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    Pandemia


    Mutação do novo coronavírus favoreceu o crescimento dos casos no AM

    Com o surgimento da variante, o número de novas internações mais que dobrou nesta segunda onda da doença no Estado

    Em Manaus, o recorde de novos pacientes internados em único dia era de 105 | Foto: Michel Dantas/ AFP

    Manaus (AM) - O crescimento no número de casos e de internações de pacientes com o novo coronavírus, registrado entre o final de dezembro e janeiro, está diretamente relacionado ao surgimento de uma nova variante do vírus causador da Covid-19.

    “Nesse intervalo de rapidez da taxa de transmissão está associado ao surgimento da variante P.1. Em dezembro, tínhamos menos de 50% de presença da variante nos genomas das amostras que acompanhamos e em janeiro aumentou para 91%. Isso mostra a predominância”, declarou o diretor-presidente em exercício da FVS-AM, Cristiano Fernandes da Costa.

    Recorde de internação

    Com o surgimento da variante, o número de novas internações mais que dobrou nesta segunda onda da doença no Estado. No dia 14 de janeiro, 258 novas internações foram registradas, sendo o segundo pior índice desde o início da pandemia. Desse total, 254 foram de novos pacientes internados nos hospitais da capital e quatro de unidades do interior, segundo boletim epidemiológico da FVS-AM.

    Em Manaus, o recorde de novos pacientes internados em único dia era de 105, nos dias 22 de abril e 4 de maio de 2020. Já em todo o Estado, o recorde de novas internações diárias do primeiro pico da Covid-19 foi de 168, no dia 4 de maio. 

    Após o pico de novas internações em janeiro de 2021, o indicador mostra que os números estão em queda, chegando a 45 novas entradas na rede hospitalar, das quais 43 foram na capital, no dia 8 deste mês.

    Mutação 

    O virologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, responsável pelo sequenciamento genético da Covid-19, explicou que a possibilidade da variante amazônica ser mais transmissível deve-se às semelhanças com as cepas do Reino Unido e da África do Sul. 

    “Ainda não temos certeza se é mais transmissível que as outras linhagens. Mas, baseado nos resultados que existem para as linhagens do Reino Unido e África do Sul, que compartilham algumas mutações em comum e o aumento da detecção de 0% em novembro, 51% em dezembro e mais de 91% em janeiro, sugerem sim que a variante é mais transmissível, mas precisamos fazer outros estudos para ter 100% de certeza”, disse o pesquisador.

    Disseminação

     

    Diretor-presidente em exercício da FVS-AM, Cristiano Fernandes da Costa
    Diretor-presidente em exercício da FVS-AM, Cristiano Fernandes da Costa | Foto: Divulgação

    A taxa de transmissibilidade do novo coronavírus no estado apresentou desaceleração, nas últimas semanas, passando de 1.30 para 1.06, ou seja, cada 100 pessoas infectadas transmitem para 106 e não mais para 130. 

    A desaceleração fez com que o Amazonas deixasse a liderança do ranking brasileiro da taxa de transmissibilidade e hoje ocupa a quinta colocação. O cenário é fruto da combinação de fatores que inclui a restrição de circulação de pessoas no Estado, a suspensão temporária do comércio não essencial e o aumento do isolamento social.

    Contudo, o diretor-presidente da FVS-AM, alerta que a taxa acima de um ponto representa ainda um risco e orienta que as medidas de prevenção à Covid-19 devem ser mantidas pela população.

    “Temos uma desaceleração com as medidas restritivas adotadas em todos os segmentos, iniciativas na rede hospitalar e a própria campanha de vacinação como fator de proteção vai nos ajudar muito evitando formas graves e óbitos nessa faixa da população prioritária”, ponderou Cristiano.

    O alerta também é feito pelo pesquisador que citou o inverno amazônico, período com a maior proliferação de síndromes respiratórias, e o descumprimento do distanciamento social como contribuintes para disseminação do vírus. “Todas essas variáveis somando a nova variante foram responsáveis por esse aumento”, finalizou.

    *Especial EM TEMPO, com informações da assessoria

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