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    Pandemia


    Risco de terceira onda da Covid no Amazonas preocupa autoridades

    De acordo com o vice-diretor da Fiocruz Amazônia Felipe Naveca, o Amazonas espelha de uma maneira geral o Hemisfério Norte em relação aos vírus respiratórios

     

    Possibilidade de terceiro pico da doença tem sido debatido pelo Governo do Estado e pela Aleam
    Possibilidade de terceiro pico da doença tem sido debatido pelo Governo do Estado e pela Aleam | Foto: Brayan Ricker

    MANAUS - Hospitais lotados, filas de pessoas desesperadas em busca de oxigênio e ruas desertas. As cenas do horror causadas pela segunda onda da Covid-19 no estado ainda estão intactas nas memórias dos amazonenses. No entanto, é cada vez maior, entre as autoridades, o temor de que o estado seja atingido por um terceiro pico da doença.

    Na última quinta-feira (1), durante o anúncio do novo decreto que deixou as medidas restritivas mais brandas em todo o Amazonas, o governador Wilson Lima foi categórico ao destacar a relação entre Manaus e a Europa, que já enfrenta uma terceira onda do novo coronavírus.

    “Há a preocupação com a possibilidade de um terceiro pico, isso é real, porque está acontecendo na Alemanha e na França, por exemplo. E por que eu falo isso? Porque toda vez que a situação se agrava na Europa, isso acaba se repetindo aqui no Amazonas", afirmou o governador.

    Apesar do número de casos e de mortes por Covid-19 apresentarem tendência de queda no Amazonas, o governador destaca que todos os cuidados precisam ser mantidos. “Não dá para vivermos em festas, e agir como se nada estivesse acontecendo. A situação e os riscos pelos quais estamos vivendo ainda é muito sério", pontuou Lima. 

    O temor em meio a um cenário pandêmico imprevisível também chegou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A Comissão de Saúde e Previdência da Casa agendou, para a próxima quarta-feira (7), uma audiência pública para debater medidas que devem ser adotadas em caso de terceira onda de Covid-19.

     

    Velocidade de contágio é um desafio para que a vacinação evite uma terceira onda
    Velocidade de contágio é um desafio para que a vacinação evite uma terceira onda | Foto: Reprodução

    Ao EM TEMPO, o pesquisador Lucas Ferrante, mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), também alertou sobre o sério risco de uma terceira onda da Covid-19 no Amazonas.

    “Mais contagiosa, a variante P1 agravou a segunda onda da doença no Amazonas e pode contribuir para o surgimento de uma mutação do novo coronavírus ainda mais potente e resistente às vacinas”, disse o pesquisador.

    Para Ferrante, somente a manutenção de medidas restritivas rigorosas e o aumento da velocidade da imunização de toda a população serão capazes de impedir um novo pico da doença no Amazonas.

    O pesquisador faz parte do grupo de pesquisadores que reúne especialistas em várias áreas e que em agosto de 2020, publicou um estudo na revista Nature Medicine prevendo a segunda onda em Manaus.

    Terceira onda já é realidade na Europa

    Países como França e Itália voltam, mais uma vez, a confinar boa parte de sua população. Já a Alemanha, que havia planejado relaxar timidamente as medidas restritivas, também decidiu endurecer as regras de isolamento social em todo o país.

     

    França, na Europa, enfrenta terceira onda
    França, na Europa, enfrenta terceira onda | Foto: LUDOVIC MARIN / AFP

    A terceira onda do novo coronavírus já é uma realidade no continente europeu. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente nas últimas três semanas, a incidência de casos no continente subiu 34%.

    Mesmo com um percentual de população vacinada superior ao de países como o Brasil, por exemplo, a taxa de contaminação tem conseguido superar a velocidade da propagação de cepas mais contagiosas do vírus, como a variante do Reino Unido.

    Afinal, por que Manaus é um espelho do continente europeu?

    De acordo com o vice-diretor da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, o Amazonas espelha de uma maneira geral o Hemisfério Norte com relação aos vírus respiratórios. Os surtos, de vírus como a influenza (gripe), ocorrem primeiro em Manaus e, em seguida, no Sul e Sudeste do país.

    Uma das explicações é as mudanças climáticas. Em Manaus, o período de maior circulação de vírus respiratórios começa no final de novembro e vai até maio, coincidindo com o período chuvoso da Amazônia. Enquanto que nas demais regiões do Brasil, como o Sudeste, o pico começa a partir de Maio, justamente durante o inverno.

     

    A doença já matou mais de 12 mil pessoas no Amazonas
    A doença já matou mais de 12 mil pessoas no Amazonas | Foto: Alex Pazuello/Secom

    “Qualquer estado ou país tem a chance de enfrentar uma terceira onda, tudo depende do quanto o vírus vai continuar evoluindo e do avanço da vacinação”, afirmou o pesquisador.

    Número de casos

    Até domingo (4), o Amazonas havia registrado 352.976 casos de Covid-19 em todo o estado. Além disso, 12.107 vidas foram perdidas para a doença.

    Enquanto isso, já foram aplicadas 587.176 doses de vacina contra a Covid, sendo 445.184 da primeira dose e 141.992 da segunda dose, o que torna o Amazonas o quinto estado com o maior percentual da população vacinada do país. 

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