Operação Sangria


Interpol identificou que verba da saúde do AM foi enviada ao exterior

PF identificou que integrantes do grupo criminoso, investigados pela Polícia Federal na operação Sangria, enviaram o dinheiro recebido pelo Governo do Estado para uma empresa de fachada no exterior

O Delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Henrique Albergaria
O Delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Henrique Albergaria | Foto: Daniel Landazuri

Manaus - Como forma de ocultar os lucros da fraude de desvio de verbas públicas destinadas à saúde do Amazonas para o combate da pandemia do novo coronavírus, integrantes do grupo criminoso, investigados pela Polícia Federal na operação Sangria, enviaram o dinheiro recebido pelo Governo do Estado para uma empresa no exterior. O fato foi descoberto após uma cooperação entre os agentes brasileiros e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). 

“Foram identificados indícios de que a empresa é de fato de fachada, na medida em que o endereço é residencial”, explicou o Delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Henrique Albergaria. O valor arrematado e o país não foram divulgados. 

O delegado explicou, ainda, que a segunda fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (8), é um desdobramento da análise do material apreendido na primeira fase. O superintendente ressaltou que ao longo das investigações foi constatado que o vice-governador Carlos Almeida tinha grande ingerência e influência nos atos praticados na Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam). 

Albergaria pontuou que o esquema fraudulento funcionava por intermédio de uma triangulação. "Todo o processo foi montado em cima da proposta apresentada para a aquisição dos respiradores. Muito embora os respiradores não tivessem especificações técnicas requeridas no certame, o procedimento foi montado para viabilizar e legalizar a contratação da empresa", disse. 

Com o lucro obtido de maneira fraudulenta na compra dos ventiladores pulmonares, integrantes do grupo criminoso estariam se mobilizando para negociarem novos contratos superfaturados com o Governo.

"Um sócio oculto investiu na aquisição de aproximadamente 10 mil testes rápidos para Covid-19, com a finalidade de revender para o Estado e aumentar o proveito da vantagem obtida de maneira ilícita. E também foi constatado a participação de um empresário apontado como articulador, o verdadeiro elo entre a cúpula do governo com a empresa contratada”, disse o delegado da PF-AM. 

Prisões 

O empresário e médico Luiz Carlos Avelino Junior, marido da ex-secretária de Comunicação do Amazonas, Daniela Assayag; o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias; a ex-subsecretária de Atenção Básica à Saúde, Dayana Priscila Mejia de Souza; o engenheiro clínico Ronald Gonçalo de Caldas Santos, e o empresário Gutemberg Leão Alencar devem passar os próximos cinco dias em unidades prisionais da capital amazonense. 

Eles foram alvos de mandados de prisão temporária expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também foram cumpridos outros nove mandados de busca e apreensão. Um dos locais revistados foi o gabinete do vice-governador Carlos Almeida, na sede do Governo, localizada na avenida Brasil, Zona Oeste de Manaus. 

Entre os crimes praticados pelos presos estão participação e organização criminosa, além de peculato. 

A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos investigados. O espaço está aberto e a matéria será atualizada assim que obtivermos qualquer resposta. 

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