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    PANDEMIA


    Amazonas vive 'falsa normalidade' pós-segunda onda, apontam dados

    Números oficiais mostram que o Estado está estabilizado em uma curva alta de internações e infectados

    Jovem se debruça sobre carro da funerária, aos prantos, no cemitério Tarumã, em Manaus | Foto: Brayan Riker

    Manaus - Em janeiro deste ano, o Brasil assistiu ao Amazonas definhar com a falta de ar durante a crise de oxigênio que atingiu o Estado. Por dias, os jornais mostraram pessoas a morrer asfixiadas dentro e fora de hospitais.

    O cenário de guerra seguiu por todo o mês de janeiro e fevereiro, até demonstrar índices de queda após sucessivas mortes. O problema maior é que, embora os números de infectados, internados e de óbitos tenha caído, até o momento, todos estão estabilizados em uma curva alta. 

    Dados da Prefeitura de Manaus e Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) mostram que houve redução de apenas 10% na média de novos casos no estado, entre 5 a 11 de abril. A comparação é com os 14 dias anteriores.

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    A média dessa semana foi de 879 casos por dia que segue igual a 1,3 vezes a mais do que aquela da 1ª semana de dezembro, ou seja, de antes da escalada da segunda onda da pandemia no estado. "

    Henrique Pereira e Danilo Egle, Painel covid-19

     

    Internações

    Da mesma forma, as internações caíram 12%, o que significa que houve queda. No entanto, ainda não é possível dizer, com clareza, que há uma desaceleração da pandemia no Amazonas apenas com esses indicadores discretos. 

    Segundo boletim diário da FVS-AM, Manaus estava com 73,23% de taxa de ocupação de leitos de UTI, até este domingo (11). Além disso, 14 pacientes estavam na fila aguardando transferência para leito hospitalar de covid-19.

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    Com 37 internações diárias em média no Amazonas, os dados desta última semana ainda estão 10% acima do que os valores do início de dezembro. Mais um indicador que não demonstra tendência de desaceleração significativa. "

    Henrique Pereira e Danilo Egle, Painel covid-19

     

    Segundo o Atlas,  a ocupação de leitos de UTI reservados para covid-19 caiu 7%, mas ainda é o dobro do 'normal' de dezembro de 2020, antes do início da segunda onda. 

    Efeitos da vacina

    Os mesmos números mostram que a imunização da população já surte efeito na letalidade hospitalar. Por seis vezes seguidas, houve redução do número de pacientes que faleceram internados.

    Para o Atlas, essa variação pode estar associada ao início da vacinação e amplitude do seu alcance em idosos acima de 60 anos, embora a velocidade de aplicação das vacinas pudesse ser acelerada. 

    Perigo de novo pico

    O Amazonas começou o início da vacinação no Brasil como o Estado que mais imunizava, em comparação aos outros. No entanto, perdeu esse posto ao longo do tempo para o Rio Grande do Sul. Até 10 de abril, o AM havia vacinado 11,54% da população, enquanto o RS, 14,47%.

    Além disso, em 31 de março, o Governo do Amazonas anunciou novas medidas para flexibilização das medidas de restrição. Foram autorizados shows ao vivo em bares e restaurantes, e a abertura de balneários, sob a promessa de capacidade reduzida de banhistas. 

     

    Sepulturas no cemitério Tarumã, Zona Oeste de Manaus
    Sepulturas no cemitério Tarumã, Zona Oeste de Manaus | Foto: Brayan Riker/Em Tempo

    Tanto a vacinação quanto a flexibilização das medidas têm sido apontadas como riscos para um novo pico da pandemia. Além disso, festas clandestinas continuam a ser desarticuladas todos os dias pela Central Integrada de Fiscalização (CIF), uma poderosa força-tarefa com órgãos municipais e estaduais. 

    Com os números estabilizados em alta e a possibilidade de novas aglomerações, surge a pergunta: podem os olhos amazonenses terem se acostumado com a tragédia ao ponto de deixar de perceber que o coronavírus continua um risco à saúde pública? 

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