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    Covid-19


    Sensação de proteção por ‘tratamento precoce’ aumenta taxa de contágio

    Dado da realidade em Manaus faz parte de pesquisa da Fiocruz Amazônia e Ufam, que buscou entender os principais fatores de risco para a pandemia na cidade

    Manaus (AM) - Um estudo desenvolvido pela Fiocruz Amazônia e pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) identificou que pessoas que fizeram "tratamento preventivo" para a Covid-19, com uso de medicamentos sem comprovação científica, tiveram uma maior taxa de infecção frente aos que não os utilizaram, em Manaus. Os pesquisadores associam essa realidade ao fato de as pessoas que recorrem a estes medicamentos, como a ivermectina, acabam se descuidando quanto aos modos mais seguros de evitar a doença, entre eles, o isolamento físico e o uso de máscara.

    "Tomar um medicamento preventivo pode causar uma falsa sensação de segurança e proteção contra a doença, levando ao descaso com outras medidas preventivas. Até hoje, as intervenções não farmacêuticas têm sido uma fonte debate no Brasil, dificultando os esforços de controle do SARS-CoV-2 e há conflitantes posições entre os governos estadual e federal no Brasil sobre o plano de ação de combate à covid-19, o que leva a um cenário que contribui para a disseminação do vírus", aponta o estudo.

    Colapso no AM

    O Amazonas enfrentou duas ‘ondas’ da Covid-19 e com isso superlotou os hospitais públicos e privados. A primeira onda ocorreu no início da pandemia e outra vez em janeiro, quando acabou o oxigênio nos hospitais e pacientes tiveram que ser transferidos para outros estados.

    A pesquisa também teve a maior quantidade de infecções por covid-19 em famílias de baixa renda, em pessoas com menos de 59 anos e em casas em que alguém já estava infectado. A prevalência da doença na população da cidade, segundo a pesquisa, é de 30%. "A renda familiar foi o mais forte fator de predição de infecção, com uma redução de 33% nas casas de renda mais alta em comparação com o grupo mais baixo. O acesso à saúde primária para o grupo economicamente vulnerável sempre foi um fator limitante em todo o mundo; durante a pandemia em curso, essa desigualdade foi ainda mais evidente", destacam os pesquisadores.

    Sem comprovação

     O presidente da República, Jair Bolsonaro, já fez propagandas do chamado ‘Kit covid’ com uma série de medicamentos para prevenir a covid-19, como hidroxicloroquina e ivermectina. No entanto, nenhum desses medicamentos têm eficácia comprovada contra a doença. Pelo contrário, vários estudos já mostraram que a cloroquina não tem ação contra a infecção pelo coronavírus.

    No caso da ivermectina, a fabricante do remédio ressaltou, em comunicado, que não há nenhuma evidência de que o medicamento combata a doença causada pelo novo coronavírus.

    Terceira onda no AM pode ocorrer em maio

     Uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), realizada por pesquisadores e cientistas do Brasil, publicada no mês de fevereiro, alerta para a terceira onda do coronavírus em maio na capital amazonense, caso medidas mais rígidas de combate à disseminação do vírus não sejam tomadas.

    Em entrevista ao EM TEMPO, um dos pesquisadores que assinou o parecer, o biólogo, mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Inpa, Lucas Ferrante, que também fez parte do estudo, publicado em agosto na Nature, que previu o segundo colapso na saúde em Manaus por causa da Covid-19, alerta que é necessário a vacinação de 90% dos manauaras, além de lockdown severo para conter a nova onda.

    “Para conter esta terceira onda e também a circulação da variante P1, nós precisamos de duas ações em combinação: um lockdown, que deverá durar de 20 a 30 dias envolvendo 90% da população de Manaus. E simultaneamente a vacinação de pelo menos 70% das pessoas”, ressalta o cientista.

    *Com informações do Correio Braziliense

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