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    Covid-19


    Fake news podem atrapalhar vacinação no Amazonas

    Opiniões e até notícias falsas estão influenciando pessoas a não se vacinarem

    Fake news atrapalha vacinação contra covid-19 no Amazonas | Foto: Alexandre Sanches

    Manaus (AM) -  A desinformação em relação à vacina contra o novo coronavírus não fica restrita aos grandes centros urbanos, mas tem afetado a participação nas comunidades indígenas. Recentemente equipes médicas que trabalham para imunizar as remotas aldeias indígenas do Amazonas contra o coronavírus passaram a ter uma forte resistência em algumas comunidades onde os missionários estão alimentando o medo da vacina, dizem os líderes tribais e defensores. Isso se dá devido ao fenômeno das fake news, ou desinformação, que é quando notícias ou informações são publicadas como verdadeiras e influencia diversas pessoas que consomem este conteúdo.

    O caso mais recente ocorreu na reserva de São Francisco, no estado do Amazonas. Moradores de Jamamadi, aldeia indígena da região, atacaram agentes de saúde com arcos e flechas quando eles os visitaram para aplicar vacinas. A informação foi dada por Claudemir da Silva, líder Apurinã que representa as comunidades indígenas no rio Purus, um afluente do Xingu.

    A desinformação e a propagação de informações falsas não são acontecimentos recentes, elas sempre existiram. Mas atualmente, com as pessoas cada vez mais conectadas é comumente atrelada aos meios digitais.

    Fake news em Carauari

     

    Fake news em Carauari
    Fake news em Carauari | Foto: Divulgação

    O promotor de Justiça Eduardo Gabriel acompanhou, no último sábado (13), a equipe de vacinação como parte do Procedimento Administrativo 001/2021, instaurado para acompanhar o plano nacional de operacionalização da vacinação contra a Covid-19 na população indígena de Carauari (distante a 788 km da capital). Durante a imunização foi constatado que as notícias falsas notícias estão impedindo os indígenas a aceitarem tomar a vacina.

    Segundo o promotor, a falta de informações concretas sobre a vacina é uma das realidades da população indígena naquela região. Os indígenas demonstraram receio quanto ao imunizante. Em conversa com o promotor de justiça, o chefe indígena Atowé Kanamari, revelou que o medo da vacina se originou de vários boatos. O líder da aldeia também relatou que alguns índios ouviram falar dos efeitos colaterais da vacina, dentre eles, a possibilidade de adquirir características de um jacaré.

    "Conversei com o chefe indígena, principalmente sobre a responsabilidade que o líder possui, pela própria posição ocupada, de dar o exemplo e tranquilizar os mais jovens quanto aos efeitos da vacina. Após a vacinação do chefe indígena, alguns jovens que haviam desistido de tomar a segunda dose, compareceram e também foram vacinados", relatou Eduardo Gabriel.

    Perigo

    O termo fake news ganhou força mundialmente em 2016, com a corrida presidencial dos Estados Unidos, época em que conteúdos falsos sobre a candidata Hillary Clinton foram compartilhados de forma intensa pelos eleitores de Donald Trump. Apesar do recente uso do termo fake news, o conceito desse tipo de conteúdo falso vem de séculos passados e não há uma data oficial de origem.

    Muito antes de o Jornalismo ser prejudicado pelas fake news, escritores já propagavam falsas informações sobre seus desafetos por meio de comunicados e obras. Anos mais tarde, a propaganda tornou-se o veículo utilizado para espalhar dados distorcidos para a população, o que ganhou força no século XX.

    Mas e quando isso afeta a vida humana ao ponto de causar mortes? Esse é o perigo que vem à tona em casos como o de Jamamadi aqui no Amazonas. Para a professora, jornalista e mestre em Ciências da Comunicação, Manoela Moura, esse tipo de situação é muito perigoso no combate à Covid-19.

    “Quem faz isso, normalmente por meio de alarde, quer causar dúvidas e medos infundados que acabam por descredibilizar algo”, afirma Manoela sobre quem cria notícias falsas.

    Para a doutora em Ciência da Comunicação e docente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Cristiane Barbosa, o jornalismo é fundamental para o combate contra as ‘fake news’. “O jornalismo profissional assume uma importância vital para a sociedade, pois pode com a informação checada e verdadeira mostrar para a sociedade os efeitos positivos da ciência. A desinformação pode matar”.

    Fake news podem se tornar crime

    Segundo a legislação penal vigente, o Código Penal e sua legislação extravagante, “fake news” não se constitui em crime no Brasil. Porém um projeto de lei tramitando no congresso deseja mudar isso.

    O PL 2.630/2020 quer criar a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, com normas para as redes sociais e serviços de mensagem como WhatsApp e Telegram. A intenção é evitar notícias falsas que possam causar danos individuais ou coletivos e à democracia.

    Para o advogado criminalista Antônio Mansur este será um grande passo no combate das fake news. “Tornar a desinformação como crime é um ótimo caminho. O texto que tramita no Congresso prevê detenção, de seis meses a dois anos, e multa”, revela o criminalista.

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