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    Manacapuru


    Gestor de escola retorna ao cargo após ser ameaçado por vereador no AM

    Após reportagem do Em Tempo, o Ministério Público do Estado devolveu ao gestor escolar Jackson Azevedo o cargo. Ele havia sido afastado após obrigar um vereador a usar máscara na escola em que atua, em Manacapuru

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus - O gestor escolar Jackson Azevedo retornou ao cargo de diretor da  Escola Municipal Zoraida Ribeiro Alexandre, em Manacapuru. Ele havia sido afastado após ameaças de exoneração feitas pelo vereador Gerson D'Angelo (Republicanos-AM), que foi impedido de entrar no colégio por estar sem máscara e que, ao ser advertido pelo diretor, o injuriou e desacatou dentro do ambiente escolar, quando o mesmo estava no exercício de suas funções

    A 2ª Promotoria de Justiça de Manacapuru conseguiu na Justiça a anulação do ato administrativo que afastou o professor da direção da escola. A ação foi ajuizada pela Promotora de Justiça Tânia Maria de Azevedo e deferida pelo Juiz David Nicollas Vieira Lins.

    O afastamento do professor havia sido determinado pelo Secretário Municipal de Educação, Raimundo Conde, sob a justificativa de abertura de sindicância sobre os fatos ocorridos no dia 25 de maio, quando, nas dependências da referida escola o vereador Gerson D’Ângelo, que é primo do atual prefeito Betanael D’ângelo, adentrou no recinto sem máscara e, ao ser advertido pelo diretor da escola, o injuriou e o desacatou, inclusive com expressões de baixo calão.

    O juiz deferiu parcialmente o pedido do MPAM, determinando que o professor reassumisse a função de gestor e mantendo a sindicância instaurada pela Secretaria Municipal de Educação para apuração dos fatos. O juiz entendeu que o vereador, além de se recusar a cumprir o protocolo de segurança com o uso de máscara, agrediu verbalmente o gestor, o vigia e outros servidores que se encontravam na escola.

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    O Ministério Público entende que a Justiça foi feita. Vamos continuar apurando os fatos por meio dos procedimentos que tramitam na Promotoria de Justiça, bem como acompanhando a sindicância em trâmite na Secretaria de Educação. O professor volta a exercer a função de gestor da escola e vai continuar respondendo à sindicância porque acreditamos que é do interesse dele também que todos os fatos sejam apurados "

    relatou, a relatou a Promotora de Justiça.

     

    Quando foi afastado do cargo, o diretor  Jackson informou ao Em Tempo que estava revoltado com a situação, pois não tinha feito nada além de cumprir o que exige a função dele como responsável pela escola, e que a própria Câmara dos Vereadores do Município de Manacapuru aprovou. "Nada fiz nada a não ser exigir o cumprimento de uma lei Municipal que a própria Câmara aprovou", afirma.

    Entenda o caso

    Na última terça-feira (25), o vereador Gerson D'Angelo tentou entrar na escola municipal, mas foi impedido pelo porteiro do local por estar sem máscara. O auditório do colégio está sendo utilizado para sessões plenárias, já que a Câmara Municipal da cidade foi alagada pela cheia do Rio Negro.

    O caso aconteceu por volta das 7h45, e o porteiro pediu a D'Angelo que utilizasse uma máscara. Segundo testemunhas, o vereador se recusou a pôr o equipamento de proteção, mesmo com a insistência do servidor da escola.

    Nesse momento, o diretor do colégio chegou no local e viu de longe a confusão.

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    Ainda dentro do carro, vi o vereador gesticular com o segurança, que se aproximou do meu carro e bateu no vidro. Saí do veículo e, ao entender sobre o que se tratava, também pedi que ele colocasse uma máscara. Além de se recusar novamente, o vereador me mandou tomar 'naquele lugar "

    Jackson Araújo, gestor da escola

     

    Consternado com a situação, Jackson chamou a Polícia Militar de Manacapuru, e acusou o vereador de desacato ao servidor público. Gerson D'Angelo estava sendo assistido por populares e outros vereadores, e, por se sentir constrangido, prometeu que no mesmo dia mandaria transferir o diretor da escola para outro lugar.

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