Pandemia no Amazonas


Internações por Covid-19 cresceram 117% em Manaus, aponta FVS

Segundo o órgão, em outubro o número de internações subiu para 781 em hospitais da capital

O Hospital Delphina Aziz, voltou a ter quase 100% dos leitos de UTI ocupados
O Hospital Delphina Aziz, voltou a ter quase 100% dos leitos de UTI ocupados | Foto: Divulgação

Manaus - Se comparado ao mês de setembro, o número de internações de pacientes com Covid-19 em Manaus aumentou 117% durante o mês de outubro. Segundo a  Fundação de Vigilância e Saúde (FVS-AM), no mês anterior foram 359 internações em hospitais da capital, já neste mês o número subiu para 781 internações.

No final de outubro, o Hospital Delphina Aziz, referência no tratamento de pacientes com Covid-19 no Amazonas, voltou a ter quase 100% dos leitos de UTI ocupados. O número se aproximava do pico de internações que o hospital chegou a registrar durante a pior fase da pandemia no estado, entre os meses de abril e maio. Até a terça-feira (4), a doença já infectou mais de 163 mil pessoas e matou cerca de 4,5 mil no estado.

De acordo com a FVS, os números correspondem às internações diárias em leitos clínicos e UTIs, tanto das redes de saúde pública e particular de Manaus.

Para a Fundação, o aumento de hospitalizações reflete no aumento no número de óbitos. Em Manaus, segundo a FVS, 30% das pessoas hospitalizadas evoluem para óbito.

Mortes

O número de óbitos também voltou a subir. Na capital, durante o mês de setembro, foram registrados 189 e em outubro, 232, o que representa um crescimento de 22%.

Os boletins diários da FVS destacam dois tipos de óbitos: os “até a data do óbito”, quando a investigação do óbito, que concluiu que a causa da morte foi Covid-19, foi finalizada no mesmo dia em que ocorreu o fato; e os óbitos “após a data do óbito”, que se referem a mortes, cuja investigação, que concluiu que a causa foi covid-19, foi encerrada após a data do fato por critérios clínico, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial.

Segunda onda

O aumento de internações e casos de infecções pela Covid-19, a partir de setembro, acendeu um alerta na saúde pública do Amazonas. No início do mês, o governo identificou uma desaceleração na queda de casos da Covid-19 no Estado.

Na ocasião, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto, afirmou que restaurantes, bares e flutuantes, onde as pessoas tiram as máscaras para comer, beber e conversar, eram os novos focos da doença, que agora atinge um número maior de pessoas de 20 a 49 anos.

"Os nossos dados demonstram um pequeno crescimento no número de casos em unidades privadas de saúde, principalmente em pessoas das classes A e B. Temos muitos profissionais liberais que estão sendo afetados e os locais de exposição onde essas pessoas contraíram o vírus são, principalmente, área de recreação", disse na época.

Logo em seguida, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, voltou a decretar o fechamento da Praia da Ponta Negra e ampliou o número de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), destinadas ao atendimento de pacientes com a Covid-19 na cidade.

Na mesma linha, o Governador Wilson Lima, decretou o fechamento de bares e flutuantes como uma medida de tentar conter a transmissão desenfreada do vírus na cidade.

O decreto, que inicialmente terminava no dia 26 de outubro, foi prorrogado por mais 30 dias. Em coletiva de imprensa, Lima negou que o Amazonas esteja passando por uma segunda onda da doença, mas informou que o governo recebeu novos insumos para o tratamento de pacientes com a Covid-19.

Segundo ele, foram 60 respiradores doados pelo Governo Federal, o que possibilitou a abertura de 42 novos leitos de UTI e 43 leitos clínicos em hospitais de Manaus.

Em setembro, em uma entrevista à GloboNews, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jesem Orelana, apontou que Manaus vive uma segunda onda de casos da Covid-19. O epidemiologista e autor de um estudo sobre a doença no estado propôs a adoção de lockdown para conter a circulação do vírus.

"É indubitável que estamos em uma segunda onda em Manaus, que estamos tendo um elevando número de hospitalizações por casos graves de síndromes respiratória aguda grave. Esse tipo de cenário epidemiológico em que se tem a Prefeitura aumentando os atendimentos nas unidades básicas de saúde, você tem o governo do estado aumentando o número de leitos para internação por casos suspeitos e confirmados de covid-19, é completamente incompatível com a tese de que temos imunidade de rebanho", disse Jesem.

*Com informações da assessoria 

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