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    Pandemia


    No AM, familiares vendem bens para salvar a vida de quem amam

    Amazonenses fazem cota, postagens nas redes sociais, pedem doação e vendem até carro para salvar a vida de familiares

     

    Filha de doente transferido vende carro para estar perto do pai
    Filha de doente transferido vende carro para estar perto do pai | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus – O Amazonas vive atualmente o colapso no sistema da saúde por conta da pandemia da Covid-19. Falta de oxigênio e vagas de leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) são algumas das problemáticas. Por conta disso, muitas amazonenses, na tentativa de salvar a quem amam, fazem cota, postagens nas redes sociais, pedem doação e vendem até carro, se for necessário.

    Este é o caso da nutricionista Kamilla Caió, 27. A filha do Osimar Silva, 54, entrou em desespero quando a situação do seu pai estava se agravando. Ela  precisou vender o carro para poder ter o pai vivo. Foi com os R$ 23 mil com a venda do veículo que ela conseguiu comprar equipamentos para manter a saúde de Osimar e conseguir desembarcar na capital do Maranhão.

    “Meu pai passou 17 dias internado, 10 dias no 28 de Agosto e 7 no Hospital Universitário de São Luís. Em Manaus ele sofreu muito em relação a doença. Eu vendi meu carro e gastei com equipamentos, oxigênios, equipamentos de ventilação, coisas simples como luva e máscara. Em cinco dias ele conseguiu evoluir aqui, tem até mesmo previsão de alta”, revelou.

     

    Funcionários de hospitais em Manaus estão trabalhando para salvar vidas
    Funcionários de hospitais em Manaus estão trabalhando para salvar vidas | Foto: Reuters

     Dificuldade antes do colapso

    Mesmo antes do colapso na saúde, equipamentos e atendimento em hospitais já demonstravam ser um problema para a população manauara, contou a autônoma Elinaete Sabóia, que junto com a família, enfrentou dificuldades para conseguir oxigênio.

    “Antes mesmo dessa crise de oxigênio já estava difícil conseguir um cilindro. Agora está muito pior. Ligamos para vários números, usamos todo tipo de lista possível para ver se alguém atendia. Muitos deles não conseguimos ligar, quando conseguíamos, os preços estavam exorbitantes. Respirar é um luxo agora”, relatou.

     

    Nas duas vezes em que a família foi ao hospital não havia leito para internação
    Nas duas vezes em que a família foi ao hospital não havia leito para internação | Foto: Arquivo Pessoal

    Transferência 

    Devido à falta de leitos e oxigênio na capital do Amazonas, em razão da pandemia da Covid-19, alguns pacientes tiveram que ser transferidos para outros estados, com a esperança de receber tratamento.

    Com a ajuda de uma vaquinha virtual, Jessika Teixeira e seus irmãos conseguiram comprar as passagens da mãe, Evaneide Souza, 45, que havia sido selecionada para ser transferida para o hospital do Piauí.

    “No dia 14 conseguimos colocar ela dentro do Hospital 28 de Agosto. Ela ficou dois dias sem leito, apenas em uma poltrona e, depois de muitas horas que foram colocar ela no oxigênio. Graças a Deus ela foi selecionada para ser transferida a outro Estado. Fizemos uma vaquinha virtual, eu e meus irmãos, para conseguir comprar as passagens do meu pai, para ele poder ir como acompanhante dela”, contou.

     

    Apesar do medo da família, após a transferência de estado, o quadro da paciente melhorou nos últimos dias
    Apesar do medo da família, após a transferência de estado, o quadro da paciente melhorou nos últimos dias | Foto: Arquivo Pessoal

    Durante a transferência de Dona Evaneide para o Hospital Universitário do Piauí, a família ficou preocupada devido ao quadro de saúde da paciente, que já havia passado por transplantes e estava com a imunidade baixa.

    “Minha mãe é transplantada. Ela não podia adoecer. Sua imunidade é baixa, uma doença dessa é praticamente fatal, mas Deus cuidou dela desde o dia da internação até hoje. Hoje ela está bem, já consegue respirar sem ajuda de aparelhos e logo terá alta. Sentimento de gratidão”, disse.

    Precaução

    O apóstolo Richard Mattos, 40, preocupado com a situação da cidade, resolveu enviar sua família para Fortaleza, após dois da crise de oxigênio. Ele estava com medo que a filha pequena enfrentasse a situação como outros amazonenses.

    “Temos uma filha de seis meses que já passou por uma UTI e uma intubação. Na última sexta-feira (15) fui pra fila das empresas que vendem oxigênio para ajudar a esposa de um amigo. Passamos horas e não conseguimos. Ao ver o desespero dele e das outras pessoas, me fez pensar que alguém da minha casa poderia passar por aquela agonia. Por isso, decidi mandar minha família embora”, contou.

    261 pacientes transferidos

     

    Amazonas já transferiu 261 pacientes
    Amazonas já transferiu 261 pacientes | Foto: Divulgação/Secom

    Amazonas já transferiu 261 pacientes com Covid-19 para concluir o tratamento em outros estados desde o dia 15 de janeiro. A meta inicial da Secretaria da Saúde era transferir 235 pacientes.

    Até o momento, pacientes já foram transferidos para o Piauí (23), Maranhão (39), Distrito Federal (15), Paraíba (15), Rio Grande do Norte (28), Goiás (32), Alagoas (14), Espírito Santo (36), Pará (23), Acre (3), Pernambuco (15) e Minas Gerais (18).

    A ação de transferência ocorre por meio do convênio que o governo do estado possui com os hospitais universitários de outros estados e com o apoio do Ministério da Saúde e da Força Aérea Brasileira (FAB).

    Falta de oxigênio é apenas um dos problemas que enfrenta o Amazonas, que passa por um aumento expressivo de casos de Covid-19, superlotação de hospitais e cemitérios. A situação é tão caótica que o governo está transferindo pacientes para atendimento em outros estados. Mais de 7,1 mil pessoas morreram com a doença no estado.

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