Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    Terceira onda no AM pode ocorrer em maio, afirmam cientistas

    Cientistas alertam que é necessário a vacinação de 90% dos manauaras, além de lockdown severo para conter a nova onda

     

    Terceira onda em Manaus pode trazer novos casos da covid-19
    Terceira onda em Manaus pode trazer novos casos da covid-19 | Foto: Brayan Riker

    Manaus (AM) - Uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), realizada por pesquisadores e cientistas do Brasil, publicada neste mês de fevereiro, alerta para a terceira onda do coronavírus em maio na capital amazonense, caso medidas mais rígidas de combate à disseminação do vírus não sejam tomadas.

    Em entrevista ao EM TEMPO, um dos pesquisadores que assinou o parecer, o biólogo, mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Inpa, Lucas Ferrante, que também fez parte do estudo,  publicado em agosto na Nature, que previu o segundo colapso na saúde em Manaus por causa da Covid-19, alerta que é necessário a vacinação de 90% dos manauaras, além de lockdown severo para conter a nova onda.

    “Para conter esta terceira onda e também a circulação da variante P1, nós precisamos de duas ações em combinação: um lockdown, que deverá durar de 20 a 30 dias envolvendo 90% da população de Manaus. E simultaneamente a vacinação de pelo menos 70% das pessoas”, ressalta o cientista.

    O estudo sobre a terceira onda foi feito por um modelo conhecido como SEIRS (Susceptíveis – Expostos – Infectados – Recuperados). Estes modelos constituem a ferramenta primária para estudos epidemiológicos de resposta à Covid-19 a nível global, segundo artigos científicos internacionais já publicados. Além disso, o estudo foi solicitado pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

    Lucas revela que neste modelo se considera as taxas de transmissão do vírus e as quatro categorias que dão nome a sigla, para predizer as taxas de transmissão e o número de infectados de semanas e até meses com antecedência.

    “Importante dizer que este modelo, o SEIRS, é uma ferramenta básica de resposta à pandemia da Covid-19, sendo reconhecido como uma ferramenta básica em todo o mundo, inclusive em vários periódicos conhecidos de renome”, afirma Ferrante.

    Variante não deu origem a segunda onda

    Ainda de acordo com o cientista Lucas Ferrante, a variante P1, responsável pelo grande número de casos graves em Manaus, surgiu durante a segunda onda. “A variante P1 não foi a responsável pela segunda onda. A variante P1 surgiu nesta segunda onda. Entre meados de novembro e dezembro nós já estávamos na segunda onda e ela se tornou predominante em janeiro”.

    Para o mestre em Biologia, esta variante que é ainda mais contagiosa, deve continuar em Manaus. E as festas de fim de ano propiciaram  a maior transmissão viral que culminou na segunda onda.

    “Hoje nós temos essa variante como predominante e ela deve ser totalitária, ocupando todos os casos, até março. O que foi o responsável pela segunda onda foi a quebra de isolamento social".

    O cientista da Fiocruz/AM, médico infectologista Felipe Naveca, alerta para evitar eventos sociais, pois podem piorar a situação de Manaus.

    “Qualquer reunião, em um momento onde estamos com taxas altas de ocupação dos hospitais e a transmissão comunitária de uma linhagem com possibilidade de maior transmissão, é algo totalmente desaconselhado. Já vimos o efeito do Natal e Ano Novo”.

    Confira o parecer técnico sobre a terceira onda

     

    Leia mais: 

    'Imunidade de rebanho' reacende debate em segunda onda da Covid no AM

    Perda de imunidade pode ter causado 2ª onda de infecções em Manaus

    Fake news podem atrapalhar vacinação no Amazonas