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    Descaso


    Esgoto sanitário ainda é um dos principais problemas do AM

    Dos 61 municípios amazonenses, somente oito (12,9%), possuem serviço de esgotamento sanitário

    Pelo menos 57,2% da população do Estado não tem acesso a esgotamento sanitário
    Pelo menos 57,2% da população do Estado não tem acesso a esgotamento sanitário | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus – O despejo de esgoto sem tratamento em igarapés e rios pode trazer inúmeras consequências para as águas manauaras, tanto ambientais e sociais, como a saúde pública. Dos 61 municípios amazonenses, somente oito (12,9%), possuem serviço de esgotamento sanitário, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Pelo menos 57,2% da população do Estado não tem acesso a esgotamento sanitário, enquanto 27,8% não eram atendidos com abastecimento de água por rede, e 18,8% não tinham coleta de lixo. É o que apontam os dados do estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS), do IBGE.

    A administradora do lar, Cristiane Soeiro, 38, que mora na comunidade 23 de setembro, na rua São José, localizada no bairro Lago Azul, diz que no local é urgente a necessidade de um saneamento, devido à falta disso no local, as dificuldades enfrentadas durante o dia são diversas, como a inundação.

    “É um bairro que tem muita necessidade de saneamento, os problemas que enfrentamos no dia a dia são as valas a céu aberto, lixos, quando chove inunda tudo, pois não tem para onde a água escoar. Cada morador tem que limpar nos arredores de sua casa, pois não temos trabalhos da prefeitura em relação a isso. Precisamos de esgoto, limpeza urbana, manejo de resíduos, abastecimento de água potável”, explica.

    O supervisor de disseminação de informações do IBGE no Amazonas, Adjalma Jaques, explica que o saneamento de forma geral passa por vários processos e que dependendo da situação financeira do morador pode nem ser aplicada.

    “O saneamento do ponto de vista da água potável, coleta e tratamento de esgoto necessita de toda uma cadeia para que para sua implantação. A água potável é talvez a mais fácil de implantar. Mesmo assim, depois que ela chega ao domicílio, é necessário que o morador possua instalações adequadas como pias, vasos, torneiras internas e chuveiros, para que possa usufruir. Mas em muitos casos, o morador não possui condições financeiras”, explica.

    Segundo o profissional, a implantação de uma rede de esgoto na cidade é um dos maiores problemas da cidade, visto que apenas uma pequena parte é tratada e devolvida aos rios e igarapés.

     “A implantação da rede de esgoto na cidade está restrita a algumas áreas. Em alguns locais, a rede não possui separação entre rede de esgoto e rede de águas pluviais, pois a população utiliza ambas para ligar sua sanitária. Por outro lado, há a questão do tratamento do esgoto coletado. Este é o maior problema em Manaus, já que apenas uma pequena parte é tratada e devolvida aos rios e igarapés da cidade”, afirmou.

    Para Iones Feitosa, Diretora Executiva da STAFF Construções e Diretora de Habitação de Interesse Social do Sinduscon – Amazonas, uma das principais causas do esgoto sanitário é o crescimento não planejado da população.

    “A maior causa dos problemas com esgoto sanitário em Manaus é o crescimento desordenado e não planejado. Vários bairros surgiram de invasões ou de moradias não licenciadas que deixam de seguir as normas técnicas, padrões da ABNT e plano diretor do município de Manaus”, explica.

    Saúde Pública

    Devido à falta de tratamento, a quantidade de poluentes e de agentes biológicos podem vir a facilitar a propagação de doenças, principalmente em idosos e crianças que apresentam saúde mais fragilizada.

    Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), registram que quase 1,5 milhão de crianças morrem anualmente em razão de diarreia e, 88% dessas mortes poderiam ser evitadas com o tratamento de esgoto e o acesso à água tratadas, serviços que vêm em conjunto com o saneamento básico.

    Meio Ambiente

    A situação piora com pessoas que moram em residências onde o esgoto corre a céu aberto, expondo não apenas a saúde dessa parte da população, como também o meio ambiente.

    Apesar de ser recolhido, o esgoto é devolvido para natureza sem tratamento, poluindo ainda mais o local, consequência da coleta de lixo sem destinação correta, no caso o aterro sanitário seria o apropriado para tratar gases, chorume e guardar o lixo em longo prazo.

    Saneamento ainda não é prioridade 

    Durante as décadas de 1980 e 1990 o setor de saneamento ficou sem recursos para esgotos por mais de 20 anos. Apesar de atualmente existirem recursos, o uso ainda está sendo aplicado em razão da falta de planejamento e gestão.

    De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, o país tem investido entre R$ 8 e R$ 9 bilhões ao ano quando deveriam ser investidos acima dos R$ 15 bilhões para universalizar o acesso à água e esgotos.

    Segundo Iones, o empreendimento no planejamento de residências pode colaborar com a qualidade de vida dos habitantes, na construção de redes e estações de tratamento de esgoto doméstico.

    “A instalação planejada dos conjuntos habitacionais, melhora em muito a ocupação de qualquer cidade, pois os empreendimentos são licenciados e é possível planejar a instalação de redes de esgoto e estações de tratamento de esgoto doméstico, o que por si só garante melhor qualidade de vida aos habitantes e também preserva o meio ambiente”, relata.

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