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    Natal


    Natal solidário: voluntários tentam amenizar fome neste fim de ano

    Neste cenário, com o fim do auxílio emergencial, a solidariedade é cada vez mais necessária e ganha papel de destaque

    Criado em 2015 pelo advogado Alexandre Viana, o “100FomeManaus” é um projeto social entre amigos para amenizar a fomes de pessoas em situação de vulnerabilidade social
    Criado em 2015 pelo advogado Alexandre Viana, o “100FomeManaus” é um projeto social entre amigos para amenizar a fomes de pessoas em situação de vulnerabilidade social | Foto: Divulgação

    Manaus – Natal e Ano Novo são sinônimos de família e amigos reunidos. Mas, para parte da população, a realidade não é essa. Quem enfrenta fome, frio e invisibilidade, a data é como qualquer dia. Com a pandemia, a situação pode se agravar. Na tentativa de colaborar com quem precisa, voluntários de Manaus se unem todos os anos para pôr em prática ações solidárias e neste ano, não vai ser diferente.

    Ações voluntárias são mais importantes do que nunca neste período de Natal. Segundo a ONG OXFAM,12 mil pessoas podem morrer de fome por dia por conta do coronavírus.

    O advogado Alexandre Viana, convidou amigos para colaborar no projeto “100 fome Manaus”, criado neste ano. Para ele, a importância de ações voluntárias no final de ano é o compartilhamento.

    “A fome é um problema que assola toda a humanidade, encontramos ao nosso lado e não podemos ignorar. São inúmeras as pessoas que vivem nesta condição de vulnerabilidade social nas ruas e necessitam de ajuda. Lembro de certo momento que uma pessoa abordada disse que já faziam dois dias que não se alimentava”, compartilha.

    O professor Marcus Catunda, que participa da ação há quatro meses, disse que a pandemia agravou os problemas de alimentação da população e a prática de ações sociais colaboram com pessoas em situações difíceis.

    “Estamos numa realidade atípica, a humanidade já se alimenta mal e, com a pandemia, as coisas pioraram. Pessoas que estavam na linha da pobreza entraram na miséria, então essas ações são importantes, porque ajudam levando um pouco de conforto para aqueles que nada têm”, contou.

    “Ações solidárias precisam ser parte do cotidiano” 

    Geralmente são distribuídas 60 quentinhas acompanhadas de água, sobremesa e máscara para proteção contra a Covid-19
    Geralmente são distribuídas 60 quentinhas acompanhadas de água, sobremesa e máscara para proteção contra a Covid-19 | Foto: Divulgação

    Sem mobilizações por parte do governo federal para reduzir o combate à fome, a redução de desigualdades fica nas mãos de movimentos, sociedades e entidades civis.

    Segundo Viana, as ações devem ser colocadas em prática todos os dias, não apenas em comemorações no final de ano.

    “Devemos ter a consciência de ajudar ao próximo. Não somente com a proximidade das festas de final de ano. Estas ações precisam fazer parte de nosso cotidiano. O compartilhamento da ceia de natal é um momento simbólico de Jesus ensinando como deve ser o nosso comportamento dia após dia”, relatou.

    As doações funcionam a partir da colaboração de participantes, com o fornecimento do alimento.  As práticas costumam ocorrer aos sábados e domingos.

    Natal sem Fome

    A campanha Natal Sem Fome, uma das maiores e mais antigas ações contra a fome da América Latina, espera arrecadar 10 milhões de reais para a compra de alimentos. 

    Realizada desde 1993 pela ONG Ação da Cidadania, que foi fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a campanha já ajudou mais de 20 milhões de brasileiros durante a época do Natal.

    Catunda conta ainda que pessoas em situações precárias podem buscar por outras formas de sustento, podendo praticar algum crime.

    “Imagine um pai de família que sai em busca de alimento, a diferença entre o prato de comida e um furto é pouca. Por fome você é capaz de fazer alguma besteira, tentamos ajudar de forma possível”, pontuou.

    Impacto na vida das pessoas

    A ideia idealizada pelos empresários Henrique Sanches, Ligiane Barreto e o advogado Paulo Sérgio Guimarães de Oliveira
    A ideia idealizada pelos empresários Henrique Sanches, Ligiane Barreto e o advogado Paulo Sérgio Guimarães de Oliveira | Foto: Divulgação

    Um grupo de amigos realizou uma peregrinação de carros e um caminhão distribuindo cestas de alimentos e brinquedos por semáforos e diversas áreas e bairros da cidade nestas últimas semanas de dezembro.

    A ideia idealizada pelos empresários Henrique Sanches, Ligiane Barreto e o advogado Paulo Sérgio Guimarães de Oliveira era fazer algo diferente e inusitado e que realmente pudesse causar a impressão de surpresa e felicidade nas pessoas que recebessem as doações e contou com doações pessoais e de uma empresa do Distrito Industrial.

    “A ideia era causarmos esse impacto de esperança na vida das pessoas. Imagina você estar precisando e aparece um grupo de pessoas com gorro de papai Noel e um caminhão desembarca no semáforo ou na porta de sua comunidade para esse tipo de ação. E era isso que queríamos”, explica o advogado Paulo Sérgio Oliveira.

    Segundo Paulo Henrique, 2020 foi um ano difícil para o mundo inteiro em que as pessoas perderam muitos entes queridos e as famílias estão incompletas e o Natal significa renascimento, vida nova e esperança nesse caso, esperança de dias melhores. “Compartilhando aquilo que temos com o próximo é uma forma de agradecer a Deus por termos sobrevivido até aqui. E a ideia é que essa ação seja mantida e agregue todos os anos novos formatos criativos de fazer o bem juntando outras pessoas, mais amigos, empresas e quem quiser fazer parte disso tudo”, convida.

    De acordo com o empresário Henrique Sanches, se todo o empresário fizesse pelo menos 1% de ações desse gênero o mundo seria muito melhor e isso, segundo ele, é apenas o pontapé de algo que será realizado todos os anos.

    Para Samira Costa, 45 anos, vendedora de sopa e moradora da Comunidade de Deus, localizada no bairro Tancredo Neves, ser surpreendida ao ver o caminhão chegar e um horário em que ações como essa não costumam acontecer lhe causou bastante emoção. “Moramos em uma área alagada onde qualquer chuva destrói nossas coisas e termos um presente para nossos filhos e o alimento de cada é motivo de agradecer a Deus”, conclui.

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