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    Empatia e Criatividade


    Escola do AM encontrou novas maneiras de alfabetizar na pandemia

    Entre dificuldades de renda e aplicações de aulas, a equipe da Escola Waldir Garcia criou uma relação de empatia e apoio com familiares de alunos

     

    A escola Waldir Garcia já é referência no Amazonas
    A escola Waldir Garcia já é referência no Amazonas | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus – Em um ano de pandemia, com as portas fechando para diversas áreas, a Escola Municipal Waldir Garcia driblou as dificuldades na educação e mostrou que é possível alfabetizar crianças ainda que hajam turbulências.

    A escola que abriga 227 crianças do ensino fundamental enfrentou problemas resultantes da pandemia, como a fome, a baixa renda de famílias das crianças. “Falta de internet para crianças e as ferramentas – celular computador, para que a gente mantivesse o ensino por meio da distância foram um dos problemas. Além da fome, estrangeiros e pessoas com baixa renda não têm o que comer. Então com a pandemia, os pais estavam sem poder trabalhar e o auxílio demorou a sair, então eles sofreram com a fome”, afirmou a diretora da escola, Lúcia Santos.

    Mesmo cercados de dificuldades entre famílias, o conjunto entre escola, alunos e comunidades resultou em conquista no ano de 2020. Andrea Isabelle, filha de Ketia Fontaine, 31, conseguiu concluir o ensino básico, agora são alfabetizadas. Agora sabe ler e escrever mesmo com as aulas virtuais.

     

    A mãe de Alice relatou que as professoras ajudaram por meio de ligação vídeo chamadas e a entrega de apostilas, que resultou na alfabetização de sua filha
    A mãe de Alice relatou que as professoras ajudaram por meio de ligação vídeo chamadas e a entrega de apostilas, que resultou na alfabetização de sua filha | Foto: Arquivo Pessoal

    A venezuelana que é dona de casa, disse que após o cancelamento das aulas, o momento não foi nada fácil para as crianças, mas que a escola colaborou com o aprendizado.

    “No começo foi bastante difícil. Sou mãe de três crianças, todas elas ficaram em casa e temos apenas uma televisão, ficava difícil para assistir às aulas, mas a escola conseguiu desviar desses problemas e oferecer as aulas pelo WhatsApp”, disse.

    Localizada em uma área vulnerável, a escola abriga crianças de diferentes classes sociais e origens, incluindo filhas de imigrantes venezuelanos e haitianos.

    “Feliz por minha filha estar alfabetizada”

    Maricleia Nascimento tinha a rotina de vender marmitas e acompanhar a filha para escola, após a pandemia os dias precisavam ser mais calculados, com as aulas on-line da filha.

    “Minha filha pensou que estava de férias, mas depois começou a perguntar quando iria voltar a estudar e tive que explicar para ela a situação sobre a paralisação das aulas e da pandemia, mas hoje fico feliz por ela está alfabetizada, mesmo com todas as dificuldades que tivemos e as perdas na família”, relata.

    A mãe de Alice Nascimento,7, disse que durante a nova rotina de educação da filha, o aprendizado não foi fácil, mas que teve aprendizados durante o caminho.

    “Manter o aprendizado não foi nada fácil, não temos a paciência que o professor tem. Temos que lidar com coisas da família e também com a educação dos filhos. Vi que essa pandemia, além de coisas ruins, trouxe união, estamos olhando de forma diferente para o filho, esse ano nós fomos os professores, com apoio”, diz.

    “Empatia foi nossa motivação”

    A escola que também sofreu com perdas e teve um ano desafiador, conseguiu encontrar motivação para ajudar famílias e crianças a viver em melhores condições durante a pandemia.

     

    Diretora da escola fazendo entrega de alimentos e apostilas para as crianças e seus familiares
    Diretora da escola fazendo entrega de alimentos e apostilas para as crianças e seus familiares | Foto: Arquivo Pessoal

    “Estávamos em clima de morte. Parentes, funcionários e conhecidos estavam com uma insegurança, com medo. O que nos motivou foi a esperança de lutar por um mundo melhor, ajudar essas crianças, porque estávamos no nosso conforto, e eles não, eles não tinham o que comer. Fomos nas casas entregar alimentos e fazer campanhas, a empatia nos motivou a lutar por melhores condições para eles”, comentou a diretora.

    Por meio de uma plataforma de financiamento coletivo, a escola conseguiu arrecadar mais de R$ 8 mil para financiar cestas básicas às famílias que precisavam.

    Pandemia e suspensão de aulas

    Durante os primeiros meses do novo coronavírus em Manaus, foram registrados mais de cem enterros por dia, em abril, assim como agora, em janeiro de 2021. Em todo o Amazonas, a taxa de letalidade pela doença passava dos 8% — em comparação, a média geral no Brasil é hoje de cerca de 2,6%.

    Após a suspensão das aulas presenciais, foi amenizada apenas quando as redes municipais de Manaus e Amazonas passaram a transmitir aulas pela TV aberta.

    Com a aproximação da escola com as famílias, a vulnerabilidade social ficou mais visível do que se imaginava.

    No primeiro momento os alunos sentiam falta da escola, do contato físico e a escola respondeu de forma criativa com a gravação de vídeoaulas, chamadas de vídeo e as ações indo nas casas de famílias.

    “Tínhamos aulas em casa por meioda TV e fomos complementando de forma mais criativa possível, nunca vi um trabalho tão belo dos professores, com o uso das tecnologias. Foi um ano desafiador, mas de muita aprendizagem. Vimos o quão é importante a relação de alunos, professores e família. As professoras gravaram aulas, fizeram testes, temos as apostilas”, pontuou.

    Famílias e Aprendizado

    A escola também faz parte do programa Escolas Transformadoras, que promove competências como empatia, trabalho em equipe e criatividade em comunidades escolares de 25 países

    Para os familiares e a equipe da escola, o momento foi de grande importância, as crianças reagiram de forma positiva com a preocupação da escola com suas famílias durante a pandemia.

    “Saímos da pandemia com as famílias acreditando mais nas escolas A gente aprendeu a conhecer o chão das casas de nossas crianças. Quando começamos a ter acesso, conhecemos a real situação de todos os alunos, disse a diretora da escola.

     

    Das 40 crianças de primeira série da Waldir Garcia em 2020, Lúcia Santos diz que 37 concluíram o ano letivo sabendo ler e escrever
    Das 40 crianças de primeira série da Waldir Garcia em 2020, Lúcia Santos diz que 37 concluíram o ano letivo sabendo ler e escrever | Foto: Arquivo Pessoal

    Em 2020, Lúcia Santos havia sido uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10, em reconhecimento pelos projetos de protagonismo juvenil adotados em sala de aula.

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