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    Enchentes


    Rio Negro em Manaus pode atingir cheia histórica em 2021

    De acordo com Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a possibilidade de a capital do estado Amazonas enfrentar uma enchente severa, quando o nível do rio Negro supera os 28 metros, é de 80%

     

    Apesar de previsão de cheia, a cota máxima do rio Negro deste ano tem poucas chances de superar o recorde histórico de 2012
    Apesar de previsão de cheia, a cota máxima do rio Negro deste ano tem poucas chances de superar o recorde histórico de 2012 | Foto: Reprodução

    MANAUS - As cheias enfrentadas pelos municípios do sudoeste do Amazonas podem ser uma prévia do que está prestes a acontecer em Manaus. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a possibilidade de a capital do Amazonas enfrentar uma enchente severa, quando o nível do rio Negro supera os 28 metros, é de 80%.

    Ao EM TEMPO, a pesquisadora em Geociências da CPRM, Luna Gripp Alves, destacou que a previsão é de que a cota máxima deve ser atingida pela capital entre junho e julho, na faixa de 28,55m a 30,35m. Para a pesquisadora, a cheia rigorosa em Manaus é reflexo das chuvas intensas registradas na bacia amazônica desde o início do ano, causadas pelo fenômeno La Niña.

    "É possível notar, a partir de Janeiro, grandes volumes de chuvas ocorridas em toda a bacia amazônica, resultando em uma forte elevação no nível do rio Negro em Manaus. Isso ocorre porque a cidade está localizada bem próxima à foz do rio, ou seja, o trecho do rio Negro que percorre a frente da capital possui um volume de água acumulada de todas as precipitações pluviométricas que caem sobre seu curso desde a nascente, na Colômbia ", explicou a pesquisadora.

     

    Dados históricos
    Dados históricos | Foto: Alexandre Sanches/Em Tempo

    Luna Alves também destaca que o rio Solimões, por ter mais velocidade e ser mais denso do que o rio Negro, possui ainda mais influência sobre as enchentes que ocorrem em Manaus.

    "Quando as águas do rio Solimões estão muito volumosas, é como se fosse criado uma barreira, que impede a passagem do rio Negro, fazendo com que as suas águas 'invadam' a capital. É tão significativa a participação do Solimões nos fenômeno das cheias, que em muitos casos, ele tem mais influência nas enchentes registradas em Manaus, do que o próprio rio Negro", detalhou a Luna Gripp.

    De acordo com o CPRM, as chuvas registradas são explicadas pelo fenômeno La Ninã, que aqueceu as águas do oceano pacifico e provocou chuvas intensas no Brasil, especialmente na Amazônia, desde o início do ano.

    Apesar do Serviço Geológico do Brasil estimar chance de 80% para ocorrer uma cheia severa em Manaus, neste ano, Luna Gripp destaca que as chances para uma enchente semelhante a de 2012, quando o nível do rio Negro chegou a 29,97 metros, é somente de 17%.

    Para se ter uma ideia, no dia 1º de abril de 2012, o nível do rio Negro era de 27,71 metros. Já nesta quinta, exatamente nove anos depois, o nível registrado é de 27,34 metros.

     

    Em 2012, diversas ruas de bairros da Zona Sul de Manaus ficaram completamente inundadas
    Em 2012, diversas ruas de bairros da Zona Sul de Manaus ficaram completamente inundadas | Foto: Agência Reuters

    "É improvável que a cheia de 2012 se repita este ano"

    O engenheiro Valderino Pereira, servidor lendário do Porto de Manaus, que atua na medição do nível do rio Negro há mais de 30 anos, também prevê uma cheia significativa, mas não acredita que os níveis de 2012 vão se repetir este ano. Contudo, o experiente funcionário é cauteloso ao falar de fenômenos da natureza.

    "Este ano, seguramente, o rio atingirá uma marca máxima superior ao do que foi registrado no ano passado. Só de quarta-feira (31/3) para hoje, o rio já subiu seis centímetros. É provável que nós teremos uma cheia significativa este ano, mas pelo que tenho visto, aquele recorde de 2012 não irá se repetir em 2021. Apesar da chance ser pequena, não podemos duvidar da força da natureza, nós lidamos com estimativas, por isso não impede que sejamos surpreendidos'', afirmou o lendário medidor do rio.

    Cheias na calha do Juruá

    Desde meados de fevereiro, os municípios do sul e sudoeste do estado estão sendo castigados por enchentes rigorosas. Os mais afetados são Boca do Acre e Pauini, na calha do rio Purus; e Carauari, Envira, Eirunepé e Guajará, na calha do Juruá. Em ambos os municípios, foi decretado situação de emergência por causa das enchentes.

     

    Rua de Carauari inundada pela enchente
    Rua de Carauari inundada pela enchente | Foto: Reprodução/Secom

    Frequência retrata descontrole ambiental 

    Após a maior cheia história, em 2012, o rio Negro voltou a registrar uma cota histórica apenas três anos depois, quando alcançou uma cota de 29,66 metros, em 2015. A frequência com que fenômenos extremos ocorrem tem sido alvo de diferentes estudos que buscam entender a causa para tamanho desequilíbrio ambiental.

    Em 2018, uma pesquisa publicada na revista Science Advances revelou que as cheias e secas extremas eram registradas em um intervalo médio de 20 anos, até a primeira metade do século XX. No entanto, a partir da metade do século passado, esses fenômenos passaram a ocorrer a cada quatro anos. 

    Devido a um forte aquecimento do oceano Atlântico e o esfriamento do Pacífico no mesmo período, observam-se mudanças na circulação de Walker, o que afeta as precipitações sobre o Amazonas”.

    Quanto às causas, os investigadores não têm muita certeza. Boa parte deste padrão pode ser decorrente de uma variabilidade natural que pode operar em períodos muito longos, superiores ao início dos registros em 1903. Mas a mudança climática, com seu aquecimento global, está afetando os padrões da circulação atmosférica global.

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