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    Pandemia


    Pesquisadores alertam para evolução da pandemia no AM

    Após novo recorde de sepultamentos no último domingo (10), infecções pela doença devem crescer nos próximos dias indicando novo pico

    Em abril, o serviço funerário entrou em colapso | Foto: Divulgação

     

    Em abril, o serviço funerário entrou em colapso
    Em abril, o serviço funerário entrou em colapso | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) -  O Amazonas foi um dos primeiros epicentros da pandemia da Covid-19 no Brasil. Em março de 2020 foi confirmado o primeiro caso do vírus no estado e bastou apenas alguns dias para que mais infecções fossem registradas. Após o pico da pandemia em abril, o Amazonas voltou a registrar casos e mortes no inicio de janeiro deste ano e os números não param de crescer. Conforme especialistas, os números de infectados e de mortes pela Covid-19 podem subir ainda de forma mais alarmante nos próximos dias. 

    A chegada da doença

    No dia 13 de março, foi confirmada a primeira paciente do Estado com covid-19, uma mulher de 39 anos vinda de Londres (Inglaterra).  Ela apresentou sintomas e procurou o serviço de saúde, que confirmou o diagnóstico do vírus. Demorou apenas quatro dias para o Amazonas registrar novos pacientes.

    O primeiro óbito foi registrado em 24 de março, quatro semanas depois, 193 já haviam falecido. No primeiro dia de maio, a cidade chegou ao pico de 151 enterros e o total de 2.607 mortes, mais do que o dobro de março do mesmo ano, com 1.025.  O cenário levou à instalação de duas câmaras frigoríficas no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, além do auxílio de retroescavadeiras e covas coletivas.

    Logo em abril, o serviço funerário entrou em colapso. Sepultamentos passaram a utilizar valas coletivas por falta de espaço e coveiros, enquanto funerárias privadas esgotaram o estoque de caixões. Entre 16 de março e 16 de abril, a quantidade de casos passou de um para 1,7 mil.

    A imagem chamou atenção pelo mundo, escancarando os efeitos da superlotação de hospitais e da ocupação dos leitos de UTI. O jornal francês “Le Monde” chegou a publicar matéria destacando a gravidade da pandemia no país.

    “Nós estamos no limite da barbárie”, dizia o título do jornal, citando as palavras do ex-prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, em entrevista à imprensa após reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, em abril de 2020.

    O número de mortes teve queda apenas no mês de junho, com 71, 2%, segundo dados da Prefeitura de Manaus, comparada ao mês de abril, em que a capital atingiu o pico de óbitos em domicílio, com 611 casos.  Em julho, os dados mostram que este número reduziu para 176 óbitos em domicílio.

     

    No mês de setembro os casos da doença ultrapassaram registros do mês anterior, com uma média semanal superior a 5 mil casos
    No mês de setembro os casos da doença ultrapassaram registros do mês anterior, com uma média semanal superior a 5 mil casos | Foto: Bryan Wilker

    No mês de setembro os casos da doença ultrapassaram os registros do mês anterior, com uma média semanal superior a 5 mil casos, que haviam ocorrido apenas em julho.

    “Alerta Roxo”

    Com hospitais lotados, falta de leitos, o cenário volta a se repetir em janeiro de 2021, com o sistema de saúde em colapso e a multiplicação de mortos por Covid-19. Eleições e festas de final de ano colaboraram para que o número de casos em janeiro voltasse a preocupar a população.

    Em Manaus, o número de pacientes internados em leitos de UTI manteve o aumento por quatro meses consecutivos. Prova disso é que, até setembro, os leitos para Covid-19 na rede pública do Estado eram 90. Mesmo com o aumento desse número para 190 leitos, ainda assim o Amazonas sofre com 91% de ocupação dessas unidades, à beira do colapso.

