Fonte: OpenWeather

    Dezembro Vermelho


    HIV e Covid-19: tratamento e dificuldades durante a pandemia

    Apesar do número de redução de casos de HIV no AM, a prevenção e mobilização devem ser praticadas

    Amazonenses revelaram ao EM TEMPO as dificuldades que enfrentaram durante a pandemia da Covid-19
    Amazonenses revelaram ao EM TEMPO as dificuldades que enfrentaram durante a pandemia da Covid-19 | Foto: Eurivânia Galúcio / Semsa

    Manaus –  A SARS-Cov-2 e o HIV não se parecem em quase nada, mas durante quatro décadas, pessoas com HIV aguardam por uma resposta da cura da doença, com dificuldades que podem ser ainda mais agravadas com a chegada da pandemia. Amazonenses revelaram ao EM TEMPO as dificuldades que enfrentaram durante a pandemia da Covid-19.

    O estudante de enfermagem Felipe Medeiros, que convive com o vírus do HIV há cinco anos, revelou que durante os primeiros meses da pandemia, sua maior dificuldade foi em relação a realizar os exames, uma vez que os locais estavam fechados em razão da pandemia Covid-19.

    “Não senti tanta dificuldade para pegar minha medicação, porque o local aonde vou me disponibilizaram mais tempo de medicação,  algo que não é comum, devido o tipo de remédio que tomo. A maior dificuldade que tive foi fazer os exames, o de carga viral por exemplo, não fiz durante a pandemia, porque os laboratórios não estavam funcionando”, relata.

    Para o coordenador da Rede de Jovens Vivendo com HIV/AIDS do Amazonas, João Marcos Dutra, durante este ano foram enfrentadas situações diversas, como o número de demandas e a falta de acesso a tecnologias de prevenção.

    “2020 foi um ano de muitos desafios. Tivemos inúmeras demandas, desde articular cestas básicas de alimentação a entrar em contato com nossos parceiros para questões jurídicas. Neste período pandêmico, alguns casos de sorofobia ocorreram em alguns jovens, outros não conseguiram ter acesso a tecnologias de prevenção como a PEP (Profilaxia Pós Exposição)”, enfatiza.

    Covid-19 e pacientes com HIV

    Uma das preocupações que podem ter surgido para pessoas com HIV, é a continuidade de acompanhamento médico durante a pandemia, visto que a recomendação é para o isolamento social, evitando o contágio da Sars-CoV-2.

    Ana Galdina, médica infectologista e coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (FHEMOAM), enfatizou que pacientes que estão fazendo tratamento e tomam corretamente os médicos podem ter uma imunidade maior em relação à Covid-19

    “O paciente com HIV não é do grupo de risco para Covid-19. Se ela está em tratamento, ele tem carga viral indetectável, a imunidade é muito boa, equiparada a uma pessoa que não convive com o vírus. Parte dos esquemas que utilizamos para HIV podem impedir a entrada de coronavírus. Então a pessoa que está tomando medicamentos para o tratamento do HIV também pode estar imune à Covid”, conta.

    Porém, para pacientes que não têm como fazer o tratamento ou adquirir medicamentos, o quadro pode ser um pouco mais grave devido a imunidade baixa.

    “Isso não ocorre com pessoa que não tem aderência ao tratamento e não toma medicamentos, porque a pessoa tem uma carga viral de HIV, então esse paciente fica com imunidade baixa para contrair Covid-19. São casos bem mais graves”, explica.

    Dados no AM

    O Amazonas apresentou uma redução no número de diagnósticos de HIV nos oito primeiros meses de 2020, conforme dados do Sistema de Informação e Agravos de Notificação (Sinan Net), do Ministério da Saúde. Até agosto de 2020 foram diagnosticados 632 casos de HIV no estado, apenas um sendo criança, em relação a 2019, foram 1.630 casos. 72% dos casos diagnosticados são de homens e, 79% de pessoas que se declaram pardas, com idades entre 20 e 24, representando o número de infectados, com 26,8%.

    Já o número de gestantes com HIV foi de 322 em 2018, 253 em 2019 e 180 de janeiro a agosto de 2020.

    Campanha e Tratamento

    Como parte da mobilização do Dezembro Vermelho, para sensibilizar a população sobre prevenção e tratamento precoce contra o HIV/Aids, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) irá ofertar mais de 20 mil testes rápidos de HIV, além de 900 mil preservativos, que serão distribuídos para a população nas unidades de saúde da capital e interior.

    Segundo a Assessoria da SES -AM, a rede pública de saúde em Manaus possui sete unidades, distribuídas nas diferentes zonas da cidade, para acompanhamento das pessoas vivendo com HIV/Aids, sendo seis Serviços de Assistência Especializada (SAE) localizados na FMT-HVD; Fuam; Policlínica Doutor Antônio Comte Telles, no São José;  Policlínica Raimundo Franco de Sá, no Alvorada; Policlínica Dr. Antônio Reis, no São Lázaro; e Policlínica Cardoso Fontes, no Centro, além da  Unidade Básica de Saúde (UBS) Arthur Virgílio  Filho, no bairro Novo Aleixo. 

    No interior, os municípios de Parintins, Tabatinga, Tefé, Coari, Itacoatiara, Benjamin Constant e Maués também contam com SAE. Nos demais municípios, os pacientes contam com o suporte das UBSs e, para atendimento de alta complexidade, é encaminhado para a FMT-HVD, unidade de referência que atende a toda demanda do estado.

    Leia Mais:

    Amazonas registra redução no diagnóstico de HIV em 2020, aponta MS

    Vivendo com HIV: da vergonha ao protagonismo na internet

    20 mil testes de HIV e 900 mil preservativos serão ofertados no AM