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    Acidentes fatais


    Afogamento é segunda maior causa de mortes acidentais de crianças

    Em apenas um mês, o EM TEMPO noticiou a morte de quatro crianças por afogamento. Três dessas tinham menos de quatro anos

     

    Mãe do pequeno Eduardo se desesperou ao saber que o filho morreu afogado
    Mãe do pequeno Eduardo se desesperou ao saber que o filho morreu afogado | Foto: Suyanne Lima

    MANAUS - Ter uma piscina em casa exige alguns cuidados, principalmente quando o ambiente é frequentado por crianças. Um momento de desatenção pode levar a algum acidente ou até a uma tragédia. Outros lugares com uma grande quantidade de água como os rios também precisam da supervisão dos adultos quando as crianças estão por perto.

    Praias, piscinas e flutuantes são opções comuns de lazer para quem mora ou visita o Amazonas. Mas medidas de prevenção são imprescindíveis para evitar eventuais incidentes. Dados fornecidos pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) mostram que 15 brasileiros morrem diariamente no Brasil, vítimas de afogamento. Crianças de 1 a 4 anos são as que mais falecem entre todas as idades. Segundo o Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), foram registrados no Amazonas de janeiro a abril deste ano, 26 mortes por afogamento em todo o estado. Dezesseis deles ocorreram no interior.

    No dia 20 de abril, a pequena Isadora Tupinambá de apenas 2 anos, filha do vereador Babá Tupinambá, faleceu no município de Parintins após cair na piscina da casa da família, o que reacendeu o alerta sobre os cuidados com as crianças próximos de ambientes com água.

      Em abril deste ano, o EM TEMPO noticiou não só este, mas outros três afogamentos em todo o Amazonas. Dados fornecidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas mostram que no mês de abril deste ano, seis pedidos de socorro foram de afogamento. Quatro deles eram crianças.  

    No dia 11 de abril, um acidente de lancha em Barreirinha ceifou a vida de Pedro Henrique, de apenas 7 anos. Outro acidente envolvendo embarcação, no dia 26 do mesmo mês, levou a vida de um bebê de 9 meses que desapareceu, no Lago do Mariano, bairro Tarumã-Açu, Zona Oeste de Manaus. A criança estava em um barco de pequeno porte, conhecido como "rabeta", que naufragou.

    Os outros afogamentos foram o da menina Isadora Tupinambá, em Parintins, no dia 20 e o de uma outra criança, de 1 ano e meio, identificada como Eduardo, que caiu de um flutuante onde morava no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus, enquanto brincava no dia 30 de abril.

     

    No dia 20 de abril a filha do vereador de Parintins, Babá Tupinambá, morreu afogada na piscina da sua casa
    No dia 20 de abril a filha do vereador de Parintins, Babá Tupinambá, morreu afogada na piscina da sua casa | Foto: Reprodução/Internet

    Cuidados

    Segundo a professora de natação infantil, Ariane Thayssa, bebês e crianças não podem estar desacompanhados de forma alguma próxima às águas. 

    “Tem sempre que ter ao menos uma pessoa acompanhando, de preferência segurando a mão. Jamais deve ser liberado para a criança correr próximo da borda de piscinas ou rios”, destaca.

     A educadora destaca também que é importante que crianças façam natação antes mesmo de um ano de idade. “A partir de 6 meses é uma idade perfeita para uma criança começar a se readaptar ao meio líquido. Isso porque nessa idade ela ainda está se lembrando da barriga de sua mãe, que é um ambiente líquido. A partir desse primeiro contato podemos iniciar os pequenos nos esportes aquáticos”.

     

    Mesmo já sabendo nadar, crianças devem estar sempre supervisionadas por ao menos um adulto, destaca a especialista
    Mesmo já sabendo nadar, crianças devem estar sempre supervisionadas por ao menos um adulto, destaca a especialista | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

    A natação na vida de uma criança pode ser fundamental em acidentes em um ambiente com água. Segundo a educadora, a partir de 2 anos e meio ou três anos, uma criança consegue nadar sozinha.

    “A idade varia muito, mas, na maioria das vezes, tendo aulas constantes, a criança já consegue nadar sozinha. Ainda assim é importante a supervisão dos adultos", orienta.

    Casos de afogamento de crianças no AM

    No dia 7 de março deste ano, a morte de Nicolly dos Santos Almeida, de apenas quatro anos, devastou a família da criança. Ela foi vítima de afogamento na própria casa, na rua Panamá, Residencial Tapauá, bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO) registrado no dia seguinte na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a mãe da vítima compareceu ao local para informar o afogamento da filha, mas não foi dada mais informações sobre as circunstâncias da morte. 

    Um final de semana que era para ser marcado pelo lazer, acabou em tragédia para a família de Antônio Simão, de apenas três anos, que morreu após se afogar na piscina de um hotel no dia 13 de setembro de 2020. O fato ocorreu no KM 121 da rodovia federal BR-174, no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus). 

    O menino brincava na piscina próximo aos pais. Entretanto, devido a um breve momento de distração, a tragédia aconteceu. 

    Antônio Simão ainda foi socorrido e levado ao Hospital Eraldo Neves Falcão, no Centro de Presidente Figueiredo, mas morreu na unidade de saúde. 

    No dia 7 de setembro de 2020 uma menina, de apenas 5 anos, faleceu, vítima de afogamento. De acordo com familiares, Eva Vitória de Oliveira morreu depois de sofrer um afogamento na comunidade Abelinha, Zona Rural da capital. Ela chegou a receber atendimento de uma equipe médica, mas não resistiu. 

    O último caso registrado no Amazonas foi o do bebê  de 1 ano e dois meses identificado apenas como "Eduardo" que desapareceu na manhã do dia 30 de abril, após cair de um flutuante no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus. O corpo da criança foi encontrado no mesmo dia. A família informou que ele estava brincando no momento do acidente.

     

    Mãe do pequeno Eduardo se desesperou ao saber que o filho morreu afogado
    Mãe do pequeno Eduardo se desesperou ao saber que o filho morreu afogado | Foto: Suyanne Lima

    Prevenção ao prestar socorro

    Conforme o cabo do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Ronaldo Batany, nos casos de clubes e flutuantes que não possuem a presença do Corpo de Bombeiros, e o banhista está se afogando, é possível que alguém que saiba nadar ajude. Entretanto, precisa-se de cuidados para que a pessoa também não se afogue.

    “O ideal, na verdade, seria ter uma boia por perto. Podem ser garrafas pets, aqueles macarrãozinhos de piscina, se tiver por perto, uma outra pessoa para acompanhar, para ser uma força a mais. É o que pode ser feito para quem não tem as técnicas que o Corpo de Bombeiros utiliza”, enfatizou.

    Confira algumas dicas do Corpo de Bombeiros:

    • Nade sempre perto de um posto de guarda-vidas

    • Máxima atenção para as placas de sinalização

    • Pergunte ao guarda-vidas o melhor local para o banho

    • Não superestime sua capacidade de nadar (47% dos afogados acham que sabem nadar)

    • Tenha sempre atenção com as crianças

    • Evite ingerir bebidas alcoólicas e alimentos pesados antes do banho de rio

    • Se você presenciar um afogamento, chame os Guarda-Vidas; ligue 193, ou lance algum objeto flutuante para a vítima e jamais tente nadar para salvá-la.

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