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    Controle de doenças


    AM registra aumento de casos de dengue nos primeiros meses do ano

    Para a FVS-AM, a intensificação das chuvas aumentou a disponibilidade de criadouros, e por consequência, o aumento no número de casos

    Segunda a Fundação, na capital 1.160 casos foram registrados no ano passado e 3.661 este ano, um aumento de 215% | Foto: Divulgação

    MANAUS - As fortes chuvas e a cheia do rio negro, que em junho atingiu a marca histórica de 30,03 metros aumentaram o risco de doenças endêmicas como dengue, zica e chikungunya em todo o estado.

    Dados fornecidos pela Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas (FVS-AM) apontam um aumento no número de casos de pessoas que adoeceram com dengue. De janeiro a maio de 2020 foram registrados pela fundação 5.510 casos em todo o estado. Este ano houve um aumento de 63% no número de registros da doença, com 9020 casos. Segunda a Fundação, na capital 1.160 casos foram registrados no ano passado e 3.661 este ano, um aumento de 215%.

    A prefeitura de Manaus também monitora os casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue.

    De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), entre janeiro e maio deste ano, a capital notificou 3.813 casos. Em 2020 foram 1210 casos, um aumento de 215% em relação ao mesmo período do ano passado.

    Os números representam um problema grave de saúde pública. Todos os anos, governo e prefeitura se mobilizam a fim de diminuir a incidência de casos. Para o Chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da FVS-AM, Elder Figueira, a intensificação das chuvas fez com que aumentasse a disponibilidade de criadouros, aumentando o número de mosquitos. 

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    Esse ano nós tivemos uma intensificação das chuvas, gerando mais disponibilidade de criadouros, próximo das casas. Então isso provavelmente tenha uma interferência direta no aumento expressivo no número de casos "

    Elder Figueira, Chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da FVS-AM

     

    A assistente técnica Sophya Alves, 18, foi uma das pessoas que foi contaminada pelo vírus, que contraiu a doença em abril deste ano. Ela sentiu fortes sintomas da doença, e inclusive, chegou a pensar que estava com covid-19 e não com dengue.

    “A primeira vez que fui ao hospital trataram a doença como covid-19, mas depois de alguns dias meus pés começaram a inchar e umas manchas vermelhas surgiram em várias partes do meu corpo. Foi então que eu voltei no hospital, fiz os exames e foi constatado que eu estava com dengue”, explica.

    A mãe de João Guilherme, estudante de 18 anos, contou ao EM TEMPO sobre o período em que que o filho foi contaminado pela dengue. A manicure, Dayse Souza, 36, observou também que outros vizinhos adoeceram no mesmo tempo.

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    Provavelmente havia um criadouro perto da minha casa porque não só meu filho adoeceu mais outras pessoas na minha rua. Ele teve febre e sentia dor nos olhos "

    Dayse Souza, Manicure

     

    Controle do vírus

     Em março, a FVS realizou uma reunião Integrada sobre o Cenário Epidemiológico da Dengue no Amazonas, com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Semsa e Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/FVS-AM), além dos técnicos dos Departamentos da Vigilância Epidemiológica (DVE) e Vigilância Ambiental (DVA). Na época, os números já chegavam a mais de seis mil casos registrados pela fundação. Com as ações, os números de casos diminuíram.

     

    Agentes de saúde já estão visitando casas em Manaus para ajudar no controle da proliferação do mosquito
    Agentes de saúde já estão visitando casas em Manaus para ajudar no controle da proliferação do mosquito | Foto: Divulgação

    Neste mês de junho, a Prefeitura de Manaus começou a realizar um diagnóstico sobre o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti em toda a capital. Com o diagnóstico, as informações ajudarão na elaboração das estratégias de controle do vírus. Com os dados, é possível identificar as áreas da cidade de baixo, médio ou alto risco para a proliferação do mosquito.

    Figueira pede à população que as pessoas recebam os agentes de saúde que trabalham no combate ao mosquito e que observe se há água parada nos recipientes da casa. “O combate ao mosquito só se faz com o apoio da população. Já observamos que de 80% a 90% dos casos os mosquitos estão nos quintais ou até mesmo dentro de casa. Então sem a ajuda do proprietário da casa fica difícil de fazermos um controle efetivo”.

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