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    Biodiversidade


    Estudos mostram potencial em plantas conhecidas apenas regionalmente

    Frutas e vegetais possuem um potencial promissor de compostos bioativos, que podem ter uma influência grande sobre a saúde

    | Foto: Pixabay

    MANAUS - A Amazônia é um berço de frutas nativas de alto potencial comercial. Algumas delas já são alvos de estudo como o fruto do guaraná (Paullinia cupana), que apresenta um potencial para o controle da diabete tipo 2. Na medicina popular há também indícios que o açaí (Euterpe oleracea) possui vários compostos bioativos, como o combate ao envelhecimento, ao colesterol ruim, entre outras vantagens. Estes frutos já foram pouco utilizados, até o momento em que foi identificado um potencial promissor na saúde humana.

    Um dos precursores no estudo do açaí como composto bioativo, o professor da Faculdade de Bioengenharia da Universidade Católica de Louvain (UCL), Yvan Larondelle, revelou em sua pesquisa que a fruta é extremamente rica em compostos fenólicos antioxidantes, substâncias presentes no vinho tinto, com efeitos positivos sobre doenças cardiovasculares. 


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    Um copo com 250 mililitros de extrato de açaí tem 1 grama de compostos fenólicos "

    Yvan Larondelle, pesquisador

     


     

    Pesquisador belga Yvan Larondelle foi um dos precursores em estudos sobre o açaí, fruta encontrada na Amazônia
    Pesquisador belga Yvan Larondelle foi um dos precursores em estudos sobre o açaí, fruta encontrada na Amazônia | Foto: Divulgação/ UCLouvain

    Hoje o pesquisador se dedica ao estudo de outra planta: a mirtilo rosa (Rhodomyrtus tomentosa) encontrada em abundância no Sudeste Asiático.

    Usada na medicina popular asiática para tratar diarreia e estimular o sistema imunológico, a fruta é uma das maiores fontes no reino vegetal de piceatannol, um composto fenólico mais ativo que o resveratrol, encontrado principalmente na casca da uva, em termos de propriedades antioxidantes (Substância capaz de reduzir o envelhecimento e proteger célula), anti-inflamatórias, antiproliferativas (substância capaz de reduzir a morte de células) e antilipogênicas (que combate a formação de células adiposas).

    Por meio do estudo, os pesquisadores têm auxiliado os produtores da fruta, que tem sido utilizada no Vietnã na produção de sucos e bebidas alcoólicas, a corrigir falhas na produção e desenvolver processos para extrair piceatannol de forma mais eficiente. A meta é introduzir o composto bioativo em outros produtos mais elaborados

     Guaraná e Pau Rosa

    Outra pesquisa científica investiga o potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor de duas plantas nativas da região Amazônica, o guaraná e o pau-rosa (Aniba rosaeodora). O estudo avalia se o extrato e o óleo essencial, respectivamente, dessas espécies vegetais são detentores de efeitos benéficos para serem utilizados na produção de fitocosméticos.

     

    Pau-Rosa tem um potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor
    Pau-Rosa tem um potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor | Foto: Reprodução

    Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Melchionna Albuquerque, já foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa, e que no momento o grupo de pesquisadores está preparando o extrato de guaraná e suas partições para verificar as demais atividades biológicas e, em seguida, iniciar as formulações fitocosméticas.

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    Os fitocosméticos serão avaliados quanto às suas propriedades físico-químicas e quanto à sua estabilidade. Determinaremos as atividades biológicas de interesse nas emulsões e sabonetes líquidos que se mostrarem estáveis. Além disso, determinaremos a concentração de linalol nos óleos essenciais de pau-rosa e de cafeína nos extratos de guaraná, a fim de padronizar a matéria-prima utilizada na elaboração dos fitocosméticos "

    Patrícia Albuquerque, pesquisadora

     

     

    Pesquisadora Patrícia Albuquerque coordena estudo sobre guaraná e pau-rosa
    Pesquisadora Patrícia Albuquerque coordena estudo sobre guaraná e pau-rosa | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

    Com base no resultado do estudo, a pesquisadora afirma que será possível formular emulsões cosméticas com atividade antioxidante e fotoprotetora, assim como sabonetes líquidos, com atividade antimicrobiana, a partir desses compostos naturais.

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