    Considerada uma escala alta de riscos, a situação se agravou no primeiro mês do ano, com altos números de casos, foi o que confirmou a diretora da FVS-AM, Rosemary Pinto.

    “Estamos em nível de alto risco e saímos da fase vermelha para a roxa. Tivemos um crescimento entre novembro e dezembro, de 120% do número de casos em Manaus, onde passamos de 1,5 mil para 3,4 mil. E um crescimento de 47% do número de casos no estado, indo de 3,6 mil em novembro para 5,4 mil no final de dezembro, atualmente com uma média móvel de 700 casos todos os dias”, pontuou.

    O alto número de infecções registradas no final de dezembro são resultados de comércios ativos, eventos e festas clandestinas, conforme o epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana.

    “Esse aumento que tivemos de infecções e casos graves com o final de dezembro tem uma relação com a agitação do comércio, festas clandestinas, eventos sociais e o período de compras do Natal. Precisamos lembrar que na verdade esse período foi alimentado pelo mês de novembro. Tivemos as eleições, em que as pessoas estavam circulando e contribuindo para o aumento das taxas da pandemia”, explicou.

    Novo pico

     

    Evolução de mortes por Covid-19 no Amazonas
    Evolução de mortes por Covid-19 no Amazonas | Foto: Alexandre Sanches/Em Tempo

    No último domingo (10), Manaus alcançou o pico de sepultamento em um único dia com o registro de 144 mortes. O maior registro anterior ocorreu em 28 de abril do ano passado quanto foram 142 sepultamentos.

    Com novos casos sendo registrados todos os dias, a pandemia em Manaus está em situação extremamente grave. Para Orellana, os números de infectados e de mortes pela Covid-19 podem subir ainda de forma mais alarmante nos próximos dias, mas é necessário avaliar os números nos próximos dias.

    “Provavelmente estamos no pico da pandemia, saberemos nos próximos dias. Indicadores de infecções e mortalidade são indiscutíveis, mostram uma situação extremamente grave em Manaus, uma das mais críticas do planeta durante a pandemia de Covid-19. Não temos relatos de outras cidades do mundo com tantos problemas como estamos observando na cidade. O caso de Manaus é único e comprova que a cidade é um laboratório a céu aberto, as autoridades estão poucos preocupadas com a realidade e estão centrados em objetivos políticos e financeiros, infelizmente”, disse.

    Vacinação

     

    De acordo com a FVS-AM, até a última terça-feira (12), registrou 1.958 novos casos de Covid-19
    De acordo com a FVS-AM, até a última terça-feira (12), registrou 1.958 novos casos de Covid-19 | Foto: Getty Images

    Até o momento, o Ministro da Saúde Eduardo Pazuello, afirmou que o Brasil vai receber vacinas de três fabricantes: AstraZeneca (vacina de Oxford), Instituto Butantan/Sinovac e Pfizer. A expectativa é que as vacinas cheguem entre janeiro a março. Mas, apesar das projeções, ainda não há data oficial de quando os brasileiros serão, de fato, imunizados.

    Em visita a Manaus, Pazuello não deu prioridade para o Amazonas, disse que todos os estados do país vão iniciar a vacinação no mesmo dia. 

    "Todos os estados receberão simultaneamente as vacinas, no mesmo dia. A vacina vai começar no dia D, na hora H, no Brasil. No primeiro dia que a autorização for feita, a partir do terceiro ou quarto dia estará nos estados e municípios para iniciar a vacinação. A prioridade já está dada, é o Brasil todo. Vamos fazer como exemplo para o mundo. Os grupos prioritários já estão distribuídos”, afirmou. “

    De acordo com a FVS-AM, até a última terça-feira (12), registrou 1.958 novos casos de Covid-19, totalizando 218.070 casos da doença no estado. Segundo o boletim, foram confirmados 54 óbitos por Covid-19, sendo 27 ocorridos na segunda-feira (11) e 27 encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, elevando para 5.810 o total de mortes.

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