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    Cheia


    Cheia histórica afeta feirantes em Manaus e no interior do AM

    Na Feira Manaus Moderna, comerciantes e clientes transitam por meio de pontes de madeira, improvisadas após ação da prefeitura

     

    Com a subida do Rio Negro, que alcançou 29,6 metros nesta quinta-feira (13), a parte mais afetada é o Centro da capital, que permanece alagada há ao menos duas semanas
    Com a subida do Rio Negro, que alcançou 29,6 metros nesta quinta-feira (13), a parte mais afetada é o Centro da capital, que permanece alagada há ao menos duas semanas | Foto: Divulgação

    MANAUS -  Em estado de emergência, Manaus passa pela sétima maior cheia da cidade, desde o início de registros em 1902. Com a subida do Rio Negro, que alcançou 29,64 metros nesta sexta-feira (14), a parte mais afetada é o Centro da capital, que sofre com alagamentos há ao menos duas semanas.

    Na Feira Manaus Moderna, comerciantes e clientes transitam por meio de pontes de madeira, improvisadas após ação da prefeitura. Além da medida, estão sendo disponibilizadas balsas para a continuidade do trabalho de 200 feirantes, de acordo com informações do secretário Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), Renato Junior.

    Atualmente, o terminal pesqueiro em frente à feira da Panair já conta com duas estruturas, anteriores à proposta da Semacc. Para o autônomo Jessé Freitas, 30, que trabalha com comércio de peixes, as balsas vêm sofrendo constantes prejuízos.

      “Trabalho na área há 15 anos e isso sempre aconteceu. Quando tem enchente, a balsa começa a baixar e inundar. Isso acontece pelo peso dos clientes, comerciantes e produtos. A estrutura é de madeira, e esperamos melhorias. Além disso, as feiras estão abandonadas e sem supervisão alguma. Continuamos trabalhando no local, porque nos unimos, tentando fazer tudo por conta própria. A encanação está suja, a água acumula e o cheiro é de urina e fezes”, explicou Freitas.  

    Fornecimento

    Além da dificuldade de locomoção, os feirantes contam com problemas no fornecimento dos produtos que chegam do interior.  De acordo com o agricultor Jeremias Moraes, 28, morador da região do Baixo Iranduba, as inundações dificultam a colheita para envio a Manaus.

    “Todo ano, quando vem a cheia, acabamos perdendo muita coisa. Nós até nos preparamos, plantando em áreas mais altas, mas nem sempre isso adianta. Esse ano piorou demais e várias famílias estão com suas casas debaixo d’água. Estamos usando marombas (pontes de madeira), mas se encher mais, muitas pessoas terão que ir embora”, lamentou Moraes, que está com o piso da moradia acima de apenas 70cm da água do rio.

    Ainda de acordo com o autônomo, o município conta com uma vasta plantação de melancias para fornecer a Manicoré, durante o evento tradicional. “Festa da Melancia”. Para o agricultor, a falta de auxílio financeiro por parte do governo piora ainda mais a situação.

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    Com os alagamentos, não conseguimos nem plantar melancia. É difícil de se recuperar e muitas vezes somos esquecidos, mesmo sendo de grande importância para a sociedade. Sem plantação, não existe retorno financeiro. Vai ser muito difícil cobrir essas perdas sem auxílio do governo "

    Jeremias Moraes, agricultor

     

    Mobilização de autoridades

    Na última quinta-feira (13), o prefeito David Almeida (Avante) anunciou que solicitará à Câmara Municipal de Manaus o aumento do Auxílio Aluguel para R$ 500, com o objetivo de beneficiar as mais de 3 mil famílias atingidas pela cheia na capital amazonense. A meta do prefeito é inserir no benefício a complementação de R$200 aos R$ 300 já pagos pela Prefeitura de Manaus pelo Auxílio Aluguel.

    “Estou tentando antecipar o ‘Auxílio Aluguel’ para essa primeira metade do mês. Quanto à complementação, no valor de R$ 200, ainda é preciso mandar a Mensagem para a Câmara Municipal, mas o valor irá contemplar mais de 3 mil famílias atingidas pela cheia. Além disso, todas as mais de 4.700 famílias já mapeadas que sofrem com a subida dos rios irão receber, nos próximos dias, cestas básicas e kits de higiene e dormitório”, garantiu David Almeida.

    Além da medida proposta pela prefeitura, parlamentares na Câmara também buscam soluções. É o caso do Auxílio Estadual Enchente, solicitado pelo vereador Rodrigo Guedes (PSC), e destinado a famílias afetadas pela cheia no Amazonas. De acordo com o vereador, muitas famílias manauaras estão sofrendo com os efeitos da cheia tanto quanto as dos municípios do interior do Estado.

    O Auxílio Enchente pagará uma parcela única de R$ 300 a 100 mil famílias nos municípios em que for decretado estado de emergência ou calamidade pública. Atualmente, 20 dos 62 municípios do estado já decretaram estado de emergência, inclusive Manaus. Apesar disso, as famílias da capital amazonense não estão previstas para receberem o benefício.

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