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    Covid-19


    Cepa da Covid-19 encontrada no AM gera mais carga viral, aponta estudo

    Pesquisa aponta que pessoa infectada com a P.1 pode ter até dez vezes mais vírus em seu organismo do que as contaminadas por outras variantes

    A pesquisa confirma o porquê de tantos casos no Amazonas serem registrados a partir do mês de janeiro deste ano | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - Um estudo feito por pesquisadores da Fiocruz Amazônia, liderado pelo pesquisador Felipe Naveca, aponta que a linhagem P.1, identificada pela primeira vez no Amazonas, possui uma carga viral dez vezes maior do que outras “versões” do vírus.

    O estudo, em outras palavras, indica que a quantidade de vírus no corpo de uma pessoa contaminada pela variante P.1 é dez vezes maior do que as variantes encontradas anteriormente no Amazonas, o que aponta também que esta variante se espalha mais rápido.

    A pesquisa confirma o porquê de tantos casos no Amazonas serem registrados a partir do mês de janeiro deste ano. A P.1 é uma das 18 variantes do novo coronavírus já mapeadas no Amazonas. Um estudo realizado anteriormente pela Fiocruz Amazônia, em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), confirmou a origem da P.1 e um aumento substancial na frequência dessa variante nas amostras analisadas.

    De acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, a carga viral de P.1 não varia entre homens idosos e adultos de outras idades. “A pesquisa não apontou diferença na carga viral entre homens e mulheres. Isso significa que ela pode ser igualmente transmissível por qualquer pessoa adulta. E isso é diferente do identificado nas outras cepas, em que os homens idosos têm uma carga viral mais alta”, confirmou o pesquisador.

    Ainda segundo Naveca, o aumento da quantidade de vírus no nariz e na garganta amplia a possibilidade de transmissão. “Quando o vírus está presente nestas regiões é ainda mais provável a transmissão. No entanto, ter uma maior carga viral no corpo não necessariamente piora a situação da covid-19 no paciente”.

    No total, 29 especialistas assinaram este artigo que teve os dados coletados entre março de 2020 e janeiro deste ano. A pesquisa ainda não foi publicada oficialmente. O texto está disponível na plataforma Research Square, que permite que artigos sejam debatidos por especialistas antes da publicação em uma revista científica.

    A origem da cepa mais contagiosa

     

    O Reino Unido anunciou no último domingo (28) ter identificado seis casos da covid-19
    O Reino Unido anunciou no último domingo (28) ter identificado seis casos da covid-19 | Foto: Divulgação

    A P.1 teria evoluído de uma outra cepa que circulava pelo Amazonas - a chamada B.1.1.28.  “A variante P1 não foi a responsável pela segunda onda. A variante P1 surgiu nesta segunda onda. Entre meados de novembro e dezembro nós já estávamos na segunda onda e ela se tornou predominante em janeiro”, afirmou o mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Inpa, Lucas Ferrante.

    Para Ferrante, esta variante que é ainda mais contagiosa, deve continuar em Manaus. E as festas de fim de ano propiciaram a maior transmissão viral que culminou na segunda onda.

    “Hoje nós temos essa variante como predominante e ela deve ser totalitária, ocupando todos os casos, até março. O que foi o responsável pela segunda onda foi a quebra de isolamento social".

     Variante P1 encontrada no Reino Unido

    O Reino Unido anunciou no último domingo (28) ter identificado seis casos da covid-19 em pacientes infectados pela variante P1, a mesma detectada em janeiro de 2021 em Manaus.

    No Reino Unido, foram diagnosticados três casos na Inglaterra e outros três na Escócia, segundo comunicado do PHE (Public Health England). “A cepa brasileira compartilha algumas mutações importantes com a variante identificada pela primeira vez na África do Sul. É possível que essa variante responda menos bem às vacinas atuais, mas é necessário mais trabalho para entender isso”, diz o comunicado da PHE.

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