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    Automedicação


    Com dúvidas sobre eficácia, 'Kit Covid' dispara nas vendas, em Manaus

    Em meio a segunda onda de coronavírus no Amazonas, remédios utilizados no 'combate' à doença registraram aumento na procura. Procura por ivermectina cresceu 300%

    | Foto: (Arquivo/Agência Brasil)

    Manaus - Com a alta de casos de coronavírus no Amazonas, farmácias de Manaus registraram crescimento de vendas nos principais medicamentos associados ao 'combate' à doença. Mesmo sem comprovação científica, os remédios são prescritos por parte dos médicos e têm o apoio do governo federal, estadual e municipal. Por outro lado, entidades de saúde renomadas contraindicam o uso inadequado dos fármacos.

    Dentre os mais vendidos, está a ivermectina, um antiparasita que viu sua venda crescer em 300%, de novembro para dezembro. Já o antibiótico azitromicina teve alta de 144% no mesmo período. Os dados são do grupo Tapajós, dono das redes Santo Remédio, Farma Flex e Farmabem.

    Enquanto os fármacos acima cresceram na procura, por outro lado, a famosa hidroxicloroquina teve queda de 12% nas vendas, entre novembro e dezembro. O remédio chegou a ser considerado a cura para a Covid-19 durante a primeira onda da pandemia e foi orientado para uso pelo Ministério da Saúde após pressão do presidente Jair Bolsonaro.

    Em todo o ano de 2020, foram vendidas 347.682 unidades de azitromicina nas farmácias do grupo Tapajós. Quase metade deste total (112.094) foi adquirido por clientes apenas em dezembro de 2020, quando o Amazonas viu os casos de Covid-19 aumentarem novamente.

    Os três remédios que formam o 'kit Covid' estão envoltos em brigas políticas que geram desinformação sobre sua eficácia, ou não. No entanto, a indicação das principais associações de saúde é que cada médico avalie o tratamento adequado para o paciente, e é o que tem sido feito.

    Contraindicação

    Embora os médicos estejam 'livres' para indicar o melhor tratamento para cada paciente, inclusive com os fármacos do 'kit Covid', há também contraindicações. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) atualmente orienta a não utilização de nenhum dos medicamentos do 'kit Covid' no tratamento da doença. Em nota publicada em seu site, a sigla reforça os motivos.

    "A SBI não recomenda tratamento farmacológico precoce para Covid-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19”, informa a sigla, em seu site. 

    Efeitos colaterais

    os principais efeitos causados pelo uso da ivermectina, segundo a bula do remédio, são: diarreia, náusea, vômitos, fraqueza e falta de energia generalizada, dor abdominal, perda do apetite ou prisão de ventre.

    Já a azitromicina, o antibiótico, pode causar náusea, vômito, diarreia, fezes moles, desconforto abdominal, prisão de ventre ou diarreia e gases. Além disso, pode ocorrer tontura, sonolência e perda de apetite.

    Por último, hidroxicloroquina, hoje menos utilizada no tratamento para Covid-19, pode causar: anorexia, dor de cabeça, distúrbios de visão, dor abdominal, náuseas, diarreia, vômitos, erupção cutânea e coceira.

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