Covid-19


Estudo identifica oito linhagens do novo coronavírus no AM

Amostras foram encontradas em dezoito municípios entre eles: Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Manacapuru

 

Pesquisador Felipe Naveca, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia, descobriu 4 linhagens inéditas do coronavírus no país
Pesquisador Felipe Naveca, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia, descobriu 4 linhagens inéditas do coronavírus no país | Foto: Reprodução

Manaus – A capital do Amazonas foi um dos primeiros epicentros da Covid-19 no país. De acordo com estudo da Fiocruz Amazônia, oito linhagens diferentes do novo coronavírus já circularam no Amazonas no pico da epidemia, sendo que quatro delas ainda não tinham sido identificadas até agora no país

Pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas FVS/AM, sequenciaram 79 genomas do Sars-Cov-2, a partir de amostras obtidas em dezoito municípios do estado.

Por meio do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/AM), as quatro novas linhagens identificadas são a B.1.107; B.1.111; B.1.1.2; e B.1.35 que circularam na Dinamarca, Colômbia, Reino Unido e País de Gales. Crescendo para 30 o número de linhagens encontradas no Brasil.

Para o pesquisador e epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, devido ao número crescente de casos na região, é comum que novas linhagens da Covid-19 sejam encontradas.

“É algo esperado encontrar oito linhagens diferentes no Amazonas, dada a força da epidemia local e intensa circulação de pessoas pelos aeroportos e fronteiras. Na verdade, deveríamos encontrar mais [que oito], pois essa análise só olhou 18 municípios. Caso a vigilância laboratorial fosse realmente efetiva, teríamos mais RT-PCR – teste de diagnóstico, sendo realizados, incluindo fora de Manaus. Não devemos esquecer que o Amazonas é um dos estados que menos faz RT-PCR no Brasil, mesmo sendo um dos mais castigados”, afirma.

Liderado pelo pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação do ILMD/Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, as amostras sequenciadas são provenientes dos municípios de Anori, Autazes, Careiro, Iranduba, Itacoatiara, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Presidente Figueiredo, Santo Antônio do Içá e Tabatinga, além da capital do Amazonas.

Os dados inéditos, segundo Naveca, contradizem a ideia de que houve uma proliferação prioritária dos grandes para os menores centros. Manaus, por exemplo, recebe executivos de todo o mundo em visita a empresas da Zona Franca. Além disso, houve um tipo vindo da Colômbia, que infectou pessoas em Tabatinga, na fronteira entre os dois países.

Crise do coronavírus no AM

Entre março a maio, dezenas de covas abertas e as notícias sobre o sistema de saúde à beira do colapso mostraram o impacto da crise do coronavírus no Amazonas. O estado foi um dos mais afetados pela doença no brasil, com uma taxa de mortalidade acima da média nacional.

Uma das principais causas apontadas pelos especialistas é a temporada de chuvas, que vai de novembro a abril na região. Com isso, as pessoas ficam mais em ambientes fechados e isso aumenta o risco de contaminação. Além disso, isso também dificulta a circulação de outras doenças e mais pessoas precisam ser internadas por outras doenças, diminuindo o número de leitos destinados à Covid-19.

Outro fator foi a baixa adesão ao isolamento social. Com muita gente circulando nas ruas e com pouca proteção, os números começaram a subir rapidamente

Cenário

Em setembro, os casos de infecção pela doença ultrapassaram uma média semanal superior a 5 mil casos. O Governo do Amazonas não chegou a confirmar uma segunda onda do vírus, apesar disso, os leitos de UTI para pacientes de Covid-19 continuam lotados, segundo a FVS/AM.

De acordo com dados do último boletim de Covid-19, foram registrados 219 novos casos da doença, sendo 17 na capital e 147 no interior. Entre pacientes em Manaus, há o registro de 2.989 óbitos confirmados, conforme FVS-AM.

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