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Crueldade nas fábricas de filhotes: descubra de onde veio o seu cão

Para aumentarem seus lucros, criadores de cães submetem matrizes a maus-tratos e comprometem a saúde dos filhotes, vendidos pela internet e em pet shops

Ao adotar/comprar animal de criadores responsáveis pode-se exigir o certificado de pedigree, onde informa sobre castração e vacinação
Ao adotar/comprar animal de criadores responsáveis pode-se exigir o certificado de pedigree, onde informa sobre castração e vacinação | Foto: Jefferson Coppola/VEJA

Manaus - A exposição de animais em ambientes inapropriados estimula um comércio que se tornou popular nos últimos anos pela expressão “fábrica de filhotes” ou puppy mills. Animais considerados domésticos e de raça, como shih tzu, pug e yorkshire estão entre os que apresentam diversos problemas cognitivos em razão de cruzamentos realizados inadequadamente com interferência humana.

As fábricas de filhotes surgiram após a Segunda Guerra Mundial, em detrimento de uma crescente demanda por cães, com o objetivo de atender a procura, grupos de pessoas criavam instalações para obter lucro com a venda inapropriada desses animais.

Em locais como esse, os animais são colocados em gaiolas e não chegam a receber alimentação e cuidados veterinários adequados, as fêmeas são colocadas em posição de procriação e exaustão para atenderem as demandas, podendo ser vendidas, doadas ou abandonadas.

Apesar de denúncias e preocupações de ONGS, casos de animais que sofrem maus-tratos ainda são constantes. Na última segunda-feira em Osasco – SP, uma denúncia de maus-tratos a animais resultou na apreensão de 43 animais. Segundo a polícia, os animais estavam em condições precárias de higiene.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil cerca de 29 milhões de domicílios e 11 milhões com gatos. No ano de 2015, agentes da fiscalização em ao menos cinco estados resgataram animais em situação de maus-tratos, entre eles – Bahia, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Para Gian Carlos, adestrador comportamental, a demanda por animais de raça na maior parte das situações ocorre pela falta de conhecimento sobre procedimentos a serem tomados.

“Geralmente não querem animais com raças indefinidas por não saberem a procedência, e tem em mente que ao adquirir um cão é só dar amor, atenção e carinho, mas devido ao cruzamento inapropriado existem desvios genéticos que podem deixar o cão mais agressivo, medrosos e que podem precisar de acompanhamento profissional. O governo deveria olhar mais pelos cães de rua. A maior fábrica de filhotes está dentro da periferia, pessoas que criam dentro de casa cães escondidos, anunciando em aplicativos como animais puros e enganando pessoas que posteriormente acabam abandonando. Deveria ter uma regularização de castração de animais de rua, um cadastro”, comenta.

Criadores Responsáveis

Durante anos o mercado pet vem crescendo devido a demanda por animais de raças mais puras, conforme foram surgindo padrões para a criação, as características de criações foram alteradas de acordo com o ideal.

Ao contrário de criadores comerciais que buscam lucro com a venda de animais, os criadores responsáveis estudam padrões da história da raça, avaliando qualidades e defeitos, problemas de acordo com o criador e podem resultar em uma qualidade de um filhote equilibrado. Além disso, ao adotar/comprar animal de criadores responsáveis pode-se exigir o certificado de pedigree, em que é informado sobre castração, vacinação e vermifugação, com documentação em carteira de saúde

Ainda para o adestrador comportamental, o cuidado entre o comprador e profissional não se restringem apenas ao tratamento no dia a dia.

“Criadores responsáveis são pessoas protetoras, que prezam pelo bem-estar do animal. Não vendem para qualquer pessoa, procuram saber quem é a pessoa que quer adquirir um animal, a escolha da raça, quem está comprando", afirma Carlos.

Entre os tipos de criadores estão os artesanais, pessoas com poucos cães, sejam de origem nacional ou importados, que criam como lazer ninhadas, com a finalidade de produzir um descendente de melhor qualidade.

Outro tipo são os criadores profissionais, que possuem conhecimento de anos e prática sobre o tratamento de reprodução, se dedicam apenas a uma raça, conseguindo planejar acasalamentos e geralmente eliminando desvios de padrão.

2020

Desde 2008 cerca de catorze estados aprovaram leis que exigem a licença para criação e fiscalização para coibir maus-tratos. No Brasil, foi sancionada na última semana de setembro pelo presidente Jair Bolsonaro a lei que aumenta a punição para maus-tratos de animais, prevendo pena de reclusão de dois a cinco anos para quem praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais.  

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