Coronavírus


No AM, sobem casos da Covid-19 em terras indígenas

Amazonas registra 182 mortes, equivalente a 21,7% das mortes no Brasil

O distrito de Parintins registra o total cinco óbitos e 47 casos descartados e nove casos ativos | Foto: Divulgação

Manaus - Os casos confirmados do novo coronavírus cresce entre os indígenas do Amazonas. De acordo com dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação Indígenas da Amazônia (Coiab), 182 mortes de indígenas no Amazonas já foram confirmadas, representando 21,7% das mortes de indígenas no país,  o que contabiliza 836 óbitos. 

A pesquisa ainda informa que foram identificadas transmissões e óbitos em 158 dos 305 povos que vivem no país. Outro dado do Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) comprova que o número de casos cresceu em comunidades indígenas.

Apesar de terem sido registrados no Distrito Sanitário Indígena de Parintins (Dsei) -  Parintins, 100 novos casos do vírus foram contabilizadas em aldeias indígenas no Amazonas, a região permanece sendo o local com menos casos no Brasil.

De 108 casos registrados, 94 já estão como recuperados, sendo totalizados até o momento 05 óbitos. Para a coordenação do Dsei, o crescimento da doença nas localidades ocorreu devido aos casos recorrentes do rio Andirá, em aldeias da etnia Sateré-Mawé.  

Para Tito Menezes, advogado indígena e líder na região, após a retirada da barreira sanitária em prevenção à pandemia na região, a condição de saúde piorou para os indígenas e os números da doença aumentaram.

“A situação está crítica, pois temos notícias de indígenas com Covid-19 nos polos base das aldeias do Rio Andirá, no Município de Barreirinha/AM. Há mais de 120 dias o Dsei Parintins retirou a barreira sanitária no combate à Covid-19 no acesso fluvial do Rio Andirá. As lideranças indígenas repudiaram a omissão do Dsei. Hoje o tuxaua (cacique) geral do Rio Andirá Amado Menezes, que assinou a nota de repúdio, está internado em Parintins” comentou.

Segundo o coordenador do Dsei/Parintins, José Augusto ‘Nenga’, O Comitê de Combate à Covid-19 da instituição, por meio das equipes de saúde, tem intensificado os trabalhos dentro das aldeias abrangentes pelo distrito, para evitar que esse número continue aumentando.

“Esse aumento de casos já era esperado devido a flexibilização das medidas restritivas nas sedes dos municípios e isso alcança as áreas indígenas. Com isso, o Dsei se preparou organizando suas equipes nos cinco polos de atendimento e criamos mais um para atender essa demanda. Somente no rio Andirá existem três equipes realizando esse trabalho de combate à Covid-19”, explicou o coordenador.

Em julho foi confirmado o primeiro caso da doença na área indígena da etnia. Estratégia foram aplicadas para a diminuição de contágio, como a utilização de máscaras e distanciamento social. Além disso, houve a retirada da barreira fluvial sanitária da região, no rio Andirá, líderes do povo Saterè – Mawé expressaram preocupação e em defesa da medida repudiaram o ato.

Indígenas e o meda 

Em 2020, com a nova doença que já matou mais de 18 mil pelo mundo, a Covid-19, indígenas de diferentes etnias e espaços (urbanos e do interior) demonstram medo de verem mais uma pandemia dizimar os seus.

O artigo 'O impacto da colonização e imigração no Brasil', de Carina Santos de Almeida e Ana Lúcia Vulfe, ambas historiadoras, explica como as doenças foram responsáveis por baixas demográficas que extinguiram aldeias inteiras.

Segundo as pesquisadoras, as doenças infecciosas impactaram a saúde dos ameríndios porque não havia imunidade nos indígenas para as doenças importadas da Europa. No artigo, elas citam Von Martius, autor do livro 'Doenças, Medicina e Remédios dos Índios Brasileiros'.

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