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    SUBNOTIFICAÇÃO


    Dados sobre coronavírus no interior do AM podem estar incorretos

    De acordo com um boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), a mudança de servidores decorrentes das eleições municipais desestruturou parte do sistema que colhia dados sobre a Covid-19

    Família enterra parente vítima de coronavírus no cemitério de Coari. 2 de novembro de 2020 | Foto: Brayan Riker/Em Tempo

    Manaus - Um parecer técnico produzido pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) alerta para a possível imprecisão de dados sobre Covid-19 no interior do Estado. O motivo, segundo o documento, é  a desestruturação dos serviços de vigilância em vários municípios por conta das eleições municipais que ocorreram em outubro do ano passado.

    "É digno de registro que os casos no interior podem estar subnotificados, levando-se em conta que, no período de transição entre as gestões municipais, está ocorrendo a desestruturação dos serviços de vigilância em vários municípios, o que resulta em ausência de diagnóstico e notificações nos sistemas de informação oficiais", escreveu a sigla, no parecer.

    Para tentar esclarecer a situação, o EM TEMPO entrou em contato com a FVS-AM e a Secretaria Estadual de Saúde (SES-AM), mas ambos os órgãos não se manifestaram sobre a informação apontada nesta matéria.

    Apesar disso, é importante lembrar ser comum a mudança de servidores quando tomam posse novos governantes, sejam prefeitos ou presidentes. Esta desestruturação pode ser um dos motivos para a subnotificação apontada pela FVS-AM durante o que a sigla chamou de "transição entre gestões". 

    Secretarias de saúde não atualizam dados

    No mesmo documento, a fundação chama a atenção para o crescimento de casos de Covid-19 desde o período das eleições. No interior do Estado, as contaminações por coronavírus cresceram em 21%, enquanto na capital a alta foi de 72%. 

    "Os dados dos 61 municípios do interior demonstram uma situação de risco generalizado no Estado, com registro de crescimento em todas as regiões de saúde", escreveu a FVS-AM.

    Embora registre uma alta na curva de contaminação de coronavírus no Amazonas, a fundação não tem todos os dados oficiais porque as secretarias municipais de saúde têm deixado de enviar seus registros todos os dias. 

    Entre o dia primeiro e cinco de outubro de 2020, a média de secretarias municipais de saúde que não informaram os registros por Covid-19 era de 12. Agora, durante a segunda onda da Covid-19 e a transição de gestões dos prefeitos, subiu para uma média de 23 municípios que deixaram de informar por um ou mais dias os registros de coronavírus.

    Um exemplo mais grave é o de Santa Isabel do Rio Negro, município situado no médio Rio Negro e distante 630 km de Manaus, em linha reta. A secretaria municipal de saúde deixou de registrar os dados de coronavírus até para si mesma ainda em novembro de 2020. É o que informa Rubens Gonçalves de Albuquerque, novo secretário de Saúde do município.

    "Estávamos praticamente sem secretário e prefeito na gestão anterior. Temos conhecimento desse problema e que ainda não estamos informando os dados de coronavírus para o governo do Amazonas, mas nosso objetivo é retomar isso urgentemente", afirma Rubens.

    Falta de leitos de UTI 

    Uma das principais chagas do Amazonas é a falta de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) nos municípios do interior, durante a pandemia. Esses atendimentos de alta complexidade só podem ser feitos na capital, Manaus.

    O Governo do Amazonas anunciou o aumento de mais de 800 leitos de unidades de cuidados intermediários (UCI) no interior do Estado. A medida visa preparar a rede pública de saúde dos 61 municípios, e caso os pacientes dessas regiões evoluam para o estado grave da Covid-19, devem ser transferidos para um hospital de referência na capital através de aviões disponibilizados pelo governo.

    Até esta quarta-feira (6), 23 pessoas em estado grave da Covid-19 aguardavam essa transferência em diferentes municípios do Amazonas, informou o telejornal 'JAM 1', do grupo Rede Amazônica.

    O EM TEMPO visitou diferentes municípios do interior do Amazonas durante a pandemia e relatou, com detalhes, essa realidade. Veja na reportagem abaixo:

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