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    À deriva


    Aglomerados, passageiros de barco estão há nove dias à deriva no AM

    A embarcação foi proibida de atracar em dois municípios, em cumprimento ao decreto do Governo do Estado, que proíbe o transporte interestadual de passageiros

    Passageiros ficaram à deriva por dois dias. | Foto: Reprodução

     

    Passageiros ficaram à deriva por dois dias.
    Passageiros ficaram à deriva por dois dias. | Foto: Reprodução

    Manaus - Sem alimentação adequada, aglomerados, e sob o forte calor amazônico, ao menos 100  pessoas estão à deriva no Rio Juruá, na embarcação Maria de Lurdes, que saiu de Manaus no último fim de semana.  Há nove dias no barco, todos estão proibidos de desembarcar nos municípios de Juruá e Carauari, em cumprimento ao decreto do Governo do Estado, em vigor desde o dia 12 de janeiro, que proíbe o transporte interestadual de passageiros. 

    Nesta sexta (27), após ampla negociação, a embarcação foi autorizada a seguir caminho para Carauari, seu destino. No entanto, antes de desembarcarem, passageiros terão de ser testados para a covid-19 e precisarão fazer quarentena de 15 dias.

    A viagem iniciou quando o barco deixou a capital amazonense, e a previsão inicial era de que a embarcação chegasse ao município na sexta (26), o que não aconteceu. Quando se aproximava da divisa entre Juruá e Carauari, em uma região conhecida como Canarana, o barco foi interceptado por policiais civis e militares. Na ocasião, os tripulantes foram informados que as prefeituras dos dois municípios haviam proibido que a embarcação atracasse nos portos de ambas as cidades.

    O clima de apreensão se espalhou entre viajantes e tripulantes, mas uma sucessão de problemas ainda estaria por vir. Sem ter como aportar em nenhum dos dois municípios, a alimentação se tornou um problema imediato. Além disso, redes empilhadas uma sobre as outras retratavam o completo descaso dos responsáveis do barco com o cumprimento mínimo dos protocolos de prevenção à Covid-19.

     

    Redes empilhadas uma sobre as outras.
    Redes empilhadas uma sobre as outras. | Foto: Reprodução

    Em meio ao cenário de caos, a Prefeitura de Carauari doou alimentação e água aos passageiros, enquanto tripulantes do barco também compravam, em uma lancha, mantimentos para os viajantes. Contudo, os problemas estavam longe de ser contornadas.

    As horas passavam, e o forte calor do clima equatorial, típico da Floresta Amazônia também se tornou um desafio aos mais de 100 passageiros, entre crianças, idosos e grávidas, os quais continuavam à deriva no barco, sem saber por quanto tempo a mais teriam que passar pela dramática situação em que se encontravam.

    Distante dali, as autoridades de Carauari eram pressionadas pela população a liberarem a ancoragem da embarcação. Alguns técnicos da saúde ponderavam o alto risco ao já frágil sistema de saúde do município, caso a Covid-19 se alastre pela cidade.

    O temor tem justificativa, isso porque a covid-19 atinge em cheio o município de Carauari, onde a embarcação deveria atracar. Todo o núcleo do poder municipal foi atingido pela doença. O prefeito Bruno Ramalho, o vice Zé Viana, e a presidente da Câmara Municipal Sydonay Ramalho estão afastados de seus cargos desde que foram infectados com o novo coronavírus.

    Negociação 

    Após quase dois dias de impasses, nesta sexta (27), a Prefeitura de Carauari finalmente informou que os passageiros poderiam desembarcar no município, mas somente após realizarem o teste rápido de Covid-19. Além disso, eles ficarão em isolamento por 15 dias em um local cedido pela prefeitura, que ainda está sendo definido. 

    A prefeitura também destacou que o proprietário da embarcação será punido legalmente por infringir o decreto estadual. 

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