Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    Em dois meses, segunda ‘onda’ mata mais do que todo o ano de 2020

    Número ainda pode aumentar, conforme aponta pesquisa científica. Enterros também aumentaram seis vezes a mais, em apenas dois meses

    Em Manaus, o número geral de enterros cresceu mais de seis vezes em 2021 | Foto: Bruno Kelly/ Reuters

    Manaus (AM) - Na semana em que o Amazonas chegou a triste marca de 11 mil mortos, outro dado alarmante também foi contabilizado. Nos dois primeiros meses de 2021, o Amazonas teve mil mortes a mais do que todo o ano de 2020. Os dados têm como base os boletins diários divulgados pela Fundação em Vigilância e Saúde (FVS).

    Mais de 70% das 11 mil mortes registradas no Amazonas ocorreram em Manaus, o que contabiliza um total de 7810 mortes desde o início da pandemia. Do início de 2021 até o dia 2 de março, data em que o estado alcançou as 11 mil mortes, Manaus registrou 4.430 mortes, o que representa 1.050 a mais do que no ano de 2020, que alcançou 3380 mortes.

    Em Manaus, o número geral de enterros cresceu mais de seis vezes em 2021. O cemitério Nossa Senhora de Aparecida, também conhecido como cemitério do Tarumã, contabilizou 823 enterros somente este ano. Os enterros no local começaram no dia 9 de janeiro. Este é o maior cemitério de Manaus

    Desde o início do ano, o cemitério do Tarumã precisou abrir uma nova área para sepultar as vítimas da Covid-19. Isso porque não há mais espaço dentro do planejado pela prefeitura de Manaus, administradora do local.

    O maior número de enterros foi registrado no dia 14 de janeiro, com 213 sepultamentos em menos de 24 horas. A média diária de mais de cem sepultamentos se manteve por pelo menos 45 dias seguidos.

    Sepulturas verticais

    O vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Manaus, Wallace Oliveira (Pros) chegou a propor ao prefeito David Almeida (Avante) que regularize a construção de sepulturas verticais nos cemitérios da capital amazonense. O objetivo é contribuir com uma solução rápida e eficaz para o problema de falta de espaço nos cemitérios, agravado pelo aumento no número de mortes por Covid-19.

    O prefeito de Manaus, David Almeida, afirmou em janeiro deste ano que serão construídas 22 mil sepulturas verticais no Cemitério do Tarumã, Manaus. A medida teria, segundo ele, o objetivo de evitar que a cidade sofra um colapso no sistema funerário.

    Terceira onda

    Uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), realizada por pesquisadores e cientistas do Brasil, publicada no mês de fevereiro, alerta para a terceira onda do coronavírus em maio na capital amazonense, caso medidas mais rígidas de combate à disseminação do vírus não sejam tomadas.

    Em entrevista ao EM TEMPO, um dos pesquisadores que assinou o parecer, o biólogo, mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Inpa, Lucas Ferrante, que também fez parte do estudo, publicado em agosto na Nature, que previu o segundo colapso na saúde em Manaus por causa da Covid-19, alerta que é necessário a vacinação de 90% dos manauaras, além de lockdown severo para conter a nova onda.

    "Para conter esta terceira onda e também a circulação da variante P1, nós precisamos de duas ações em combinação: um lockdown, que deverá durar de 20 a 30 dias envolvendo 90% da população de Manaus. E simultaneamente a vacinação de pelo menos 70% das pessoas”, ressalta o cientista.

    Leia mais

    Terceira onda no AM pode ocorrer em maio, afirmam cientistas

    Governo do AM aponta queda de mortes e casos da Covid-19

    Cepa da Covid-19 encontrada no AM gera mais carga viral, aponta estudo