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    Pandemia


    AM vive segunda onda da Covid-19, diz especialista da Fiocruz

    Desde meados de setembro, número de casos atinge patamares só comparáveis aos do pico da pandemia e UTIs voltam a lotar

    No dia 24 de outubro o Sindicato dos Médicos do Amazonas denunciou a superlotação no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto | Foto: Divulgação/ Simeam

    Manaus –  Um dos primeiros epicentros da pandemia da Covid-19 no Brasil, a capital do Amazonas atualmente vive uma segunda onda do crescente número de contágios pela pandemia, conforme avaliação de especialistas. Apesar do Governo do Amazonas negar uma segunda onda do vírus, nos últimos dias, os hospitais públicos da capital Manaus voltaram a ter os leitos de UTI para pacientes com Covid-19 lotados, segundo dados do boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).  

    No mês de setembro os casos da doença aumentaram ao ponto de ultrapassar os registros do mês anterior com uma média semanal superior a 5 mil casos, que haviam ocorrido apenas em julho. Em boletim divulgado no último domingo (1), o Amazonas registrou mais de 161,9 mil casos da doença.

    No dia 24 de outubro o Sindicato dos Médicos do Amazonas denunciou a superlotação no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Nas imagens divulgadas, as salas aparecem com acompanhantes no chão e em estado de lotação.

    "Cuidados foram deixados de lado"

    Segundo o pesquisador e epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana,  os cuidados em relação à doença foram deixados de lado pela população, assim como por parte das autoridades ao flexibilizar atividades para reabertura.

    “As precauções e cuidados parecem ter sido relaxados a níveis incompatíveis com qualquer estratégia efetiva de controle da epidemia, tanto pela população geral, como por parte das autoridades sanitárias. De um lado, a população parece ter incorporado a falsa noção de controle da epidemia e relaxado em relação ao uso de máscaras e aderido cada vez mais a ambientes que geram de pequenas a grandes aglomerações. Por outro, estado e município, relaxaram precoce e muito velozmente em relação a reabertura gradual das atividades comerciais não essenciais, a qual não veio acompanhada de rigorosa fiscalização” explica.

    Para o profissional, há diferentes tipos e níveis de precauções que devem ser tomadas, não apenas pela população, mas também pelo governo, para a diminuição do contágio e controle da doença.

    “No nível coletivo, há as medidas que deveriam ser tomadas pelo poder público em relação ao transporte intra e intermunicipal, especialmente o urbano e rodoviário, no que diz respeito ao controle no fluxo veicular e de pessoas, bem como as medidas de sanitização. Também podemos falar sobre as ações de vigilância sanitária e epidemiológica na área fluvial e aeroportuária”, explica.

    "Medidas severas deveriam ser aplicadas"

    Ainda segundo o especialista, o distanciamento social deve ser praticado, além da prática de atividades à distância. Jesem destaca ainda os riscos de campanha eleitoral com aglomerações.  

    “Como estamos na segunda onda de contágio e mortalidade por Covid-19 em Manaus, deveriam ser evitadas aglomerações que mobilizam milhares de pessoas diariamente, como aulas presenciais e boa parte do trabalho presencial. Além disso, outras atividades comerciais deveriam ser suspensas ou dramaticamente reduzidas, como o funcionamento de salões de beleza, academias, bares, restaurantes e locais com prática de esportes coletivos, estabelecimentos com atividade religiosa que geram aglomerações. Outra coisa importante, todas os eventos associados a campanha política presencial, deveriam ser suspensas, pelo menos temporariamente” disse o profissional.

    Desde o dia 25 de setembro o Governo do Estado decretou o fechamento de bares e casas noturnas para conter o aumento de infecções, que se estende até 27 de novembro.

    FVS afirma que não há casos de reinfecção

    A FVS- AM esclarece que não há confirmação de casos de reinfecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da Covid-19, no Amazonas.

    A FVS-AM esclareceu, ainda, que todos os casos notificados estão sendo investigados dentro dos protocolos internacionais de saúde pré-estabelecidos pela Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (Opas/OMS).

    De acordo com o protocolo, para que seja confirmado um caso de reinfecção de Covid-19, é necessário que seja realizado o sequenciamento genético (mapeamento genético) do vírus que ocasionou a primeira infecção e o sequenciamento do vírus da possível segunda infecção.

    O EM TEMPO consultou a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) sobre a possiblidade do Amazonas está passando por uma ‘segunda onda’, mas não obtivemos respostas.

    O hospital Delphina Aziz recebeu a montagem de 30 novos leitos de UTI que serão destinados para pacientes em tratamento da Covid-19. O governador do Amazonas, Wilson Lima esteve presente na ocasião para vistoriar a montagem, a entrega dos leitos ocorre neste sábado (31).

    O plano da SES-AM também prevê a ampliação de leitos na rede complementar.

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