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    Haitiano pede doações para trazer ao Brasil família vítima de tortura

    Milicianos atacaram e torturaram a família de Oxiel, no Haiti, após descobrir que ele enviava dinheiro aos parentes

    O homem disse que a cidade é muito violenta e que há muitos milicianos que recolhem o dinheiro das famílias
    O homem disse que a cidade é muito violenta e que há muitos milicianos que recolhem o dinheiro das famílias | Foto: Divulgação

    Manaus - O haitiano Oxiel Dalismi, 43, mora em Manaus há quatro anos e passou a pedir ajuda e doações para que consiga custear a vinda de sua família ao Brasil. A esposa e os quatro filhos do homem foram atacados por uma quadrilha de milicianos e sofreram diversos tipos de tortura, em Porto Rico, no Haiti.

    A esposa teve a mão baleada e a casa da família incendiada pelo bando. Milícias dominam bairros pobres em áreas urbanas do Haiti, país que há anos sofre com a miséria, insegurança e abandono do poder público desde a catástrofe natural ocorrida em 2010. Em novembro, manifestantes foram as ruas da capital pedir a saída do presidente Jovenel Mouse.

    "Haiti muito complicado, presidente não faz nada. Não tem trabalho, comida, escola fechou, banco, hospital. Tudo fechado. Antes da pandemia estava melhor, mas agora muito perigoso. Situação dificil, não dormem bem, não comem bem", explica Oxiel, com dificuldade de pronunciar as palavras em português.

    Segundo ele, os milicianos costumeiramente passavam nas casas recolhendo taxas e sendo violentos com os moradores. Dessa vez, a quadrilha acabou descobrindo que ele enviava aos familiares o dinheiro oriundo do trabalho de serviços gerais, pintor e jardineiro em Manaus. 

    "Cidade muito violenta, muitos bandidos. Cinco da tarde todos em casa, ninguém sai na rua", explica Oxiel. "Ladrão passa todo dia pegar dinheiro. Família explica que não tem, ladrão entra em casa, bate, procura dinheiro. Se não tem, vai matar. Amarrou mulher, venda no rosto. Filhos correram, mas mulher tiro na mão. Fogo na casa, destruiu tudo".

    Após o ataque, a esposa de 45 anos e os filhos de 15, 18, 19 e 22 anos foram morar na casa da sogra, no mesmo bairro, mas ainda correm riscos, e o ferimento na mão da mulher, causado pelo disparo da arma de fogo, não melhorou. Como o sistema de saúde do Haiti é precário e piorou na pandemia da Covid-19, ela faz curativos em casa por conta própria. "Eu vim para Brasil melhorar situação da família. E agora está mais difícil", lamenta o haitiano.

    Ajuda de patrões

    Empresários para quem Oxiel presta serviços em Manaus souberam do atentado contra a família dele e se propuseram a ajudar. Porém, além das passagens de avião serem extremamente caras no sistema aéreo haitiano e à atual alta do dólar para converter à moeda haitiana Gourde, a perda dos documentos de identidade e passaportes da esposa e dos filhos durante o incêndio criminoso tornou tudo mais difícil. A emissão de novos documentos é custoso dentro da administração pública do Haito. 

    "Ele trabalha para mim faz um bom tempo, acho que desde 2016. Toda semana faz um serviço aqui, outro ali, se sustenta dessa forma e consegue enviar um dinheirinho para a família", explica o empresário Julio Cesar Vieira, 54, um dos patrões de Oxiel em Manaus. "Ele tem muitos trabalhos aqui perto porque conseguiu a confiança das pessoas. É muito trabalhador, trabalha comigo há anos e é uma pessoa honesta", reforçou.

    Como doar

    A filha do empresário Julio Cesar, a relações públicas Kamila Souza, 23, criou uma "vaquinha" online para receber doações a fim de custear a viagem de toda a família de Oxiel, despesas diplomáticas e de documentos e a instalação deles em Manaus. O valor estipulado para tudo está em R$ 60 mil. "O valor das passagens muda muito. Por ser em dólar acaba saindo bem caro para cinco pessoas", explica Kamila Souza.

    Para fazer doações e ajudar a trazer ao Brasil a família de Oxiel, bastar clicar aqui para entrar no site Vakinha Online. É possível doar qualquer valor em boleto, cartão de crédito ou transferência bancária.

    *Com informações da assessoria

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