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    REPRESENTATIVIDADE


    Globo de Ouro tem recorde de mulheres ao prêmio de 'Melhor Direção'

    Uma das maiores premiações do cinema, o evento ocorre na noite deste domingo (28), na Califórnia (EUA)

    | Foto: Divulgação

    Manaus - A próxima edição do Globo de Ouro que ocorre neste domingo (28) já entrou para a história. Pela primeira vez, a premiação do cinema tem um recorde de indicadas à categoria de Melhor Direção, uma das principais da noite. Concorrem as cineastas Emerald Fennell por 'Bela Vingança', Regina King por 'Uma noite em Miami...' e Chloé Zhao por 'Nomadland'.

    Assim como o Oscar e o Emmy, outras premiações artísticas, o Globo de Ouro é envolvido em críticas relacionadas à falta de representatividade quando se trata de minorias sociais. Por isso, a categoria de Melhor Direção surpreendeu este ano. É a primeira vez na história do prêmio que mais de uma mulher foi indicada. 

    A cerimônia ocorrerá no Hotel Beverly Hilton, em Los Angeles (Califórnia), onde é realizada desde 1961. Os prêmios são entregues pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que criou o evento em 1944. Os indicados são artistas de cinema e profissionais de televisão de dentro e fora dos Estados Unidos.

    Além das três mulheres indicadas para Melhor Direção, concorrerão na categoria dois homens. São eles:  David Fincher, por "Mank"; e Aaron Sorkin, pelo filme "Os 7 de Chicago". 

    Representatividade

    O recorde nas nomeações ao Globo de Ouro acende uma chama de esperança para mulheres que trabalham no mundo do cinema, seja na direção, produção e em outras funções ainda majoritariamente exercidas por homens. 

    Para a produtora audiovisual Maria Luiza Dácio, esse é o início de uma mudança nos ares do cinema mundial.

    "A indicação das três, sendo elas personalidades importantes e que produzem material de excelência, ajuda na democratização do nosso acesso, como mulheres, nesses espaços de expressão de arte. Eles são nossos também, mas não ocupamos, infelizmente, por diversos motivos", afirma a diretora e produtora.

     

    Malu é diretora de filmes como O dia em que Urano entrou em Escorpião e do documentário Depois da Princesa
    Malu é diretora de filmes como O dia em que Urano entrou em Escorpião e do documentário Depois da Princesa | Foto: Divulgação

    Malu, como é conhecida, diz ainda que o cenário do cinema para as mulheres continua complicado, com poucas trabalhadoras nos espaços de poder. Apesar disso, sua visão para o futuro é otimista.

    "Nós ainda somos pequenas em boa parte dos sets, na produção e na direção. Mas, para mim, essa mudança é um passo, e é resultado de uma luta que todas temos travado. No caso do Globo de Ouro, foi a primeira vez que tantas mulheres foram indicadas, então posso dizer que os ares estão soprando de maneira diferente", comenta Malu.

    Quem também se alegrou com a nomeação de mulheres ao Globo de Ouro foi a cineasta Deborah Haven, da produtora Dream House Pictures.

    "Fico feliz por elas [as diretoras indicadas] terem seus trabalhos reconhecidos em um grande evento e em uma indústria extremamente exigente. Sei ser uma realização e tanto quando você se esforça muito por um projeto e ele é reconhecido de uma forma boa", afirma a diretora. 

     

    Deborah é diretora, produtora e roteirista
    Deborah é diretora, produtora e roteirista | Foto: Divulgação

    Ela diz não se interessar tanto por premiações, por achar que são de 'carta marcada', como indicações e prêmios vendidos, no entanto, assume também ter outros objetivos com os filmes.

    "Não muito em conta esse lado competitivo. Gosto de pensar em fazer isso pela paixão e satisfação de transformar em realidade, o que um dia esteve apenas na minha mente", comenta Deborah.

    Mulheres nas principais premiações

    O Globo de ouro não tem o melhor histórico em relação a mulheres indicadas à Melhor Direção. Em seus 76 anos de existência, a premiação só teve oito mulheres indicadas. Três delas apenas em 2021. Além disso, só uma delas levou o troféu. Esse marco é da diretora Barbra Streisand, por seu filme "Yentl" (1984). Confira abaixo os nomes já indicados:

    - Barbra Streisand - "Yentl" (1984) e "O Príncipe das Marés" (1992)

    - Jane Campion - "O Piano” (1994)

    - Sofia Coppola - "Encontros e desencontros" (2004)

    - Kathryn Bigelow - "A hora mais escura" (2013) e "Guerra ao terror" (2010)

    - Ava DuVernay - "Selma" (2015)

    - Emerald Fennell — "Bela Vingança" (2021)

    - Regina King — "Uma noite em Miami..." (2021)

    - Chloé Zhao — "Nomadland (2021)

    A falta de representatividade no Globo de Ouro é apenas mais uma entre as principais premiações do cinema e televisão. Esse problema ganha novos níveis quando se trata da categoria de Melhor Direção, pelo cargo ainda ser muito associado a homens. 

    O Oscar, cerimônia de prêmios mais conhecida do mundo dos filmes, também retrata o problema. Em 93 anos de existência, a cerimônia, realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, só viu cinco mulheres indicadas à Melhor Direção. De todas, apenas uma levou a estatueta. O feito é da cineasta Kathryn Bigelow, pelo filme “Guerra ao Terror” (2008). 

    Desigualdade em números

    Os estúdios de Hollywood, nos EUA, ainda são considerados os principais motores da indústria do cinema mundial, por isso, servem como campo de estudo para quem analisa desigualdade no cenário da produção de filmes. 

    Uma das últimas pesquisas sobre mulheres no cinema mostrou que, dos 12 principais filmes de 2019, 10,6%, foram comandadas por mulheres. O número é baixíssimo, mas representa um avanço em relação a 2018, quando foi de pouco mais de 5%. A pesquisa é do Centro de Estudos sobre Mulheres na Televisão e no Cinema da Universidade Estadual de San Diego. 

    Além da direção de filmes, também há dificuldade em se ter mulheres protagonistas nas principais produções. De acordo com o mesmo estudo, em 2019, cerca de 40% dos 100 filmes de grande bilheteria do ano tiveram mulheres como protagonistas. O número, que é menos da metade, ainda assim representa uma alta de 31% em comparação a 2018.

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