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    Descaso


    AM e MT acumulam 50% de indígenas mortos pela Covid-19

    Ao menos 889 indígenas já foram mortos pela doença e 41,5 mil novos casos foram confirmados

    Manaus -  Conforme dados divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas (Apib), os estados da Amazônia Legal já totalizam mais de 889 mortes de indígenas vítimas da Covid-19. Os estados que mais possuem óbitos são Amazonas, com 211, e Mato Grosso, com 140. Juntos, os dois estados concentram 50% das mortes.

    Em abril, foi notificado o primeiro caso de indígena com o coronavírus, o exame foi realizado em uma mulher da etnia Kokama, de 20 anos. A Covid-19 chegou em territórios indígenas de forma avassaladora e vidas indígenas continuam sendo perdidas em ritmo crescente.

    O advogado e liderança Sateré-Mawé, Tito Menezes, enfatizou que as atividades da segurança pública do governo federal e estadual não alcançam terras indígenas. O governo federal não dispõe de qualquer tipo de Plano de Ação de combate à pandemia da Covid-19 e, para ele, ratando-se dos povos indígenas o dilema é maior ainda.

    “As ações de segurança pública do governo federal e estadual não alcançam as terras indígenas. A terra indígena Yanomani é um exemplo, o garimpo ilegal tomou conta”, relata. Na prática o Governo Federal não dispõe de qualquer tipo de Plano de Ação de combate à pandemia da Covid-19 para a população em geral. No caso dos Povos Indígenas o dilema é maior porque já existe uma cultura do descaso de políticas públicas. Não existe segurança pública nas aldeias”, relata.

    O Comitê pela Vida e Memória indígena, formado por diversas associações, como a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrou 41.504 casos de Covid-19, em terras indígenas, totalizando 161 povos afetados e 889 mortos pela doença, sendo 166 mulheres, 402 homens e 320 ainda sem informação, conforme dados da última sexta-feira (11).

    “A gestão não sabe o que fazer"

    Com 305 povos e 274 línguas diferentes, a população indígena brasileira vive realidades que envolvem desde grupos isolados até os que residem em áreas urbanas.

    Para Menezes, as ONGS que estão colocando em prática ações que devem ser feitas pelo governo federal, com instalação de atendimento nas aldeias da Amazônia,

    “As ONGs estão fazendo o papel do governo federal ao instalar unidades de atendimento primário nas aldeias da Amazônia, como é o caso dos expedicionários da Amazônia. Temos a impressão que a gestão, no caso o Dsei Parintins, não sabe o que fazer para enfrentar a pandemia”, explica.

    O artigo “Um fato social total: Covid-19 e povos indígenas no Brasil”, de Ricardo Ventura, Ana Lucia e Carlos Coimbra, pontua que a crise gerada pela pandemia evidencia a vulnerabilidade de povos indígenas, que enfrentam discriminação, condições precárias de saneamento e a invisibilidade no contexto urbano.

    “A crise provocada pela pandemia de Covid-19 põe em evidência a maior vulnerabilidade política, social e ambiental dos povos indígenas. Em uma atmosfera cotidiana de violência e discriminação, ser indígena no Brasil implica viver sob precárias condições de saneamento e habitação; enfrentar confrontos com invasores e os danos por eles provocados em seus territórios; lidar com insegurança alimentar e conviver com uma elevada mortalidade infantil; ter sua presença invisibilizada no contexto urbano”, diz o artigo.

    Articulações do Governo

    A Fundação Nacional do Índio (Funai), respondeu por meio da assessoria, que não é responsável pelo assunto da matéria no país e sim o Ministério da Saúde. Já o Ministério da Saúde,  por meio da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), informou que cabe ao Governo Federal ofertar assistência de saúde no âmbito da Atenção Primária aos indígenas aldeados em terras demarcadas, conforme previsto na legislação. "A Sesai, desde janeiro de 2020, desenvolve estratégias de proteção, diagnóstico e tratamento da Covid-19 e vem fortalecendo a rede logística de insumos e equipamentos de proteção individual (EPI), estabelecendo fluxos de atendimento nas aldeias, Polos Base e Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI)".

    O Ministério da Saúde informou ainda que implantou Unidades de Atenção Primária Indígena (UAPI), com o objetivo de fortalecer os serviços nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), "respeitando as especificidades culturais. Até o momento, 208 UAPI foram instaladas para identificar precocemente os pacientes de Síndrome Gripal ou de Covid-19 e iniciar os primeiros procedimentos no local". 

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