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    Mortalidade por Covid-19 entre bebês é dez vezes maior, diz pesquisa

    No documento, foram registrados dois picos de óbitos entre infectados de zero a nove anos

     

    Na sexta-feira (15), cerca de 60 bebês prematuros internados em UTIs de maternidades públicas amazonenses precisavam ser transferidos para outros estados
    Na sexta-feira (15), cerca de 60 bebês prematuros internados em UTIs de maternidades públicas amazonenses precisavam ser transferidos para outros estados | Foto: Reuters

    Manaus (AM) - Crianças com menos de um ano representam o maior número de vítimas fatais da Covid-19 em 2020, ficando atrás apenas de pessoas acima de 60 anos, foi o que pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) observaram sobre a letalidade da doença em diferentes faixas etárias. O estudo comprova o colapso que Manaus vive nos últimos dias. Na sexta-feira (15), cerca de 60 bebês prematuros internados em UTIs de maternidades públicas amazonenses precisavam ser transferidos para outros estados, em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), por conta da falta de oxigênio nos hospitais. Porém, ainda na sexta, o Ministério da Saúde informou que desistiu de transferir os bebês, pois o governo federal conseguiu "cilindros de oxigênio para manter 61 bebês prematuros por mais 48 horas em leitos de UTI em Manaus."

    Os autores da pesquisa pontuam que bebês com menos de um ano, portadores de outras doenças apresentaram probabilidade de óbito de 19,2% em comparação a pacientes de 1 a 19 anos. O número volta a subir em infectados de 10 a 14 anos (5,6%) e 15 a 19 anos (8,5%).

    Dados da ODS Atlas do Amazonas alertam para o fato de que crianças e adolescentes, em maioria são acometidos de forma mais grave em sua maioria não apresentando sintomas associados a pacientes em idade avançada, foi o que explicou o coordenador do projeto Henrique Pereira.

    “O número de casos da Covid-19 e óbitos entre crianças e adolescentes (0 a 19 anos) vem se mantendo muito abaixo da frequência observadas entre adultos e idosos. Em Manaus, por exemplo, até dezembro o total de óbitos nessa faixa chega a 50 casos, um valor muito menor do que o registrado nas outras faixas. Porém, dentre os mais jovens, a ocorrência foi maior entre os pacientes menores de um ano de idade que respondem por 40% dessas ocorrências fatais”, disse.

    Óbitos

    No documento, foram registrados dois picos de óbitos entre infectados de zero a nove anos, o primeiro em agosto e o segundo em dezembro. Além disso, em dezembro, o número de letalidade na mesma faixa etária foi maior em relação aos pacientes menores do que 59 anos.

    Em nota técnica publicada, é evidente uma redução na letalidade entre maiores de 80 anos. Já em julho, cerca de 60% dos infectados vinham a óbito por causa da Covid-19.

    “O que percebemos, a partir das análise, é que tomando os dados acumulados de fevereiro a dezembro para a população de Manaus, crianças de até um ano têm um maior risco de morte que as demais idades até 19 anos. E que as comorbidades também têm um impacto ainda maior nesses pacientes elevando em dez vezes o risco”, pontuou Pereira.

    Em bebês com menos de um ano, as chances são de 1,9%, diminuindo para menos de 1% em infectados com idades entre 1 a 19 anos. Em agosto até novembro, a taxa de letalidade aumentou em pessoas de 40 a 59 anos, o índice só demonstra uma diminuição em dezembro.

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    Amamentação pode evitar Covid-19 em bebês, sugere outro estudo
    Amamentação pode evitar Covid-19 em bebês, sugere outro estudo | Foto: Divulgação/Santa Casa SJC

    O aumento de óbitos está ligado principalmente a retomadas de atividades essenciais, além de festas do final de ano, já que pessoas desta faixa etária compõem a maior parte da população ativa.

    Segundo o estudo, há a necessidade de atenção especial nas estratégias de imunização da população. Para a médica pediatra Monica Rocha, os cuidados e a prevenção em crianças e adultos devem ser os mesmos.  

    “Os principais cuidados devem ser os mesmos do que as pessoas adultas fazem, como por exemplo, higienizar as mãos com frequência, entre 40 e 60 segundos. Às vezes as crianças podem entender até como uma brincadeira, o que ajuda. Outra medida é limpar as superfícies que as pessoas tocam, porque o vírus sobrevive durante algumas horas”, orienta.

    Amamentação pode evitar Covid-19 em bebês

    Uma pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC com 218 mulheres que testaram positivo em algum momento da gravidez vem atenuar as inseguranças. “É possível afirmar que a Covid-19 não é transmitida por meio da amamentação nem durante a gestação”, conta a pediatra Fabíola Suano, uma das líderes do estudo. Num dos casos examinados, a equipe comprovou, após analisar o colostro de uma mulher que tinha Covid ao dar à luz, que esse leite carrega anticorpos capazes de neutralizar o vírus.

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