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    AGLOMERAÇÃO


    Exclusivo: médico e enfermeira estavam em barco com aglomeração, no AM

    Passageiros chegavam a pagar até R$ 11 mil para participar de festas com DJ e open bar, além de visita a comunidades indígenas da região

    Embarcação foi alcançada no Rio Negro | Foto: Reprodução

    Manaus - Na última terça-feira (6), a Polícia Civil do Amazonas desarticulou uma festa clandestina que já se estendia por três dias e contava com a presença de, ao menos, 60 pessoas. Entre os passageiros, estavam um médico e uma enfermeira, os quais não tiveram a identidade revelada. Todos foram autuados no artigo 268 do Código Penal, que considera crime infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa.

    A operação contou ainda com o apoio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e do Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera). O delegado desta última unidade, Juan Valério, deu detalhes da ocorrência em entrevista exclusiva ao EM TEMPO e citou os profissionais de saúde presentes na embarcação.

    "Quando anunciamos a operação para os presentes, para a nossa surpresa um homem se identificou como médico e uma mulher como enfermeira. Ambos estavam embriagados, sem máscara, e repetiam com arrogância que haviam sido vacinados e testado negativo para a covid-19", contou o delegado.

     

    Segundo ele, os profissionais de saúde ainda desacataram os policiais, alegando que estes "não sabiam o que estavam fazendo".

    "Disseram para a equipe que nós não sabíamos de nada, diferente deles, que tínhamos de ir atrás de bandidos, não fazer aquilo", afirmou Valério.

    A identidade do médico e da enfermeira não foi divulgada, assim como de nenhum dos 60 passageiros que estavam na embarcação. Embora tenham sido autuados, todos assinaram apenas Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e depois foram liberados. 

    A data do flagrante, 6 de abril, foi ainda o dia em que o Brasil registrou um recorde no número de mortes por Covid-19 em 24 horas, 4.195 vítimas. O dado é do Conselho Nacional de Secretários da Saúde.

    Polícia chegou na hora da festa

    A alteração, que ocorreu na terça (6), teve início após a Polícia Civil receber denúncias de aglomeração em uma embarcação na região do Tarumã, bairro na Zona Oeste de Manaus. Em atendimento à diligência, a PC solicitou apoio tático e operacional do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e grupo Fera.

     

    Turistas foram levados a aldeias indígenas durante o passeio
    Turistas foram levados a aldeias indígenas durante o passeio | Foto: Reprodução

    Ao chegarem no local, as forças policiais avistaram de longe duas embarcações, uma delas com uma festa em curso e aglomeração na parte superior do navio. Enquanto aproveitavam o por do sol da região, os passageiros se divertiam com uma mesa de DJ e bebida à vontade. 

    "Quando nos aproximamos do barco principal, o som foi desligado para disfarçar que não havia uma festa em curso, mas o salão contava com decorações amazônicas e iluminação. Além disso, quase todos os passageiros estavam bêbados e sem máscara", detalhou o delegado Juan Valério.

    Experiência amazônica 

    De acordo com a polícia, o evento havia sido intitulado 'Amazon Immersion' e contava com três embarcações, embora apenas uma delas levasse os passageiros no momento do flagrante, o navio Ana Beatriz 1. O evento durou cinco dias, entre 2 e 6 de abril, e os ingressos custaram 2,100 dólares (R$ 11,1 mil) por pessoa. 

     

    Quarto da embarcação de luxo
    Quarto da embarcação de luxo | Foto: Reprodução

    Além das festas, comida e bebida liberadas, o banner de anúncio do passeio promete uma 'experiência amazônica única', com visita a comunidades indígenas dos povos Dessana, Tikuna, Kubeua, Tuyuka, dentre outras.

    Segundo o delegado Juan Valério, a maior parte dos integrantes da festa era de origem europeia, mas havia alguns brasileiros de outros estados. Em ambos os casos, os passageiros foram autorizados a retornar ao seu local de origem, mas sob a promessa de serem chamados para responder ao crime por carta precatória (brasileiros) e rogatória (europeus).

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