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    Pesquisa


    Estudo aponta grave desigualdade racial, étnica e de gênero em Manaus

    Estudo mostra que as populações indígena e negra de Manaus são as que apresentam o menor acesso adequado à água

    Cheia evidencia pobreza em palafitas de Manaus | Foto: Arquivo EM TEMPO

    MANAUS - Pesquisadores do projeto Amazônia Legal Urbana apresentaram um novo estudo que revela grave desigualdade social, étnica e de gênero em Manaus. Os dados apresentados no webnário ‘Análises Socioespaciais sobre Mudanças Climáticas na Amazônia Legal Urbana: Manaus’ mostram como os efeitos das mudanças climáticas, como as cheias que ocorrem na capital, atingem de forma diferente cada grupo social, de acordo com a raça, etnia e gênero dos habitantes.

    O estudo demonstrou que condições de vida e saúde possuem influência de diversos fatores. Entre estas condições estão as mudanças climáticas, que influencia na cheia dos rios, inunda casas e traz doenças para os moradores de áreas mais pobres. E a qualidade do ar sofre alterações por diversos fatores como os automóveis e a indústria. Esses eventos além de transmitir doenças, reduzem a qualidade da água e aumentam a segurança alimentar de cada pessoa.

    De acordo com o estudo, esses fatores influenciam os grupos raciais e étnicos, o que faz se tornar mais visível as desigualdades sociais. Segundo a pesquisa, as populações indígena e negra são as mais afetadas pelas desigualdades sociais. As mulheres também apresentaram uma proporção desigual em relação aos homens quando o assunto é referente ao gênero.

    Para o sociólogo e cientista político, Luiz Antônio Nascimento, o estudo apresentou dados importantes, mas é preciso que políticas públicas resolvam essas desigualdades. 

    “O estudo é importante para levantar a questão, mas é preciso que as autoridades admitam que algo está errado e quando reconhecerem, passem a gerir políticas públicas que diminuam essas desigualdades”, pondera

     

    Quando o assunto é o acesso à água potável, as populações indígenas e negras de Manaus são as que apresentam o menor acesso adequado, com rede geral com canalização e os piores indicadores estão entre as mulheres.

    O estudo mostrou também que na cidade, 72,16% da população se autodeclara negra e 0,24%, indígena, sendo que 43,39% não têm nenhuma renda; 22,01% vivem com renda domiciliar de até 1 salário mínimo; e 24,73% vivem com renda domiciliar entre 1 e 3 salários mínimos.

    O estudo enfatizou que Manaus é a terceira com mais baixo índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país, de 0,74. A capital amazonense, com isso, está distante de assegurar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “O estudo dá visibilidade ao que os movimentos sociais já dizem há muitos anos”, destaca Luiz Antônio.

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