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    Meio Ambiente


    Coleta seletiva: empresas e consumidores aderem à campanha em Manaus

    Prefeitura de Manaus lançou campanha de incentivo ao descarte consciente e amplia pontos de coleta seletiva na cidade

    Numa parceria público-privada entre a Prefeitura de Manaus com os centros de compra | Foto: Divulgação

    Numa parceria público-privada entre a Prefeitura de Manaus com os centros de compra
    Numa parceria público-privada entre a Prefeitura de Manaus com os centros de compra | Foto: Divulgação

    Manaus – Todos os dias uma grande quantidade de lixo é gerada pela população, mas nem sempre esse material é descartado corretamente. Plásticos, papelão, latas, vidro, todos eles têm um destino para ser reaproveitado. A coleta seletiva é uma das principais ações que vem atuando para reverter esse dano, na cidade de Manaus, algumas shoppings apoiam esta ideia.  

    Em relatório publicado em 2017, pela agência ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU), a poluição da natureza é responsável por quase um quarto ou 12,6 milhões de mortes de seres humanos.

    Numa parceria público-privada entre a Prefeitura de Manaus com os centros de compra, trinta e seis novos pontos de coleta seletiva de lixo passam a funcionar. Entre os supermercados estão:  Grupo Nova Era, DB, Atacadão, Carrefour, Veneza, Yroyak, Assaí, Pátio Gourmet, Vitória, Roma, Cezar, Rodrigues, Tribom, Atack.

    A ambientalista Erika Schloemp, que também pratica coleta seletiva, acredita que apesar da ação, devem ser avaliados outras questões, como matéria que nem sempre são descartáveis.

    “Tem muitos produtos que ainda não são recicláveis em Manaus. Não é só o vidro. Nossa lista de material reciclado é bem mais restrita que no resto do País e não acho isso justo. Outra questão são as embalagens, a gente fica feliz ao reciclar um material, mas nem sempre ele é descartável. Aprendi isso a pouco tempo. Os sacos de ração de cachorro e gato não são recicláveis, isso porque possuem muita tinta no pacote. Os sacos e caixas de sabão em pó também não são recicláveis. As fábricas precisam resolver isso”, afirma.

    Além de evitar a disseminação de doenças e preservar a natureza, a prática de coleta seletiva garante que materiais sejam descartados corretamente de acordo com suas características
    Além de evitar a disseminação de doenças e preservar a natureza, a prática de coleta seletiva garante que materiais sejam descartados corretamente de acordo com suas características | Foto: Divulgação

    Para Schloemp, a iniciativa de supermercados apoiarem essa causa sustentável é muito boa e espera que outros locais possam aderir a ação. “Adorei a ideia de poder devolver o material reciclável no supermercado perto de casa. Como a Prefeitura não recolhia mais no meu bairro, estava acumulando em casa e levando uma vez por semana em um supermercado longe de casa e isso era bem desanimador. Agora tenho um supermercado ao lado que está com uma caçamba da Prefeitura. Fico imaginando quem não tem carro, meio complicado”, explica.

    A gestora ambiental Rita Taniguchi acredita que a ação pode beneficiar diversos pontos da sociedade, como a economia local e a diminuição de resíduos.

    "Os benefícios da Coleta Seletiva são inúmeros, pois impacta diretamente o meio ambiente, a qualidade de vida da população e a economia local. A Coleta Seletiva preserva a integridade dos materiais recicláveis aumentando o  potencial econômico dos mesmos. O volume de resíduos destinados de forma inadequada afetam a saúde da população, especialmente àquelas que vivem às margens de igarapés e de lixões a céu aberto.  Por isso a importância da separação e destinação adequada. O poder público também se beneficia da coleta seletiva, pois a médio e longo prazo pode diminuir os gastos com limpeza e saúde públicas", afirma. 

    Iniciativas

    Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), em 2019 foram recolhidas 12,4 mil toneladas de materiais recicláveis e atendeu cerca de 397,8 mil habitantes, em 13 bairros da cidade. Já em 2018 foram coletadas 9,6 mil toneladas de lixo em igarapés, córregos e orlas.

    Além de evitar a disseminação de doenças e preservar a natureza, a prática de coleta seletiva garante que materiais sejam descartados corretamente de acordo com suas características.

    Com o intuito de minimizar impactos ambientais em razão da falta de coleta seletiva na região, alguns manauaras criaram projetos para trazer uma rotina mais sustentável e ecológica para cidade.

    Por exemplo, a empresa Descarte Correto, uma empresa especializada na gestão de resíduos tecnológicos, com alternativas para destinação correta do lixo tecnológico. Por meio de parcerias, criam redes de pontos de coletas, mobilizando a população.

    A assessora técnica Elisa Müller, que faz parte de projetos vinculados a ação de coleta seletiva, conta que na cidade o processo ainda está avançando. “Pratico desde 1982, quando comecei a participar de um projeto, em Manaus estamos a passos para concluir o ciclo da embalagem, desde então tenho um trabalho com catadores, empresas, industrias, desenvolvemos esse processo. É um processo pequeno em relação as indústrias, mas acredito que possamos começar a buscar a praticar, além da conscientização da população. As empresas devem ter uma economia circular e destinada a uma indústria para beneficiar essa embalagem, em uma matéria prima”, explica.

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