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    Dezembro Vermelho


    Vivendo com HIV: da vergonha ao protagonismo na internet

    Jovem criou conteúdos informativos e incentiva jovens a se prevenir o quanto antes sobre a doença e também a realizar os tratamentos necessários

     Várias iniciativas são tomadas neste mês, como a do estudante Felipe Medeiros, que por meio de um aplicativo de encontros, informa os jovens sobre a importância da prevenção
    Várias iniciativas são tomadas neste mês, como a do estudante Felipe Medeiros, que por meio de um aplicativo de encontros, informa os jovens sobre a importância da prevenção | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus – Dezembro é considerado o mês de conscientização e combate à AIDS. Durante o mês, é feita a conscientização sobre o vírus HIV e a AIDS, não só em relação ao entendimento do que é a doença e a importância da prevenção, como também para quebrar alguns tabus que foram construídos ao longo dos anos. A data foi estabelecida em 1987. Várias iniciativas são tomadas neste mês, como a do estudante Felipe Medeiros, que por meio de um aplicativo de encontros, informa os jovens sobre a importância da prevenção.

    Há cinco anos, o estudante de enfermagem Felipe Medeiros, 30, convive com o vírus do HIV. Em 2018, ele viu a oportunidade de informar adolescentes e jovens, por meio de um aplicativo “Grindr”, específico para relacionamentos e encontros entre a comunidade LGBTQIA+, sobre a doença.

    “A iniciativa que utilizei no aplicativo “Grindr” é desde 2018. Eu senti a necessidade de utilizar esse espaço, por ser voltado para uma mídia de relacionamento e encontros. É importante falar sobre sexualidade e a exposição de risco, é um espaço aberto e normalmente as pessoas têm dialogo”, comenta.

    Para o estudante, grande parte da população tem preconceito com pessoas que têm o vírus, ao pensarem que não podem ter uma vida normal, com relacionamentos, trabalho e estudos.

    “Quando contei nas minhas mídias sociais sobre a minha sorologia, um dos exames para detectar o HIV, isso já gerou interesse das pessoas. Como eu usava o aplicativo, vi uma oportunidade de ter pessoas em qualquer tipo de espaço, onde a gente possa ter visibilidade, que as pessoas com o HIV podem trabalhar, estudar, ter relações sexuais, namorar, sair e ter uma viva normal”, explica.

    Para ele, que participa de uma associação que dá suporte a jovens com HIV, o uso de mídias sociais para essa abordagem é grande para estimular jovens à prevenção e, pode também incentivar esse público a participar de projetos que sejam sobre esse tema.

    “No aplicativo tenho uma abrangência grande para sensibilizar e, é um espaço que dá certo. É uma coisa minha, faço por gostar e, talvez assim estimular, porque eu também já fui uma semente, precisei ser plantado para estar aqui hoje e, ter uma desenvoltura para fazer esse tipo de trabalho", ressalta.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os dias, ocorrem 1 milhão de novas Infecções Sexualmente Transmissíveis no mundo e a maior preocupação das autoridades em Saúde brasileiras é com os jovens.

    Até agosto de 2020 foram diagnosticados 632 casos de HIV no estado, dos quais apenas um registrado em criança, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), do Ministério da Saúde (MS).

    Entenda a diferença entre HIV e Aids

    Vírus da Imunodeficiência Humana,  sigla em inglês para o vírus do HIV, apesar de HIV e Aids serem diferentes uma da outra, a primeira está relacionado ao vírus sexualmente transmissível que possui período de incubação prolongada antes do surgimento dos sintomas da doença, já a Aids é a doença causada pelo HIV, atacando o sistema imunológico.

    Após ter sido infectada pelo vírus, uma pessoa pode permanecer anos sem desenvolver nenhum sintoma, neste caso está vivendo com o HIV. Clinicamente o HIV é dividida em três fases: aguda (3 a 4 semanas), assintomática e latência clínica (8 a 10 anos) e a Aids (Síndrome da imunodeficiência adquirida).

    Já a Aids é o estágio mais avançado da infecção pelo HIV, surgindo quando a pessoa apresenta outras infecções, como pneumonia e fraqueza no organismo, em razão da baixa imunidade.

    Como pode ser evitado?

    A melhor forma de se prevenir é utilizando corretamente preservativos feminino ou masculino em todas as relações. Gestantes que vivem com o HIV precisam tomar certos cuidados para não transmitirem o vírus para os filhos. O tratamento é essencial para que o vírus não seja transmitido para outras pessoas.

    Acolhimento

    A psicóloga Michele Barbosa, explica que durante esse período de descoberta da doença, o jovem/adolescente pode passar por um momento de isolamento e exclusão do meio social.

    “A AIDS é considerada a doença do medo e quando a pessoa descobre que está infectada, inicia um estado de isolamento e exclusão do meio social a qual está inserida, ou seja, uma morte civil”, revela.

    Para a especialista, a presença dos pais e amigos em situações como essa é de grande importância para o acolhimento do jovem e adolescentes.

    “Além do preparo do adolescente para a vida, os pais também devem estar preparados para o acolhimento das frustrações dos filhos, pois nesta fase, também muitos jovens são diagnosticados com crises de ansiedade e depressão e o apoio e acolhimento da família e amigos é essencial”, orienta.

    Ações

    A Secretaria do Estado de Saúde (SES-AM) iniciou no dia (1) de dezembro a mobilização da população sobre a prevenção e tratamento precoce contra o HIV/Aids. Serão ofertados mais de 20 mil testes rápidos, além de 900 mil preservativos que serão distribuídos para a população nas unidades de saúde da capital e interior.

    No ano passado a campanha 'Dezembro Vermelho' da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), levou ações para mais de 200 pessoas nos três primeiros dias do programa “Muda Manaus”, lançado pelo Governo do Amazonas.

    Foram levadas a população testagens de HIV, palestras e atendimentos com orientações sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Ao todo 213 pessoas participaram das ações e 76 fizeram teste rápido para o HIV.

    Além disso, foram investidos R$ 11 milhões em recursos do Estado para aquisição dos equipamentos essenciais para a laudagem dos exames de imagem, feitos no interior, com a entrega simbólica de 54 aparelhos digitalizadores.

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