de suas construções | Foto: Reprodução

Avenida Getúlio Vargas

Nesta via também era localizado um igarapé que, após ser aterrado, deu lugar a uma espécie de pântano. Em 1930, com a chegada do saneamento na região, iniciou-se a construção da via, que se converge com a Avenida Boulevard Álvaro Maia. Ela é toda arborizada, para tentar minimizar o calor. 

"Manaus não nasceu de costas para o rio. É um milagre do rio e da floresta, nós nascemos em contato com a natureza. Então, se vê, por exemplo, uma avenida que se tornou muito nobre pelas suas edificações, a Joaquim Nabuco. Já em 1901, ali nas terras do Mocó, a criação do bairro Adrianópolis, toda traçada, bonitinha. A cidade então foi crescendo para o Norte, várias áreas foram sendo ocupadas. Houve uma sequência de aterramentos de igarapés, não apenas de pequenos como de igarapés grandes. Manaus nasceu de frente para o rio e ainda há jeito de fazê-la retornar às suas origens", relata a historiadora.

Rua 10 de Julho

É uma das vias mais novas que compõem o acesso ao Centro Histórico da cidade. Já foi chamada de Rua do Progresso, mas ganhou o nome de 10 de julho pelo marco da abolição da escravatura no Amazonas, decretada pelo presidente da província, Theodureto Carlos de Faria Souto, em 1884, antes do projeto nacional da Lei Áurea, assinada em 1888. 

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