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    Pandemia


    Nova variante evolui no Amazonas, diz pesquisas

    Pesquisadores da Fiocruz detectaram pelo menos dez mutações distintas e prevalência da nova variante em Manaus

    Conforme estudos da Fiocruz, a variante da capital amazonense evoluiu regionalmente a partir dessa linhagem | Foto: Michael Dantas / AFP

    Manaus (AM) - A nova variante da Covid-19 de Manaus já predomina no Amazonas, conforme estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

    A nova linhagem do Sars-CoV-2 no país, a B.1.1.28, foi identificada primeiro pelas autoridades de saúde no Japão e depois por pesquisadores da Fiocruz do Rio de Janeiro, em dezembro do ano passado. Em seguida a confirmação de um caso de reinfecção do coronavírus com ela.

    Conforme estudos da Fiocruz, a variante da capital amazonense evoluiu regionalmente a partir dessa linhagem e agora carrega o nome de P.1. e virou uma linhagem própria, a B.1.1.28.1. De diferente ela possui dez mutações no gene que codifica a proteína S (de “spike” ou espícula, o gancho molecular usado pelo coronavírus para se conectar às células humanas), três delas na chamada região de ligação com receptor —algo preocupante porque ela está diretamente associada à entrada do vírus nas células.

    Segundo o Dr Felipe Naveca, virologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, a evolução do vírus já é algo esperado. O Sars-CoV até evolui mais lento do que outros vírus RNA, porque ele tem a propriedade de fazer um certo controle disso que os outros vírus RNA não tem.

    “Essa variante no Japão chama muita atenção como a variante inglesa e a africana, porque elas acumularam muitas mutações em pouco tempo, acima do que estávamos vendo até o momento”, explica o pesquisador para o EM TEMPO.

    Recentemente, pesquisadores da Inglaterra sugeriram que a variante do Reino Unido é 30% mais letal do que a linhagem circulante até novembro de 2020. Já segundo os estudiosos da Fiocruz, ainda é cedo para afirmar que a nova variante de Manaus seja mais letal.

    Aumento de casos

    O Amazonas contabiliza mais de 250 mil casos do novo coronavírus. Para o Naveca, o motivo são situações multifatoriais. “Nós temos início da temporada de vírus respiratórios na Amazonas, que historicamente acontece em meados de novembro em diante, o que chamamos de inverno amazônico, onde outros vírus respiratórios como influenza também aumentam, então tem esta situação sazonal, a variante e também a diminuição do distanciamento social”, explica o pesquisador.

    Por isso, é preciso um alerta especial por parte das autoridades de saúde e vigilância epidemiológica no país. No resto do mundo, o surgimento de novas variantes foi seguido por uma intensa vigilância e pelo monitoramento de novos casos para tentar traçar as rotas de viagem do vírus e conter a sua disseminação.

     Estudo da Cepa na Inglaterra

    O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta terça-feira (26), em coletiva virtual na capital amazonense, onde está desde o último sábado (23), que a variante do coronavírus encontrada no Amazonas está sendo estudada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.

    “Essa cepa que está sendo estudada aqui em Manaus, nós estamos observando que é uma cepa diferente. E essa cepa está sendo estudada em Oxford. Mandamos todo o material coletado para a Inglaterra para que a gente tenha uma posição exata sobre o grau de contaminação e agressividade dessa nova cepa”, afirmou na coletiva.

    O ministro atribuiu o colapso do sistema de saúde em Manaus à junção do salto de infecção visto no Amazonas no começo de janeiro com os déficits vistos na região. Segundo Pazuello, a alta de contaminados vista no começo do mês “foi uma situação completamente desconhecida para todo mundo”.

    Casos confirmados no AM

    Mais de 1,2 mil novos casos de coronavírus foram diagnosticados nesta segunda-feira (25), no Amazonas.  A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) informou que o Amazonas já totaliza 250, 9 mil casos da doença.

    De acordo com o boletim, foram confirmados 86 óbitos por Covid-19, sendo 56 ocorridos no domingo (24) e 30 óbitos foram encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, elevando para 7, 2 mil o total de mortes.

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