Investigação


Presos da 'Operação Sangria' deixam presídios no Amazonas

Os presos deixaram as unidades prisionais no último domingo (18), conforme a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap)

| Foto: Divulgação/Secom

Manaus - Os cinco presos da segunda fase da "Operação Sangria", deflagrada pela Polícia Federal no começo deste mês, deixaram os presídios do Amazonas, no último domingo (18). O prazo das prisões temporárias deles encerrou no sábado (17) após ser prorrogado pela Justiça. A informação foi confirmada ao EM TEMPO pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Investigados pelo superfaturamento em contrato de fornecimento de respiradores mecânicos  hospitalares, o ex-secretário de Saúde do estado, Rodrigo Tobias, a ex-secretária executiva da pasta, Dayana Mejia, o engenheiro clínico Ronald Gonçalo Caldas Santos, marido da ex-secretária de comunicação do estado, Luiz Carlos de Avelino Júnior e Gutemberg Leão Alencar foram presos no dia 8 de outubro. 

Segundo a Seap, Ronald Gonçalo, Rodrigo Tobias e Luiz Avelino estavam presos no Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM2). Já Gutemberg Alencar, por ser policial militar da reserva, estava preso no Batalhão de Choque. Dayana Mejia de Sousa estava no Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF).

O vice-governador do estado, Carlos Almeida (PTB), também foi um dos alvos da segunda fase da operação. Ele teve mandados de busca e apreensão autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por conta do foro privilegiado.

 Carlos Almeida se defendeu, um dia após a operação, e alegou não ter praticado qualquer conduta ilícita.

"Não pratiquei qualquer conduta ilícita, motivo pela qual fiz questão de esclarecê-las. Apesar do constrangimento e do dano à imagem, entendo o contexto das medidas de busca, razão pela qual colaborei com o procedimento, e desde então, me dispus à contribuição com a Justiça", destacou em nota. 

Interpol identificou enviada ao exterior

Como forma de ocultar os lucros da fraude de desvio de verbas públicas destinadas à saúde do Amazonas para o combate da pandemia do novo coronavírus, integrantes do grupo criminoso, investigados pela Polícia Federal na operação Sangria, enviaram o dinheiro recebido pelo Governo do Estado para uma empresa no exterior. O fato foi descoberto após uma cooperação entre os agentes brasileiros e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). 

“Foram identificados indícios de que a empresa é de fato de fachada, na medida em que o endereço é residencial”, explicou o Delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Henrique Albergaria. O valor arrematado e o país não foram divulgados. 

A segunda fase da operação, segundo o delegado, é um desdobramento da análise do material apreendido na primeira fase. O superintendente ressaltou que ao longo das investigações foi constatado que o vice-governador Carlos Almeida tinha grande ingerência e influência nos atos praticados na Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam). 

Esquema 

Albergaria pontuou que o esquema fraudulento funcionava por intermédio de uma triangulação. "Todo o processo foi montado em cima da proposta apresentada para a aquisição dos respiradores. Muito embora os respiradores não tivessem especificações técnicas requeridas no certame, o procedimento foi montado para viabilizar e legalizar a contratação da empresa", disse. 

Com o lucro obtido de maneira fraudulenta na compra dos ventiladores pulmonares, integrantes do grupo criminoso estariam se mobilizando para negociarem novos contratos superfaturados com o Governo.

"Um sócio oculto investiu na aquisição de aproximadamente 10 mil testes rápidos para Covid-19, com a finalidade de revender para o Estado e aumentar o proveito da vantagem obtida de maneira ilícita. E também foi constatado a participação de um empresário apontado como articulador, o verdadeiro elo entre a cúpula do governo com a empresa contratada”, disse o delegado da PF-AM. 

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