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    Setembro verde


    Advogada cria projeto de inclusão social para PCDs em Manaus

    Após acidente que a deixou tetraplégica, Nancy Segadilha sentiu as dificuldades que uma pessoa com deficiência sofre e resolveu agir para mudar esse cenário

    Em Manaus, a advogada e ativista da causa, Nancy Segadilha, mostra sua força ao idealizar o projeto Mariposa | Foto: Divulgação

    Manaus - A inclusão social às pessoas com deficiência ainda é um assunto pouco discutido no Brasil. Além do preconceito social, a falta de acessibilidade em locais públicos e privados, voz em discussões e decisões são problemas recorrentes. Apesar disso, a luta por espaço tem ganhado força nos últimos tempos, principalmente durante o mês de setembro, quando ocorre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, no dia 21.

    Cerca de 45.606.048 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, no Brasil, o equivalente a 23,9% da população geral, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Manaus, a advogada e ativista da causa, Nancy Segadilha, mostra sua força ao idealizar o projeto Mariposa, um portal focado na valorização de espaços acessível e na construção de pontes entre empresários e consumidores PcDs.

    Aos 21 anos, Nancy sofreu um acidente após uma manobra em alta velocidade no carro que estava e fraturou as vértebras C5 e C6, que resultou na paralisação de todo seu corpo. Nos meses seguintes, ela lutou pela vida e se deparou com as inúmeras barreiras que uma Pessoa com Deficiência enfrenta no Brasil.

    A advogada e ativista da causa, Nancy Segadilha, mostra sua força durante o Setembro Verde, mês dedicado às pautas de inclusão social
    A advogada e ativista da causa, Nancy Segadilha, mostra sua força durante o Setembro Verde, mês dedicado às pautas de inclusão social | Foto: Divulgação

    "Há 14 anos, quando ocorreu o acidente, eu me dedicava aos últimos dois meses no curso de direito e já comemorava as novas oportunidades profissionais que surgiriam, mas todos esses sonhos precisaram ser paralisados. Eu retornei após alguns anos para concluir minha formação jurídica e realizei o Exame da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] em avaliação oral. Levei comigo todas as experiências ruins que enfrentei após o acidente e, junto com meus conhecimentos jurídicos, resolvi usar a minha história de vida para conscientizar a sociedade da importância de cada um de nós na construção de um ambiente inclusivo e plural", afirma a advogada.

    Importância da causa

    Para atrair os holofotes para a causa, Nancy decidiu saltar de paraquedas em julho de 2019, se tornando a primeira tetraplégica a realizar tal feito no Brasil e, a repercussão foi tão grande que a levou à lugares de destaque e evidência, influenciando positivamente para que a mensagem da campanha “Inclusão Dever de Todos” chegasse à toda população. 

    "Quero viver e deixar marcas positivas nas pessoas para que posso estender a mão, além de ajudar a exercer os direitos de quem precisa. Atuo como ativista, diretamente, para fazer valer os direitos das pessoas com deficiência. As dificuldades me fortaleceram e reforçaram minha vontade de viver" afirma Nancy.

    Pelo reconhecimento ao intenso trabalho em defesa das Pessoas com Deficiência, a advogada já recebeu grandes honrarias, mostrando que seu trabalho é efetivo e atuante. Uma delas é a medalha da ordem do mérito acadêmico, da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esman), e o primeiro prêmio de Direitos Humanos da Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), além de outros. 

    A advogada foi a primeira tetraplégica a realizar um salto de paraquedas no Brasil
    A advogada foi a primeira tetraplégica a realizar um salto de paraquedas no Brasil | Foto: Divulgação

    Projeto Mariposa

    O Projeto Mariposa é um portal com foco na valorização de espaços acessíveis e na construção de pontes entre consumidores e empresários, que podem se cadastrar no site e se tornar exemplos de locais que apoiam a inclusão, como shoppings, praças de alimentação e até empresas de modo geral. De acordo com a advogada, o projeto nasceu a partir do desejo de impactar de forma positiva a vida de Pessoas com Deficiência, seus familiares e rede de apoio.

    "No Projeto Mariposa o empresário pode realizar um cadastro, onde ele inscreve seu estabelecimento no site e disponibiliza as informações e as necessidades para Pessoas com Deficiência que o local supre. Ele informa quais critérios atende, o que permite ao cliente em potencial identificar se o local possui os itens necessários para lhe atender. Feito isso, um perfil da empresa será criado e ficará à disposição dos usuários, que podem logar com e-mail ou conta do Facebook e, além de verificar o que o estabelecimento já oferece, sugerir melhorias, fazer elogios e relatar experiências", explica Nancy.

    A plataforma disponibiliza comentários, fotos, avaliações de um a cinco representadas por estrelas, que ficam expostas no perfil do estabelecimento. O Mariposa é um projeto experimental, com o intuito que as pessoas possam contribuir com ele e, assim, resultar em melhorias para todos. Ele é formado por uma equipe de voluntários que trabalham no desenvolvimento e melhoria da plataforma, todos engajados na construção de uma sociedade plural. O site está disponível desde julho deste ano, para cadastro das empresas.

    “O Projeto Mariposa é a realização de um sonho em busca da efetiva inclusão, que compartilho com todas as Pessoas com Deficiência nessa construção de uma plataforma digital. Hoje podemos ser apenas um sussurro na sociedade, mas iremos ecoar porque a acessibilidade é um direito nosso e juntos vamos voar” finaliza a advogada.

    Nancy tem 36 anos e há 14 conhece pessoalmente as dificuldades de uma pessoa com deficiência
    Nancy tem 36 anos e há 14 conhece pessoalmente as dificuldades de uma pessoa com deficiência | Foto: Divulgação

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