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    Covid-19


    Apesar de proibidas, festas clandestinas não param na capital do AM

    Especialistas alertam sobre um novo surto em Manaus caso as pessoas insistam em se encontrarem no carnaval

    Mais de 40 pessoas foram presas em uma casa no Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus | Foto: Divulgação/SSP

    Manaus (AM) - A insistência em festas clandestinas continua, mesmo com o decreto governamental proibindo aglomerações e a fiscalização pelo poder público. E o que não faltou neste último final de semana foram flagrantes de desrespeito. O último boletim divulgado pela FVS no domingo (14) indicou que o Amazonas registrou 632 novos casos de Covid-19. Com isso, o total de infectados desde o começo da pandemia chegou a incrível marca de 294.954.

    Para muitos especialistas os casos se agravaram no início deste ano devido a uma nova cepa ainda mais contagiosa encontrada no Amazonas, por isso a importância da continuação do isolamento social. Datas comemorativas como o Natal e o Carnaval podem proporcionar encontros e, em Manaus, isso não deixa de ocorrer. Neste fim de semana, mais de 100 pessoas foram apreendidas por não respeitarem as medidas realizadas para evitar a proliferação do novo coronavírus. 

    Operação fecha bar

    As aglomerações em Manaus, devido à pandemia do novo coronavírus já começaram com o trabalho policial na sexta (12). Após patrulhamento na Zona Norte de Manaus, um bar que estava funcionando de forma clandestina, no bairro Cidade Nova, foi fechado na noite da última sexta-feira (12)

    De acordo com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), no “Boteco do Maranhão”, foram detidas cinco pessoas. 

    Ainda no mesmo local, o Núcleo Especializado em Operações de Trânsito (Neot), do Detran-AM, foi acionado para apreender três motocicletas e um carro, que possuíam irregularidades, como ausência de documentos. Os veículos foram encaminhados ao parqueamento do Detran.

    Festa clandestina com 40 pessoas 

    Após receberem uma denúncia anônima, policiais militares da 16ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) encerraram uma festa clandestina que ocorria em uma residência localizada na rua Estrela Dalva, bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus. A festa ocorreu na madrugada do sábado (13). Cerca de 40 pessoas estavam no local.

    Além da aglomeração de pessoas na residência, também foram encontradas bebidas alcoólicas, caixa de som e um narguilé.

    O proprietário da residência e o sócio dele, suspeitos de alugar o imóvel para a realização da festa clandestina, foram identificados e conduzidos ao 1° Distrito Integrado de Polícia (DIP) para prestarem esclarecimentos sobre o ocorrido ainda na madrugada.

    Festas encerradas no domingo

    No domingo (14) houve insistência nas festas clandestinas em Manaus. As forças de segurança encerraram duas festas clandestinas. Os flagrantes ocorreram no bairro Coroado, Zona Leste e na Cachoeirinha, Zona Centro-Sul de Manaus. Ao todo, 60 pessoas foram detidas por descumprimento de medidas de decreto governamental para prevenção da Covid-19.

    Em uma das festas, realizada em uma residência, no Conjunto Tiradentes, bairro Coroado, teve 40 pessoas detidas causando aglomerações. No evento irregular regado a bebida alcoólica e música eletrônica, foram encontradas 28 mulheres e 12 homens. A SSP precisou utilizar até um ônibus da Polícia Militar para levar os suspeitos para prestar depoimento na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil (PC)

    Segundo o secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates, as festas foram um desrespeito à população amazonense, que enfrenta os impactos da pandemia e ainda está em luto pela perda de entes queridos. “Ressalto que a população é importante para o nosso trabalho. Denunciando, as forças de segurança vêm e os procedimentos são realizados”, disse.

    O governo também já havia suspendido os pontos facultativos do Carnaval para tentar conter a disseminação do coronavírus. Qualquer denúncia de descumprimento do decreto pode ser repassada para o 181, disk denúncia da SSP.

    Em uma das festas do domingo, nove militares da Marinha do Brasil foram detidos.

    Segundo a polícia, as investigações a respeito das confraternizações ilegais tiveram início logo depois que os agentes receberam denúncias de moradores informando que várias pessoas estariam se aglomerando, com som alto e consumindo bebidas alcoólicas.

    Opinião de especialistas

    Para o pesquisador Felipe Naveca, do Instituto Leônicas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), “qualquer reunião, em um momento onde estamos com taxas altas de ocupação dos hospitais e a transmissão comunitária de uma linhagem com possibilidade de maior transmissão, é algo totalmente desaconselhado.” Segundo o especialista,  o que aconteceu em janeiro deveria servir de alerta. “Já vimos o efeito do Natal e Ano novo como contribuiu para o aumento de casos”.

    A médica infectologista Karina Gonçalves também alerta sobre o perigo das festas de carnaval. “Com toda a certeza o carnaval pode apresentar o mesmo perigo que o dos acontecimentos iniciados em janeiro deste ano”.

    A também médica infectologista explica sobre a nova variante presente em estado, ainda mais transmissível. “Isso se dá devido a prevalência da variante P1, a variante presente no Amazonas, que tem uma taxa de transmissibilidade maior, junto com os encontros de fim de ano foram fatores pilares para o aumento de casos no mês de janeiro”.

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