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    DESIGUAL


    Políticos usam carros e oferecem bicicleta para agentes de saúde em PF

    Agentes Comunitários de Saúde de Presidente Figueiredo precisam se locomover pelo município de bicicletas


    Políticos usam carros e oferecem bicicleta para agentes de saúde
    Políticos usam carros e oferecem bicicleta para agentes de saúde | Foto: Divulgação

    PRESIDENTE FIGUEIREDO (AM) - A prefeita Patrícia Lopes (MDB) participou de uma cerimônia de entrega, no início do mês, de dezenas de bicicletas destinadas aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS's) responsáveis pelo acompanhamento da população, especialmente dos moradores que residem nas dezenas dos ramais localizados na 'terra das cachoeiras'. A medida poderia ser até positiva, se não significasse um enorme retrocesso.

    Há pouco tempo, antigas gestões chegaram a oferecer motonetas aos agentes de saúde, mas a iniciativa foi descontinuada ao longo dos últimos anos.

    Em uma pandemia contra a qual os trabalhadores da saúde estão lutando na linha de frente desde o início da crise sanitária, as longas distâncias e as péssimas condições das vias de acessos aos ramais do município são mais barreiras enfrentadas pelos ASC's.

    Sob a condição de anonimato, uma agente de saúde confidenciou ao EM TEMPO a decepção que sentiu após saber que as motonetas não seriam mais utilizadas pelos agentes de saúde. "Votei nela [na Patrícia Lopes] porque achava que ela nos daria as motos novamente. As estradas estão horríveis, muito buraco. De moto já era difícil, com bicicleta vai ser pior ainda. A gente não quer luxar, não queremos esses carros utilizados pelos políticos aqui do município, só queremos trabalhar com dignidade", afirmou a agente de saúde.

    Nas redes sociais, também choveram críticas à medida adotada pela prefeitura. "É uma volta ao tempo regredir. Há mais de 20 anos no é ACS, e só Deus sabe o sofrimento que é entrar e sair nas vicinais de bicicleta. Devolvam pelo menos a motoneta que já ajudavam muito. Isso é uma pouca vergonha", afirmou uma internauta.

    Prefeitura assinará contrato milionário

    A crise econômica causada pela pandemia da Covid-19 até poderia justificar a preferência por bicicletas, pelo seu custo reduzido, mas a incoerência com que o dinheiro público tem sido empregado em Presidente Figueiredo deixa dúvidas sobre a real intenção dos gestores do alto escalão da prefeitura.

    Na última semana, a administração de Patrícia Lopes anunciou uma despesa de R$3,5 milhões pela contratação de serviços de aluguel de veículos leves. As despesas foram publicadas em um despacho do Diário Eletrônico Oficial dos Municípios. No documento, a prefeitura informa que a empresa manauara Maximus – Locadora de Veículos Conservação de Edifícios e Serviços Administrativos LTDA, foi a vencedora do pregão eletrônico.

    A contratação dos serviços prevê o pagamento em quatro lotes: Lote 1, com o valor de R$ 392.400,00 (trezentos e noventa e dois mil e quatrocentos reais); Lote 2, com o valor de R$ 2.856.600,00 (dois milhões oitocentos e cinquenta e seis mil e seiscentos reais) e Lote 3, com o valor de R$ 266.400,00 (duzentos e sessenta e seis mil e quatrocentos reais), pelo período de 12 meses.

    O que chama a atenção é que não há, em nenhuma parte do documento, qualquer justificativa sobre a contratação dos serviços e onde os veículos alugados serão empregados.

    A mesma empresa já havia fechado contrato com a prefeitura nos primeiros dias da gestão de Patrícia Lopes. Naquela época, foram contratados mais de 37 veículos, incluindo 20 pickups. No documento, a prefeitura explicou a contratação do serviço com uma justificativa genérica, afirmando que os carros foram alugados "para atender as necessidades das secretarias municipais do município de Presidente Figueiredo", sem dar maiores detalhes. 

    Sem resposta

    Questionada pelos problemas citados ao longo da matéria, a assessoria da Prefeitura do Município não emitiu nenhuma declaração até o fechamento desta edição.

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